terça-feira, 14 de outubro de 2008

And that makes you larger than life

Sempre fui metida a rock 'n' roll. No ápice da puberdade, enquanto as coleguinhas de classe expunham em seus cadernos fotos dos "gatos da Malhação", no meu havia fotos do Smashing Pumpkins, para o horror das mocinhas, que chamavam o Billy Corgan "macabro", e me achavam velha demais por preferir uma tarde no cinema com mamãe, assistindo filmes como "Beleza Americana" à um passeio no shopping no sábado à noite para uma sessão de "Todo Mundo Em Pânico".

Eu estava muito feliz com essa vida underground, até o momento em que, naquele fatídico final de tarde, assistindo ao Disk MTV, deparei-me com "As Long As You Love Me", do Backstreet Boys. De repente, aqueles sujeitinhos idiotas, que até pouco tempo atrás estavam vestidos de monstro numa clip de uma musicazinha chinfrim, pareciam muy atraentes. Foi o início da derrocada. Melhor dizendo, foi o início da fase mais deliciosa da vida de uma menina.

Digam o que quiserem, mas não há nada melhor para uma garota adolescente do que uma boy band. Se para minhas irmãs houve New Kids On The Block e Take That (também conhecido como "as picas inglesas mais ilustres dos anos 90"), para mim, houve Backstreet Boys, 'Nsync, Five, Westlife, e qualquer outro conjunto de machos cantarolantes da época.

Foram eles que despertaram meu interesse no inglês - afinal, para cantar, necessitava compreender o que diziam -, fato que determinou meu destino adulto, uma vez que escolhi esta vida acadêmica devido a presença da Língua Inglesa no conteúdo programático. Foram eles, também, que despertaram meu interesse pelo sexo oposto. Foram eles que habitaram meus primeiros sonhos eróticos, minhas primeiras descobertas corporais, minhas primeiras atenções para o dito pacote.

Vergonhoso? Claro. Mas inevitável. Por alguma razão desconhecida para mim naquele momento, Kevin Richardson de blusa aberta rebolando na chuva era um imenso Deus-nos-acuda. Assim como a coreografia de "Bye Bye Bye", com Justin Timberlake esfregando seu órgão na câmera sem o mínimo de pudor. Isso sem contar a incrível satisfação ao observar JC Chasez em "It's Gonna Be Me" em uma apertada calça de couro, demonstrando para o mundo o seu "potencial".

Baixo nível? Apelação? Óbvio. Mas essa era a graça. Na falta do que fazer (afinal, nem todo mundo era junky bitch, eu em especial), restava apenas um gritinho para exaltar o tesão sentido por aqueles seres quase divinos.

Entretanto, mais do que expôr as fantasias sexuais primárias de uma adolescente virginal, essas tais boys bands cantavam lindas canções. Fáceis, de pouco valor poético, é verdade, contudo, belas o bastante para aquecer o coração mole dessa menininha apaixonada por um inútil e distante pivete que nada se comparava aos homens que arrancavam lágrimas e gritos descontrolados da garota perante a televisão.

Após assistir aos shows, participar de fóruns virtuais, entrar em fãs-clubes e, enfim, crescer, assistir aos clips/programas/whatever desses sujeitos é uma experiência interessante. Ao mesmo tempo em que desejo soltar urrinhos felizes como antigamente, por outro, há uma imensa vergonha alheia, por mim, e por eles. Digo mais: há a vontade de rir alto, percebendo que Justin era um simples menininho mirrado, que AJ estava claramente cheirado em "Shape of my heart" - quando, na época, eu pensava que ele estava apenas animado -, que o JC estava muito bêbado no Rock In Rio, que o Lance era obviamente gay, assim como o fofo rapazinho do Boyzone (apesar de que, nestes casos, eu sempre soube).

