quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Gente Grande



- Força na Peruca, 2008! - diz:
ai ai
[ me jogando no ilê ] diz:
pois é
- Força na Peruca, 2008! - diz:
vida adulta é complicado d+
[ me jogando no ilê ] diz:
né? também to achando
(00:24)

Podemos nos comportar feito idiotas. Ir a shows de rock, encher a cara de álcool, ter crises de manha e criancice, nas quais queremos retornar ao útero de nossas mães, onde tudo era acolhedor e quentinho - diferente desse mundo cruel que temos que encarar diariamente. São pessoas competitivas, responsabilidades, dinheiro, relacionamentos afetivos turbulentos, briga de egos. Todos parecem chegar em algum lugar, mas ninguém sabe exatamente onde.

Às vezes acho que não lido bem com essa inesperada vida adulta que chegou quando ainda vivia uma existência de adolescência tardia. Às vezes penso, sentada no ônibus enquanto olho desesperada para o relógio, que sinto falta da ilusionária e desregrada liberdade que já dominou meu ser.

Sinto falta, sim, de ver o dia nascer pela minha janela enquanto escuto Queen e fumo um cigarro. Sinto falta do simples prazer da solidão noturna. Sinto falta da vida sem hora marcada, de fugas inesperadas, de perambular por aí sem rumo.

Porém, por outro lado, penso... Não é que essa vida é boa? Ok, há horários, responsabilidades, problemas em geral a serem resolvidos - algo que, às vezes, é deveras doloroso. Mas há uma agitação inexplicável. Há um divertimento quase sádico, que me faz dar risada de minha própria vida, e do quanto foi mudado em tão pouco tempo. Rio de como coisas que faziam tanto sentido, hoje são apenas boas histórias de uma época bacana. Há aquele leve peso nas costas, que denunciam a presença de experiências e aprendizados constantes. São essas lições diárias que chegam sutilmente, mas que marcam como tatuagem no inconsciente.

Que bom. E, principalmente, que bom que posso ser e aprender como sou, e continuar com minha liberdade, agora nada ilusionária. Aquela era uma suposta liberdade. Liberdade é isso: fazer algo em que se aprende, e saber dividir os momentos de porra-louquice e os momentos em que a caretice é necessária. Dividir a persona-adolescente e a persona-adulta. Mesclar, viajar entre as duas, sem perder nem uma, nem outra. Liberdade é equilíbrio.
É isso que procuro. Essa liberdade. E ela chega a cada dia, vagarosamente. Tudo bem. Para isso, aprenderei a ter paciência. Só não mais desejo uma mente vazia, ou (pior), repleta de pensamentos inúteis, que não salvam. Apenas atrasam.





:: ao som de otto, "pra quem tá quente" ::


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