"Duets" é, a primeira vista, um filmeco sem grandes atrativos. As histórias caem para o melodramático, as atuações são medianas, as tramas não tem nada demais. Ainda assim, para mim, é um filmaço, por ter conseguido transportar a catarse que ocorre no videokê.
Desde que descobri o videokê escuro, com um menu alcóolico invejável, repertório de qualidade e um palquinho, achei a alegria de viver. Não há nada mais bacana do que ir para lá no meio da madruga já com cinco mil cervejas no organismo, pronta para demonstrar meus "dotes" junto aos amigos. Sim, "dotes" com aspas. Eu canto muito mal, porém, sou aplaudida em pé. Claro, todos ali cantam mal e só querem se divertir, portanto, o que rola é uma troca: o público ovaciona e você tem sua hora de estrela.
Nesse âmbito, "Duets" nos apresenta a melhor cena de videokê já vista. Paul Giamatti (ainda sem louvores de sucesso, mas já apresentando um talento enorme), um homem desiludido que vai comprar cigarros e não volta, e Andre Braugher, um criminoso em fuga, se unem para cantar "Try a little tenderness". Enquanto o primeiro encontra no palco do videokê uma maneira de se abrir a mundo, o segundo teme exatamente isso - e, por isso, a cena se torna antológica, pois um complementa o outro na cantoria, transformando algo que estava fadado ao micão em um verdadeiro show.
Assim, "Try a little tenderness" é uma cena digna de Fita de trechos. Cantemos.
Um comentário:
A trilha de Duets é bacana, mas dificilmente conseguiria assisti-lo de novo.
Postar um comentário