quinta-feira, 9 de outubro de 2008

In need of Dr. Paul

Já não bastasse ter que lidar com o sumiço do Sr. Problema em Potencial (e sua conseqüente falta de comparecimento no quesito piriguete) e com o retorno do Sr. Volta Pro Mar Oferenda, agora preciso lidar com o ciúme que tenho sentido pelo meu pai e o sentimento de defesa descontrol para com minha mãe. Porque somente pensar na faculdade aparentemente não é o bastante para o Universo. Não. Ele precisa me deixar louca. Logo, jogada na fluoxetina para agüentar o tranco.

A Vaca¹ da namorada do meu pai cismou de fazer a íntima. E eu, como filha caçula, mimada e que sobreviveu com relativa facilidade ao divórcio aos sete anos de idade, encontro-me num impasse. Caso eu a conheça, há a possibilidade de gostar. Se eu gostar, a Vaca pode pensar que quero tê-la como mamãe substituta, e me recuso a deixar tal impressão, pois minha mãe é única e insubstituível, mesmo com todos os problemas. Se eu não gostar, papai ficará magoado. E coitado, ele merece felicidade na vida. Afinal, ele é um homem como qualquer outro; nada mais justo do que uma companhia. Se eu desejo tanto por uma, por quê não ele.

Por outro lado, tem a mãe. Se eu gostar da Vaca, a mãe ficará ofendida, uma vez que o casamento terminou em decorrência de um chifre (como sutilmente confirmado pelo coroa) e a Vaca representa toda e qualquer mulher que não ela. Observando a patroa a partir do ponto de vista de espécime fêmea, compreendo perfeitamente a ingrata situação na qual ela se encontra. A Vaca é a confirmação de que ela jamais terá algo com o antigo amor, e vamos concordar que isso deve ser no mínimo deprimente, principalmente após a menopausa e anos se dedicando ao lar. Ainda assim, se eu não aprovar a dita cuja, a dona achará que estou a defendendo e brigará, pois como típica Meryl Streep em "Pontes de Madison", mamãe não quer neguinho defendendo sua honra, tampouco suas próprias filhas.

Contudo, isso é fichinha. O que realmente pegou na alma foi stalkear o orkut da Vaca. Foto de Natal - ocasião na qual meu pai não comparece desde minha infância. Ele de chapéu de Papai Noel. Ele, a filha da Vaca, o filho da Vaca, e a própria Vaca. Com a legenda: "Família".

O QUÊ? Ora, vai se foder. Família é o caralho. Ele é meu pai, não desses otários de merda. Esse molequinho punheteiro e essa garota com cara de biscate que deve dar mais que chuchu na serra. Biscate, magra e perfeita, que provavelmente não fuma e nem bebe, que freqüenta a festa de Barretos, e que pertence a comunidades politicamente corretas. Enquanto eu, fumante descontrol, bêbada, gorda e largada, pertencente a comunidades como "Entuba, Jesus". Mas eu sou a filha. Eu deveria estar com esse chapéu de Papai Noel. Eu, eu, eu! Rala peito, bruaca.

Contudo, o velho está com um belo sorriso na foto. Ele está feliz, com sua família. Ele está num relacionamento longo e duradouro. Bacana para ele. Lá no fundo, bem no fundo do âmago, há uma pitada de felicidade pelo patrão. Não era para sermos nós na foto com o infâme chapéu de Papai Noel - era para ser eles. Legal. Ele encontrou seu pote de ouro.

Droga. Tá. Definitivamente, onde raios está Dr. Paul e suas intervenções. Apenas terapia salva. Só o que faltava, nessa altura da vida, ter ciúme do pai (relativamente) ausente. Acorda, Cecilia.

Socorro.


¹ Ok, ela não é vaca, porém, apenas o fato de ser A Namorada é motivo suficiente para ser referida com tal alcunha.




¬¬ no som: "cold water", damien rice.

6 comentários:

Sunflower disse...

Meu, pai é um assunto muito muito delicado comigo.

Aqui ó,

http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/05/papai.html

beijas moça

Garota no hall disse...

Puxa! Parece que todas temos problemas familiares, principalmente envolvendo o pai. Deve ser por isso que grande parte das moças seja contra casamento, não acredite em amor e até se sinta bem sozinha. Afinal, acompanhamos de perto o sofrimento e aneurose de nossas mães, sofremos com coisas que eles nem imaginam... é, nossos pais são egoístas - e acabamos herdando esse egoísmo deles.

fabiana disse...

Durante toda a minha infância, minha mãe dava vexame nas festas de família e agarrava meu pai, que a rejeitava categoricamente com a desculpa de 'levá-la pra casa por estar bêbada'. Anos se passaram, meu pai foi para Manaus e se amasiou com uma coroa, e minha mãe refez a vida e largou de mão os vexames familiares se casando novamente. Meu pai largou a coroa e voltou para as Minas Gerais e minha mãe se divorciou de novo e jurou nunca mais se casar novamente. Meu pai, se mudou para Brasília, se amasiou com uma louca forrozeira (porém gente boa) que aguenta ele há 8 anos.
No final das contas, minha mãe está ótima e meu pai está ferrado (como sempre), e hoje, toda oportunidade que ele tem ele dá em cima da minha mão, que o rejeita sem a menor categoria mandando ele para a 'puta que o paril'.
Fim

ps: no meio disso tudo, estou eu, a única filha de ambos, e a mente brilhante por detrás de toda essa bagunça. Eu sou praticamente Jesus Cristo!

Cristina disse...

Repara que a maioria das pessoas que recorre a terapia, é por causa de pai ou mãe. Ou de ambos.

Ava E. disse...

É, irmã. Já chorei um caminhão pipa por conta desse impasse. Agora quero mais é que se foda. Até porque não tem a mínima possibilidade de intimidade com a bruaca.Ela que se exploda, junto com os bois dela. E tenho dito.

Alexandre disse...

: o

p.s.: não vou nem comentar nada pq não tenho "Know-how" pra isso; meus pais seguem firme juntos a quase 30 anos.