
Sou fã viciada em seriados desde 1998. São incontáveis as vezes que chorei com "Dawson's Creek" e "Grey's Anatomy", que ri até cair no chão com "Friends" e o clássico episódio da aposta de "Seinfield", que fiquei toda mimimi assistindo "Pushing Daisies", que me identifiquei com as quatro protagonistas de "Sex and the city". Houve uma época que assistia até "Charmed", sem medo de ser feliz. Hoje, estou apenas com "Lost" (que toma metade de meu ser), "Grey's", e eventuais "Law and Order", porque adoro um seriado de investigação.
Mas o melhor de todos foi, sem dúvida, "Six Feet Under" - ou "A Sete Palmos" -, criado pelo fantástico Alan Ball (de "Beleza Americana" e que atualmente está por trás de "True Blood", seriado sobre vampiros que dizem ser bom, mas que ainda não tive coragem de encarar). A trajetória da família Fisher durou cinco curtas temporadas bem amarradas que nunca deixaram de agradar, seja por sua ironia, suas pitadas de crítica a sociedade e ao governo, ou pela construção de personagens. Esses são, de fato, sua maior força: a relação entre os membros da família, seus casos amorosos, ou as mortes com as quais a Funerária Fisher & Sons lidavam a cada semana. Pode ser que "Six Feet Under" soe mórbido demais para alguns, contudo, é justamente sua capacidade de tratar de algo que tanto nos assusta - a Dona Morte - que torna o seriado mais forte e corajoso.

Mas voltemos a falar dos personagens. Como todo ser humano, eles despertaram amor, ódio, repulsa, carinho e quaisquer outros sentimentos que surjam ao se relacionar com outra pessoa. Já tive raiva do Nate, do David, da Ruth e principalmente da Claire, perrsonagem que mais me identifico, por razões óbvias (adolescência, faculdade, daddy issues, affairs mal sucedidos etc.). Mesmo assim, nunca deixei de amá-los e compreendê-los, portanto, ver o último episódio foi doloroso. Lembro-me de assisti-lo com minha irmã Ava e choramos tanto que nossa mãe entrou no quarto assustada e nos perguntou quem havia morrido. A família Fisher, claro. Era como se estivéssemos perdendo um parente, um amigo próximo.
Desde 2005, ano em que a série acabou, venho a assistindo esporadicamente, quando bate a saudade. Ontem, depois de baixar todas as temporadas para gravá-las em DVD, acabei me prendendo. E me vi aos prantos. Como ocorre toda vez que se assiste algo após um tempo, observei alguns pontos que nunca havia visto com estes olhos. Porém, a partir do episódio em que David é vítima de um sequestro relâmpago - e sua consequente síndrome do pânico -, fiquei demasiadamente balançada. Bem mais do que as dúvidas de Claire quanto à faculdade e sua relação tempestuosa com a mãe.

Creio que a essa altura todos já saibam do caso Salvador. Para aqueles que não sabem, resumo: no carnaval de 2008 na cidade baiana, fui assaltada dentro do ônibus, recebendo de brinde um soco na cara por parte do salafrário de alcunha Edivando. Quando ele realizou tal feito, os passageiros, que até aquele momento se mantinham calados, partiram para cima do homem e o cobriram de porrada até o ônibus ser parado, ele sair correndo, e ser pego pela polícia que coincidentemente estava passando pelo local. Os policiais apontaram armas para o ônibus, todos abaixaram em desespero, gritando para que eles fossem atrás do sujeito - o qual consguiram prender. A partir daí, tivemos que sair do ônibus e ir a delegacia fazer B.O., dar depoimento e todas as burocracias que envolvem uma situação como essa. Foram muitos cigarros, chororô no banheiro e apoio emocional da polícia. Retornando para casa, entrei em diversas etapas: primeiro, eu ria. Depois, fiquei com raiva de mim mesma, me culpei pelo ocorrido, e passei a chorar a troco de nada. Então, deu-se início aos ataques de pânico, que persistem até hoje, melhorando a cada dia mas ainda não tão bem resolvido. Vejo Edivandos em potencial por todos os lados, e inicia a taquicardia, a tremedeira, os músculos se pressionam, e só consigo me sentir bem em um lugar que me pareça seguro, por mais que nunca ache que esses sejam tão seguros assim.

Em meio a tentativas de solucionar esse caso, vejo "Six Feet Under" e a crise total de David. Ok, a minha "tragédia" não se compara a tragédia que o personagem viveu, mas isso não diminuiu a dor sentida em cada cena de luta interna que vi. Para finalizar de vez, aquela cena fantástica em que David enfim consegue fazer as pazes consigo mesmo por meio de um sonho, encarando seu medo de frente. Não deu para assistir isso sem deixar algumas lágrimas caírem. É tudo que procuro e é o que estou tentando fazer.
Sei que o caminho é longo e estou apenas no início. Entretanto, mais uma vez, "Six Feet Under" me ajudou. Foi assim por cinco anos, e ainda o é agora. Obrigada, Alan Ball, não apenas por criar a melhor série já vista, como por ter tido a capacidade de transformá-la em algo eterno.
Um comentário:
Da série...
...Séries que preciso conhecer
Six Feet Under
Postar um comentário