Mais hilário ainda é perceber que, depois de "velha", os mesmos ditos que arrancavam suspiros nem eram tudo isso. O Justin só virou de fato um bom motivo de tesão com "Sexy Back" e o AJ era infinitamente mais interessante que o Brian (exceto pelo ratatá).

Ainda assim, mesmo sabendo que os meus conceitos adolescentes mudaram drasticamente com o passar dos anos, é quase impossível não chorar ou gritar ou soltar um "arre" em certas ocasiões (por exemplo, prossigo achando que o JC realmente tem um grande "potencial"). E, principalmente, é triste saber que as meninas de hoje não possuem as mesmas boys bands de outrora.

Diante disso, concluo que essa adolescência está mais perdida do que o já sabido. Entre Jonas Brothers e seus hipócritas anéis de virgindade (francamente, colegas, quem vocês querem enganar?), e os ditos NX Zero e Fresno da vida, ainda prefiro meus bons e velhos Backstreet Boys. Pelo menos, as músicas eram decentes e bonitas, e não essas porcarias sem qualquer sentido. E, mesmo com as coreografias beirando o obseno, elas eram divertidas e tinham um claro propósito: fazer com que as garotas virassem, de maneira natural, mulheres.

Por causa disso, devo muito a estes mocinhos. Eles foram o estopim. E desejo que, se um dia tiver uma filha, ela tenha suas boys bands. Ela definitivamente será mil vezes mais mulher do que muitas das que estão sendo criadas agora.

7 comentários:

Renato Thibes disse...

moral da história: chupa billy corgan!

Cecilia disse...

Hahahahahahahah

'Magina, chuchu. Super pego o Billy Corgan também.

fabiana disse...

Quero deixar claro que, apesar de adorar o Smashing Pumpkins, eu não pego o Billy Corgan de jeito nenhum!
Grata!

Eu sempre tive uma queda pelas Boy Bands. Aos 5 anos de idade já ouvia e adorava os Menudos. Aos 10, cantava loucamente 'step by step' e ganhava um disco autografado do New Kids. Aos 15/16, achava assinava Fabiana Magalhães Litrell, fazendo jus ao sobrenome do meu backstreet preferido.
Eu não sinto vergonha alheia pelas boys bands dos anos 90 não, eram mais dignas que as de outrora (apesar das reboladinhas e calças coladas, mas o Slash do Gun's também usava, né?).
Ainda canto 'Don't wanna lose you now' no carro com as amigas e sei os passinhos de 'bye bye bye' tranquilamente. E, of course, ainda pego lindamente o Justin!
Ou seja, eu sou uma vergonha!

Garota no hall disse...

Eu gostava de BSB, até ouvir o CD e parar na terceira música. Agora, do Five eu fui fãzinha mesmo, durante uns 6 meses - foi o tempo em que a parede do meu quarto sustentou o pôster da banda e do Scott Robinson, e também só consegui manter o CD deles na minha coleção durante esse tempo. Enfim, achava esses integrantes de boy bands lindos, mas musicalmente falando eu nunca consegui ouvir a sério. Preferia vê-los nos clipes mesmo.

 Thiago Margato disse...

Minha irmã viveu a era New Kids on the Block... E eu, com 10 anos, o que mais queria era rasgar todos aqueles posters, cadernos e books que ela guardava... Mas eu fiquei com dó!

Alexandre disse...

E a tal da McFly? Ouvi/li/vi coisas que os colocam como uma bela e clássica "boy band".

Eu discordo um pouco dessa importância existencialista que uma boy band tem pra uma menina. Mas.. quem sou eu pra controlar a sede da indústria musical e livrar minha futura hipotética filha disso.

A bem da verdade, vou fazer um tratamento de choque com Beatles, no melhor estilo "Laranja Mecânica". Desde a tenra idade até o início da puberdade. Acho que resolve.(rs)

Cristina disse...

Me lembro que gostada dos New Kids, mas foi por pouco tempo. Depois disso eu virei fã do A-ha e desisti dessa molecada toda rs.