Aí, depois de umas cinco garrafas de cerveja, começa o papo sobre macho. Claro, pois a mulherada não pode se encontrar que a conversa eventualmente chegará nesse ponto. Aí são citados os prós e contras destes seres, em principal daqueles que já passaram. Entre detalhes sórdidos e piadas infâmes, a novela termina.
Eram quatro mulheres no bar, numa quarta-feira, de frente para o telão, prontas para São Paulo x Whatever, ou "Aquele time dos hispânicos chamados Arouca". Para não pagar mico, uma delas pergunta discretamente para o garçom qual a situação do time. Não, ela não torce para o São Paulo, e odeia o Rogério Ceni. Na verdade, ela não dá a mínima para futebol, a não ser que este seja motivo de comemoração na cidade. Ela prefere assistir a Seleção Masculina de Vôlei - afinal, este time é infinitamente mais bonito.
Enquanto isso, a outra observa o ambiente e percebe que são as únicas fêmeas no recinto. Dá a dica para a mulherada falar baixo, para não atrapalhar os homens em seu ritual. Mas uma delas está extasiada, pois o bofe foi ao jogo e ela o procura na multidão. A cada cinco segundos, ela grita para o telão: "Olha ele ali!". A corinthiana está pê da vida, pois está bêbada e assistindo jogo do São Paulo, e, sem medo de ser feliz, grita "Aê Richarlyson, KY, hein!". Então, a outra diz: "Gente, esquece a bichinha, olha a bunda do Adriano!". Então todas olham para o traseiro do dito cujo e começam um "tímido" coro: "úh, Imperador, úh, Imperador". Uma delas permanecia discreta, em respeito aos homens do recinto, até começar o Hino Nacional. Ela canta bravamente, e sai de controle cantarolando: "Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso, em teu futuro espelha essa grandeza!".
Aí, Cleber Machado anuncia o início do jogo, e de repente elas viram machinhos. Gritam gol, fazem "uuuh" quando algum infeliz chuta para fora, falam que até a vó faria melhor, xingam o adversário, o bandeirinha, e dizem que é impedimento no meio do campo.
O time ganha, elas puxam gritos de vivas. Uma delas observa os homens do recinto irem embora. Eles dão sorrisos discretos em direção a mesa - enfim, eles deixaram o ritual de lado e passaram a prestar atenção que havia, sim, mulheres no local.
Ela aponta para o dono do bar que, por causa do escândalo aprontado por elas, ele nunca mais permitirá a presença de mulheres em dia de jogo.
Então chega a outra quarta-feira, e ele, ao ver as moças chegarem, vem a mesa já com a cerveja na mão e diz, feliz e satisfeito: "Opa! Hoje tem mais futebol, né, garotas?".
Ela então conclui que presenciar a mulherada assistindo jogo de futebol é a coisa mais divertida do mundo. E para nós também é.
PS: Já entendi a regra do impedimento, com a ajuda do namorado paciente de uma das amigas, mas porque raios existe o escanteio?
Um comentário:
o importante é que de uma forma ou de outra todo mundo torceu pro tricolor.
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