terça-feira, 7 de abril de 2009

É que, tipo assim...


Eis que aconteceu. O temível momento do semestre, quando todos os professores me olham com cara de preocupados e dizem: "Cecília, cuidado com as faltas". Semana passada foram dois avisos por dia. Então o babado chegou na boca da coordenadora - que já havia me alertado, mas sobre sua própria aula - e ela pediu para a professora-apoiadora (vulgo "finja que é psicóloga") vir falar comigo. Fui lá. Falei. Ela entendeu, porém, pediu para eu ir falar diretamente com a coordenadora, porque se não ela pode achar que sou insolente e me reprovar. Daí que amanhã terei que encarar a sujeita e dizê-la todas as coisas que me fazem não querer sair de casa e ir àquele lugar. Em suma, tudo que já venho dizendo por anos aqui, ou seja, é mais fácil eu passar o endereço do blog.

De qualquer modo, já sei exatamente o que justificar. Primeiro, minha cara professora, passei quatro anos querendo desistir, quase cheguei lá, mas, ao pensar em papai, mamãe e futuro profissional que pede por diploma, decidi ficar. Só consegui porque 1) rola uns machos bons aqui e concordemos que minha vida social não é lá grande coisa, então a única chance de eu adquirir uma noite de sexo selvagem pertence a esse local e 2) Minhas amigas insistiram tanto que fiquei penalizada, então elas são as grandes responsáveis pela minha permanência. Outra, se dependesse de vocês, a faculdade já teria ido para o lixo, uma vez que vocês vivem insistindo que seremos "futuros professores", quando deixei claro lá no primeiro ano que esse não era meu objetivo. Tive que pesquisar no Google para saber o que raios farei com o diploma. Ou seja, ver aulas de Licenciatura é sinônimo de tortura realizada por membros do Al-Quaeda. Para dificultar ainda mais o processo, se o campus inteiro já é um local horroroso - culpa, de novo, da própria instituição, pois vocês nos jogaram aqui e nos tiraram do antigo prédio, o que cortou metade do barato -, a sala consegue ser pior ainda. A classe possui tantas pessoas escrotas, nojentas, pseudo-intelectuais que sequer tem a coragem de admitir que não leram um grande clássico da Literatura Brasileira (coisa que digo sem vergonha, afinal, odeio Literatura de sertão, e aparentemente a grade curricular aprecia isso). Entrar aqui exige um esforço sobrehumano. É como se estivesse adentrando nos portões de Hades. Quero matá-los. Pronto, assumi meu lado sociopata. Meu Inner-Michael Douglas agradece não obter um porte de arma, pois se sim, sabe lá o que ocorreria. Columbine Parte II, versão litorânea. Esse ano está particularmente pior, com essa junção ridícula de classes. Vocês estão entrando na fila por um genocídio, e tenho certeza que não sou a única a sentir isso. Dito isso, compreendo a aflição geral, e por isso tento me segurar. São quatro anos aguentando essa gente, da mesma forma que eles me aguentam. Então, prefiro me privar. O clima de iminente combate é demais para meu coração. Sei que daqui para o final do ano iremos nos trucidar. Digo, com completa consciência, que serei grata a Deus quando não precisar mais olhar para esses zé roelas. Completando o pacote "aff", tem o quesito-Edivando. A crise de pânico, caso você não saiba, tem aumentado sem precendentes. Retornei a terapia e estou levando a cura aos poucos, mas fica difícil vir até esse lugar incrivelmente escuro e mal localizado e não pensar que lá na esquina há um Edivando em potencial (vide que, nesses anos, já vi uns dez casos de assalto pelas redondezas). Pegar ônibus para cá é um verdadeiro teste, o qual ainda não estou preparada para realizar. Portanto, não basta lidar com a agonia palpável e estafa emocional no limite, ainda preciso encarar essa. Visto isso, a vida acadêmica é reduzida a zero. Agora me diz, isso não é motivo suficiente para não vir?

É. Posso ser uma adolescente idiota, uma menininha que se ofende por pouco, um indivíduo que vê a placa de "Neuroticos Anônimos" e cogita ligar para ver qual é a do grupo de apoio. Mas definitivamente, a única coisa que eu quero é acabar logo com esse inferno e me ver livre desse fardo.

3 comentários:

tatiana disse...

Desabafa.

Confeiteira Sonhadora disse...

Jesus... eu também já me senti assim... o bom é que uma hora acaba.... e esta acabando....

NiNah disse...

Moça calma.
Nem te conto minhas facetas no último ano da faculdade era uma turista.
Ruim, porém verdadeiro: empurre com a barriga passa rápido.
in-felizmente.
Bjo