quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A Mariposa


(David e Juliana analisam o lustre, dando um tempo do fervor da emoção para que Juliana possa refletir sobre seus últimos atos, enquanto fuma um cigarro loucamente)

- "Tá vendo? Tem uma mariposa ali em cima. Ela está aí há uns dois dias. Fica parada; não vai embora, nem muda de lugar."
- "Como assim!, só agora você me avisa que há uma mariposa no recinto? Eu tenho medo, porra."
(rindo) - "Ela não faz nada! Só observa."
- "Fantástico. A última coisa que precisava era uma mariposa voyeur."

Algumas horas depois, David dorme nos braços de Juliana, enquanto essa constata, ao ouvir "Na Estante", que a Pitty talvez não seja tão idiota assim. Ela ri - de sua "descoberta", de si mesmo, e de toda a situação. Ri, para não chorar, a fim de evitar uma crise catártica maior, uma que faça jus ao seu próprio sentimento de culpa.

Mais uma vez, ela é Juliana. Ela sabe que há uma Sofia por aí. Sabe perfeitamente das condições do presente momento. Sabe que se colocar em tal posição não é a coisa mais saudável do mundo. Mas ela gosta, sente falta, precisava, e não resta nada para ela a não ser observar cada ponto das costas alheias enquanto ele a abraça carinhosamente, e ela cantarola Bon Jovi baixinho.

De repente, um movimento no teto. É a tal mariposa, até então estática e voyeur. Juliana pressiona um rewind imaginário, e a mariposa, que tudo vê, move-se ferozmente pelo teto, sobrevoa a cama, enquanto Juliana se coloca embaixo das cobertas, sabendo que a qualquer momento o cruel inseto pode atacar. Afinal, ela é a Juliana. Ela é a sombra, a versão anti-mulherzinha (como brilhantemente apontado), a previamente abandonada, a que sempre clamou não apreciar mariposas, e tampouco esta em particular.

Então, a mariposa voa em cima do leito, observa por um instante e, como se soubesse que ela jamais deveria estar ali, atuando como a consciência descontrol de Juliana, bate asas e some.

E Juliana pode, finalmente, sem qualquer culpa, aconchegar-se nos braços de David, descansando enfim de todas suas neuroses.

4 comentários:

Garota no hall disse...

Hum, gostei do texto. E do nome do blog também, hehehe.

Anana disse...

ahh muleke...

Renato Thibes disse...

eu gosto de 'na estante'. mais do que o recomendável pela organização mundial de saúde.

(( buddypoke de vergonha ))

fabiana disse...

Eu não gosto de 'na estante', mas, o primeiro cd da Pitty não é de todo ruim, eu até comprei (ok. vergonha).

Adorei a foto 'The Holyday'.