
Uma é irmã de sangue, a outra é irmã de coração. Ambas fazem parte da minha história, já me viram fazer besteiras que nem Jesus salva, e têm acompanhado minha passagem de adolescência à vida adulta com afinco, dando todo o suporte para que essa fosse realizada da melhor e menos traumática maneira possível. Juntas, formam uma só pessoa. E não é à toa que lá vão elas, dependendo somente uma da outra, para mais uma jornada.
Fiquei surpreendentemente feliz ao vê-las adentrarem o portão de embarque. As lágrimas escorriam (e ainda escorrem) sem qualquer controle. Por tristeza, por felicidade, por pensar em tudo que viveremos longe delas. E, principalmente, por saudade imediata das pequenas coisas que fazem o dia-a-dia da relação com minha irmã.
Despedidas são ruins por simplesmente o serem. Porém, pior do que isso, é voltar para casa e sentir essa vazia, devido ao desfalque recém-sofrido.
Somos um party of five - três irmãs, mãe e a cachorra. Se uma sai, a falta logo é sentida. Quando esta mesma irmã mudou-se para São Paulo, a perda foi grave, no entanto superável, uma vez que todo fim de semana ela estava aqui e eu sempre dava um jeito de correr para lá. Contudo, agora não há fins de semana. E (argh!) não haverá Natal - que é sem gracinha por si só. Mas sempre éramos responsáveis por colocar festa nessa casa das cinco mulheres. E esse ano?
São essas coisinhas que me fizeram querer cantar em pleno Cumbica: "If you leave me now, you're taking away the biggest part of me. Uh-uh-uuuuuh, no, baby, please don't go". Afinal, com quem cantarei "Queen of the Night", do Mozart, apenas para assustar a cachorra? Ou comentarei "In Treatment" e "Lost"? Ou ir a locadora e escolher filmes utilizando classificações como "filme de família neurótica", "filme de mulher descontrol", "filme com macho bom de uniforme"? Ou dançar a cena final de "Chicago"? Ou rir assistindo "Medical Detectives" e "Casos Arquivados"? Ou falar em inglês imitando Samuel L. Jackson em "Pulp Fiction"?
Não desmereço minha outra irmã, ou minha mãe, ou minha cã - longe de mim!, afinal, com elas, tenho outras afinidades, igualmente bacanas - mas essas momentinhos com esta irmã em particular que fazem a dor da partida ainda maior.
É por essa falta que choro, pois já é incrivelmente sentida.
:: ao som de bob dylan, o melhor amigo do momento presente, "it's all over now, baby blue" - no repeat ::
Um comentário:
Buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasmklmdxwlkdmqalkmdlawlqa
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