sábado, 22 de dezembro de 2007

Retrô - Parte I

Final do ano se aproxima, programas de retrospectiva são apresentados, perguntas de "o que aconteceu de válido nesse ano?" surgem. Para não fugir do costume, e revelando mais uma vez meu lado clichê, entrarei no clima-reveillón. Até porque, há certas coisas em 2007 que merecem ser lembradas.


Coldplay, 28 de fevereiro de 2007, Via Funchal.

Perfeição. Assim pode ser classificado esse dia.

Fui para São Paulo sem qualquer tipo de expectativa e com um rumo duvidoso. Na Imigrantes, rezei muito para que tudo desse certo, para que a dor de cabeça e tristeza que reinou em torno desse show, antes mesmo dele chegar, valesse a pena. Perguntei aos céus o por quê de tudo isso. E então, assim que as luzes do Via Funchal desligaram, eu soube.

Era um momento meu. Era a minha necessidade de estar sozinha, no estado em que me encontrava, vendo-os ali, cantando aquelas belas canções que me fizeram chorar como criança, que me deixaram sem fôlego, que me fizeram companhia, assim como os belos estranhos que surgiram pelo meu caminho durante toda a noite. Pessoas tão diferentes. Cada uma delas havia passado por sua própria agonia antes dessa noite chegar, passando os últimos dois meses numa mistura de risos, lágrimas, antecipação, dúvidas.

Enfim, a noite chegara, para mim e todos esses beautiful strangers. Veio e foi como um estalo. Um estalo divino. E quando eu achava que o show não poderia ficar mais perfeito - já que estava num lugar com visão privilegiada para uma baixinha, perto do banheiro, com o bar do lado, "reservado" para fumantes e na companhia de uma moça extremamente simpática (e que foi um anjo por ter me colocado de volta ao meu lugarzinho) -, eis que Chris Martin desce do palco e foi exatamente aonde eu estava. Um deus, ali, em minha frente. Cantando a minha música ("In My Place"), que nunca mais será ouvida da mesma maneira.

Aliás, Coldplay nunca mais será ouvido da mesma maneira. Cada vez que escutá-los, lembranças de uma noite tão sensacional (ora, um dia inteiro, já que sobrevivi na selva de pedra, sozinha pela primeira vez, apenas com um mapa do metrô em mãos e algumas referências) retornarão e me emocionarão de tal jeito, que só me resta chorar de pura felicidade.

Se valeu a pena? Abso-fucking-lutely. Afinal, foi um momento catártico. Transformador. Decisivo. A partir desse, tudo foi mudado dentro de mim. Vi a vida com outros olhos. As velhas rotinas foram para o além.

E, meses depois, quando já estava precisando de outra mudança brusca, outro exorcismo, veio Tim Festival...



(a ser continuado)


:: ao som de the killers, "romeo and juliet" ::

Um comentário:

 Thiago Margato disse...

Quando voce me disse no TIM que o Chris Martin tinha ficado tão perto de você, não imaginei que tinha sido tão perto assim. Pode ter certeza que foi um presente pra você Lu!

E pensar que eu não fui nesse show por falta de companhia...