"You don't know me
Bet you'll never get to know me
You don't know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There's nothing you can show me
From behind the wall
Show me from behind the wall
Eu, você, nós dois,
Já temos um passado, meu amor
Um violão guardado, aquela flor
Show me from behind the wall"

Isso, chuchuzinho. Me mostre por trás dessa parede. É o Mário? É um pássaro, um avião? O Batman, talvez? Duvido, pois tenho a mais profunda certeza que é o Coringa. Ele, que louva e provoca o caos, pelo simples prazer de fazê-lo, para provar um argumento, para dizer que pode. Sim, você pode realizar tais atos. Mas não precisa. Ou precisava?
Vem, atiça a onça, tão sossegada em sua observação de outros pontos do mundo. Atrai sua atenção. Não contente, a cutuca com um pedaço de pau, que a faz reviver cada um de seus instintos mais obscuros, escondidos por trás de sua própria parede. E produz, finalmente, o efeito esperado. A onça se descontrola, foge de sua consciência e se entrega.
E fica sem forças, até o momento que cai em si e percebe a tremenda burrada de ter aceitado suas condições, com a vã esperança de que, dessa vez, poderia derrubar sua parede, e vice-versa. Ah, grandes expectativas (re)nascidas pela simples palavra "depois".
Pobre oncinha. Não vê que o Coringa só desejava os fogos do caos? Uma saída de sua vida chinfrim, um escape das pressões de conduta moral. Ele queria a loucura, o completo desvio de qualquer sensatez. E você acreditava piamente que tudo que ele queria era apenas você, por si só.
Cai na real, minha filha. Não há guindaste, trator ou qualquer aparato desse tipo que derrube tal parede. Esta permanece intacta, dando alguns indícios de um tijolinho quebrado aqui ou lá, como forma de garantir um ganho certeiro. Enquanto, em contrapartida, a sua parede desaba como o muro de Berlim, e sente milhões de marretas e machadinhas perfurando cada estrutura sua. E toda a calmaria vai terra abaixo.
Resta, apenas, o caos.
But you don't know me.
¬¬ no som: essa música, "you don't know me", caetano ¬¬
4 comentários:
Ah, a parede... Essa metáfora tem muito a ver comigo, colocar uma barreira invisível entre eu e o outro. E quando ela cai, meu mundo vai junto logo em seguida.
Muros estão aí pra serem derrubados. Você fez a sua parte, fazer isso já te joga em outro patamar. E eu me identifico e entendo esse seu sentimento, a pior coisa que existe é se "desnudar" na frente de outro que não consegue "marretar" na mesma proporção.
Mas não desanime, manter o muro lá em cima nas alturas e nivelando com o outro nesse sentido é que seria a grande "burrada".
:)
p.s.: só depois que fui lembrado e me dei conta, essa mocinha poderia estar no meu TOP 10 fêmeas cinematográficas.
A grande contradição da queda das barreiras/paredes/muros é que, quando a gente sofre este ato, quando dinamitam as nossas paredes que envolvem as "minas subterrâneas", não temos força para fazê-lo com o outro. Somos mais fortes quando estamos armados e protegidos. Mas esta nudez revela que ainda temos um coração pulsante e vivo, mesmo que esteja guardado no baú de Davi Jones, a sete chaves...
Não esquenta, o carma tá aí pra fazer justiça. E o buddypoke plano malvado também!
Perfeito texto, dude!
Postar um comentário