sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Caro Papai Noel


É, velhote, cá estamos nós outra vez. Mais um ano se passou e, como parte da tradição, mando-lhe uma cartinha, que serve mais como retrospectiva do que um pedido propriamente dito.

Veja só, camarada Santa: com o perdão da palavra, eu me fodi lindo em 2008. Culpa de Marte, talvez; ou simplesmente anos pares não são tão agradáveis. Iniciado com um soco no olho, passando por crises afetivas e acadêmicas, alcançando ao estado de orelha rasgada. Sem contar a loucura da suspeita de câncer, a visita ao psiquiatra, a gordura visível e a coluna gritante. Nem vou falar da abstinência sexual, pois até o senhor já deve saber disso.

Esse ano representou a queda de muitos fatoress. A começar pela suposta segurança no mundo - a qual o capeta baiano fez questão de quebrar com seu famigerado soco. Sempre perambulei pelas ruas sentindo que nada ocorreria comigo, até que Edivando chega e, em meio a uma humilhação inesquecível (que também me fez repensar certas atitudes), destrói minha liberdade com um ato digno de Popó, deixando uma marca que o Hirudoid não conseguiu curar. Chorei em banheiros, gastei uma grana preta em táxis, adquiri preconceito que não gosto de admitir. Virei neurótica. E perdi aquilo que mais gostava: andar por aí observando os cantos mais exóticos das cidades. A saúde, por mais intacta que esteja, assustou. Engordei infinitos quilos. Essa, além de me enfeiar, ainda rendeu dores ainda maiores na coluna e limitou meu gingado. Nem o psiquiatra salvou, pois na realidade a consulta funcionou mais como piada interna do que para resolução de algo. No entanto, o dito câncer foi o susto maior. Eu realmente achei que estava no bico do corvo, uma vez que tudo apontava para isso. Mas, com a bendita glória, tudo não passava de uma crise hormonal e um simples tratamento de pele solucionou (um tanto). Ao menos os médicos esdrúxulos serviram para me acordar: vai se tratar, garota, antes que você de fato tenha algo.

Contudo, tive amigos. Eles compreenderam e suportaram as crises, apoiando quando precisei. E como apoiaram. Definitivamente, nesse ponto, não tenho o que reclamar. Eles até me ensinaram algo que necessitava: ser o cão. Abandonei a síndrome de Madre Teresa de Calcutá e reinvidiquei. Por mais doloroso que seja, a recompensa é maior. Afinal, sinto-me mil vezes mais leve quando não levo desaforo para casa.

Já o fator afetivo... É, Noel, 'tá russo. A paciência para homens é curta, logo, quaisquer chances que tive de pelo menos one-night-stands foram para o ralo devido a minha intolerância. Também pudera, depois do último... Em contrapartida, tudo que eu necessitava falar, eu falei, e com louvor. Dessa maneira, solucionei casos antigos. E a revival ocorrida foi além do simples "matar a saudade". Foi a "vingança" necessária, o "tapa na cara" bem vindo. Para ele, não para mim, pois, honestamente, mesmo diante da situação adversa, permaneci em bons lençóis. Ah, e que lençois. Já diria Art Popular, "valeu demais".

A família, por sua vez, sobreviveu aos percalços, os quais não foram poucos. A falta de paciência para os homens se prolongou para esse quesito, então, não posso dizer que foi um ano calmo. Mas creio que foi necessário. Chega de política da boa vizinhança. E, se serviu para alguma coisa, foi para eu ter a certeza que, terminada a faculdade, partirei, e assim seremos todos felizes. Quanto a vida acadêmica, prefiro não comentar. Abandonei-a de vez e quase perdi o ano. Não aprendi nada, e nem quis. Porém, me diverti horrores.

A única coisa que espero para 2009 é melhorar. Sim, deixar as coisas ruins para trás e seguir em frente. Adeus a neurose, a mania de perseguição, a bipolaridade, a impaciência, a já citada intolerância. Desejo apenas bons shows para alegrar, boas rodas de cerveja com os amigos queridos que realmente valem a pena, bons momentos em família, amores novos, aprendizagens de Clarice Lispector. Desejo criatividade e concentração para finalizar a faculdade com dignidade. Desejo bicos para arrecadar dinheiro e juntá-lo na poupança para investir em uma bela viagem em 2010. Desejo cultura para abastecer o coração, novas crushes hollywoodianas para acalentar e distrair, bons filmes e seriados. Desejo força de vontade para retornar à antiga forma e malemolência. Desejo respeito, para poder respeitar. Confiança, para poder confiar. Entrega, para poder me entregar sem medo. Amor, para poder amar. Simples, contudo, nada mais justo, para fazer valer o crescimento desse ano, que foi duro, mas necessário.

É pedir muito, véio?


¬ backstreet boys - I want it that way.mp3 (eu vou)

4 comentários:

Alexandre disse...

Soco no olho? Assalto? É, a coisa tá braba. E não é só violência. É ignorância, babaquismo de todos os tipos. Andar pelas ruas brasileiras, em especial das grandes cidades, se tornou um ato estressante por si só.

Isso tudo me faz volta e meia pensar seriamente em ser egoísta, picar a mula pra outro país, viver o que a vida tem de bom. As pessoas, os lugares, as comidas. Mesmo que seja com ralação 100%.

Mas eu ainda acredito nessa joça toda aqui ao sul do equador.

Força moça! :)

Garota no hall disse...

No fundo, eu tb pediria tudo o que vc pediu. Não é muito, só o necessário. Mas não é fácil... a gente mesmo tem que lutar contra as adversidades para conseguir tudo isso e não esquentar muito a cabeça para tentar sobreviver a mais um ano.

 Thiago Margato disse...

Everything will be alright!

fabiana disse...

´O nosso amor a gente inventa, pra se distrair...´

=***