De acordo com o Michaelis da UOL, "solitário: que esta só; que evita a convivência; que gosta de estar só; que foge da sociedade ou que a aborrece; que vive em solidão".
Essa é a palavra mais sensacional e que melhor traduz as duas últimas semanas (adoro). Estou só, evitando convivência, fugindo da sociedade, aborrecida com esta - e a aborrecendo -, vivendo em solidão. And I like it.
As últimas saídas comprovaram bem tal estado. Irritei-me facilmente, estive a ponto de causar briga com qualquer ser humano que cruzasse meu caminho, discuti com amigas, tratei mal garçons e afins, e só fiquei bêbada quando finalmente pisei em casa - pois na rua, por mais que bebesse, o álcool sequer surtia efeito, tamanha frustração de estar fazendo algo que, na realidade, não queria.
Entendo o protesto das amigas. Afinal, elas estão preocupadas em me deixarem em casa quando sabem do estado relativamente delicado que me encontro. Mas, em principal, elas não compreendem o por quê não saio de casa quando posso chegar a hora que quiser, uma vez que não há mamãe para obedecer.
Eis a questão. Para que sair e agüentar povinho mais-ou-menos, se tenho a casa toda para mim? Tenho meu cão, meu alimento, a cerveja gelada, o confeito feliz, a liberdade de fumar um cigarro na sala, deitada no sofá, assistindo um filminho ou um seriado. Going out is overrated em situações como essa. É bom cuidar da casa, da filha canina, arrumar meu quarto com detalhes, lavar a louça que eu mesma sujei, conversar com a empregada, fazer café, improvisar um omelete, separar roupas para a máquina. Tudo isso enquanto Bob Dylan canta na sala, acompanhando meus afazeres. Eu, Gil e Bob. Quer companhia melhor que essa?
Não desprezo meus amigos, tampouco os quero longe de mim - se assim fosse, não atenderia telefone e ficaria offline no msn. Compreendo a falta de compreensão, entretanto, isso me incomoda. Afinal, estou bem, e não cortando os pulsos com faquinha de bolo pullman. Sim, estou bem, acredite se quiser. Eu mesma estou surpresa com tamanha facilidade na qual estou lidando com os recentes acontecimentos - afetivos, familiares, semi-profissionais.
Tenho lidado com simplicidade por um motivo muito básico: era o que eu precisava. Era necessário para o momento e circunstância cuidar de mim e ter responsabilidade dentro da minha própria casa, algo que há tempos perdi e que causou diversas brigas com mamãe antes dela partir em viagem. Estou reaprendendo a me virar sozinha, e estou adorando. Tenho tempo suficiente para realizar o necessário e ainda meditar sobre a vida e tudo que preciso fazer no futuro imediato - TCC, bicos para juntar dinheiro e visitar minha irmã, ajudar minha mãe, cuidar melhor da Gil, dar valor ao que tenho, e não ao que sonho ter.
Ok, isso é clichê e essa última frase com certeza se provará ridícula daqui a algumas semanas, se não dias, dependendo da TPM e de acontecimentos externos. Porém, é maravilhoso poder curtir dessa maneira.
Obviamente dá saudades da casa cheia (ôh). Obviamente, gosto de bebericar uma cervejinha num bar próximo com as amigas e rir dos machos alheios. Obviamente aprecio companhias. Mas prefiro como está, assim.
Me, myself and I.
[ no som: pato fu, "qualquer bobagem" ]
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