segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

No it's not going to stop.


Estou há meses sem andar de ônibus. Mal tenho saído. Quando saio, é de carona ou de táxi, e mesmo assim prossigo com crises esporádicas. A única coisa que faço a pé é comprar cigarro no bar ou na padaria em frente de casa. E está de bom tamanho.

Eu sabia que sair em fevereiro seria mais difícil do que nos demais meses, afinal, as lembranças do incidente-Edivando ainda estão fresquinhas. Meu inconsciente também não ajuda, uma vez que os sonhos, por melhores que sejam, sempre são interrompidos por sua presença, estragando toda a festa. Tomando as devidas precauções, evitei ao máximo não sair nestes dias de carnaval. Na sexta, resolvi comemorar a decisão do TCC com minha dupla. Estava nervosa, porém, como ela tem carro (e achamos vaga defronte ao bar), fomos a um lugar onde Edivandos-em-potencial não são achados. Somente assim consegui me tranquilizar.

Só que, como dito, eu fumo. E não queria sair de casa mais do que necessário. Dessa forma, resolvi ir ao supermercado que fica a duas quadras de casa para adquirir aquelas boxes de dez maços a fim de me abastecer ao menos até quinta-feira. Mamãe foi junto, após eu fazer biquinho que era um convite claro que precisava de companhia (uma vez que, ainda no restaurante, avistei um projeto de Edivando e a taquicardia iniciou seu trabalho, já em processo devido a presença de indivíduos estranhos ao meu lado na mesa - coisa que acho não apenas falta de educação, como também de bom senso. Porra, o restaurante tem milhões de lugares, para quê sentar justamente na minha mesa?). O que me parecia uma simples missão se tornou um desastre.

Eu sabia que a coisa estava ruim, mas não a esse ponto. Andando pela rua movimentada, identifiquei uns cinco Edivandos-em-potencial, fato que já me deixou com o coração palpitando um pouco mais rápido. Chegando ao supermercado na velocidade da luz (deixando a pobre patroa para trás, que simplesmente usufruia da caminhada), peço meu box, e vou pagar. Fila. Analisando, não havia escapatória: todos os caixas continham Edivandos-em-potencial. Isso é carnaval, um verdadeiro desfile de Edivandos em qualquer localidade. Escolhi a menos mal: um Edivando mais senhor, com seu carrinho repleto de cerveja. Estava me controlando quando percebo um sujeito atrás de mim na fila. Ele estava muito próximo, e eu não gosto de pessoas perto de mim. Principalmente se essa pessoa é a verdadeira personificação do Edivando-em-potencial. O Edivando-senhor demorou o que me pareceu uma eternidade, escolhendo pagar com pequenos trocados. Só pode estar brincando, meu filho, vai logo.

Minha vez. Eu vou um pouco mais a frente, tentando parecer relaxada e confiante. Tentei, porque a mocinha do caixa também não colaborou com sua lentidão. O cara foi chegando mais perto. Quando enfim ela terminou, saí correndo e vi que minha mãe estava no caixa eletrônico. Pronto. Se o cara queria me assaltar, agora possuía um motivo a mais: a grana da patroa. No caminho de volta a casa, estava quase correndo (coisa que nunca faço), louca para chegar no meu prédio. Olhei para trás e lá vinha ele. Apertei um pouco mais o passo, a essa altura prestes a cair em lágrimas, tremendo, o coração no ritmo da bateria da Império Serrano. Lembrando que estava com minha mãe, virei para trás para tentar puxar uma conversa. Foi quando me deparei com o dito cujo ao meu lado, tão próximo que perdi a voz. Ele passou por mim. Não era nada, mas foi o bastante para me deixar alucinada e parar por um instante no meio da rua, de maneira que poderia mantê-lo em meu campo de visão e verificar seus movimentos. Quando finalmente ele sumiu da minha vista, fiz a Ayrton Senna.

Cheguei em casa e mamãe me olhou com carão, acreditando que eu estava puta com o calor, com o grande número de pessoas na rua ou qualquer coisa que o valha. No elevador, não pude mais suportar, e surtei. Mas surtei tanto que a pobre mulher não soube o que fazer. E nem eu saberia, pois honestamente, tudo isso foi tão surpreendente para mim como deve ter sido para ela.

Contando desse modo, pode parecer que o caminho feito é de vinte minutos a meia hora. Não. São cinco minutos, se não menos, de casa até o famigerado supermercado. Assim, é evidente: não posso mais sair de casa. Não consigo. Não dá. Terei que criar força de sabe-lá-Deus-onde para poder encarar o momento em que precisarei sair, pois tenho faculdade e outros afazeres. Ou então o momento em que enfim precisarei pegar um ônibus. Ou qualquer outro instante que o dinheiro faltar e caronas não estarão disponíveis e terei que andar a pé, como costumava fazer antes dessa merda toda acontecer.

Eu realmente não sei o que fazer. Não sei como agir, não sei como tirar isso de mim. Barbitúricos, psiquiatra, terapia intensiva, terapia daquele tipo que te joga no problema para você resolver na marra. Seja lá como for, eu apenas não quero mais isso. E principalmente, não aguento mais. Minha liberdade foi para o lixo. E com ela, minha segurança na vida.


¬ slumdog millionaire sdtk - jai-ho.mp3

8 comentários:

Alexandre disse...

O certo é partir pra uma terapia sim moça. A coisa atingiu um nível totalmente insalubre pelo jeito.

Não vai ter outra maneira, vc vai ter que encarar todos esses Edivandos.

Força na caixola. :)

Ava E. disse...

REAGE DUDE!
jaysus!

Anana disse...

vou te fazer uma visita. pode? beijos e fica bem!

Cristina disse...

Eu tbém ia sugerir que vc procure uma terapia. Não dá pra viver nesse pânico, moça!
Se cuida.

tatiana disse...

Comadre, procure um profissional. Serião.
Minha tia já teve Síndrome do Pânico e putz, essas crises já são horríveis de se presenciar, imagine vivê-las.

Sunflower disse...

Time out.

Entra o Glossário explicando "Edivando" estou perdida.

beijas

Garota no hall disse...

Já passei por situações parecidas, mas bem mais suaves. A solução que encontrei é não olhar na cara de ninguém onde a a probabilidade de encontrar o tal seja maior. E, sim, deixei de frequentar alguns lugares para não correr o risco.

fabiana disse...

Terapia!