quarta-feira, 10 de junho de 2009

This damn sweety version of me


Já muito discuti sobre o fator mimimi e suas consequências a uma moçoila como eu. No auge da transformação, seja via Pondera, seja provida das mais simples reflexões, encaro no momento uma versão tão fofa de mim mesma que, por vezes, sinto ímpetos de auto-espancamento-metafórico só para ver se essa doçura vai embora.

O fato é que sempre fui assim. Essa faceta esteve escondida por tanto tempo devido a inúmeros pés-na-bunda que causaram a necessidade de buscar o outro lado da moeda, a safadeza; que, por sua vez, também resultava em sessões de auto-espancamento-metafórico. Tendo entrado em contato com ambos os pólos, creio que enfim encontrei o equilíbrio. E isso se deve a dois senhorzinhos: o rapaz-Radiohead, e o rapaz da faculdade, a quem carinhosamente dei o apelido de Nino.

O rapaz-Radiohead veio e foi na mesma intensidade. No auge do show, eu não sabia se flertava, se chorava com Thom Yorke, ou se simplesmente enquadrava os dois no mesmo âmbito. O resultado foi a mescla desses três quesitos, e, assim, vi-me em um instante trocando telefones para logo depois estar em seus braços surtando com "Fake Plastic Trees". Os dias que se seguiram foram dominados pela obsessão de olhar ao celular a cada cinco minutos, aguardando que ele respondesse a mensagem com seu MSN. Quando isso ocorreu, bastou uma mera conversa para perceber que ele fora somente o estopim para o mimimi, sendo completamente esquecido segundos depois, relegado aos contatos que irão para a lata de lixo virtual na próxima faxina.

Um belo dia, avistei pelos corredores um gajo de vestes estranhas. Um suspensório, é isso que vejo? E era. Mas o visual peculiar em conjunto com sua aparência nórdica deram a ele um aspecto europeu, e mal pude conter o volume da minha voz quando brandei: "Nino!". A partir de então, persegui o pobre homem em todos os lugares, mantendo minha capa de invisibilidade sempre ao lado para que ele não percebesse a minha presença. Até que, num sábado, dei de cara com o sujeito. Desarmada, fingi que não vi e corri ao primeiro buraco a meu alcance. No mesmo dia, ele viria me pedir o isqueiro, algo que ele já havia feito antes, quando eu ainda estava com a capa. Contudo, havia algo diferente. Ele acendeu o cigarro me encarando, como se analisasse meus trejeitos. Mais uma vez, apelei para o "fingi que não vi", e concluí que sua maneira era coisa da minha cabeça.

Porém, numa quarta-feira, estava entrando no prédio quando, sem perceber, o olhei. E ele olhou de volta. E sorriu. Foi o suficiente para que eu passasse os próximos minutos tentando encontrar modos de cruzar seu caminho. Assim sucederam-se longos dias nos quais sorrisos marotos, embora tímidos, se fizeram presentes, causando algo que há tempos não sentia: as famigeradas borboletas.

Os sorrisos, então, evoluíram para "ois" inaudíveis, percebidos somente por aqueles que possuem o dom da observação alheia. Mas é final de semestre, e cá estou eu, prestes a entrar de férias, na busca de uma maneira de enfrentá-lo. Os efeitos de meses sem contato social enfim transparecem. As borboletas se debatem quando vejo tamanha fofura de homem, e me revolto pensando: "Vamos, meu filho, tire-me do desespero e venha logo se apresentar".

Relatando igual história a melhor-amiga, ela diz: "ora, manda um scrap". "Mas isso não é assumir o lado stalker? Afinal, para encontrá-lo no Orkut, passei uma noite inteira". "Que nada, isso só deixa claro que você se importou o bastante para stalkeá-lo com louvor". É, o argumento me parece digno. Ah, foda-se. Vou mandar um scrap simpático com os dizeres "olá rapazote", acompanhado de um emotiocon simplório bem pontuado. Se ele não vai fazer nada, terei de tomar as rédeas. Após uma limpa no profile, mandei. E agora, sinto como se as borboletas estivessem no meio de uma torcida organizada cada vez que entro no Orkut. E sei que, enquanto ele não responder, o bicho continuará pegando no meu organismo.

Mas tudo bem. O que de fato importa é que, pela primeira vez em um ano, consigo sentir meu coração minimamente feliz. Melhor dizendo, consigo sentir meu coração, ponto.

4 comentários:

Anana disse...

Que fofura de texto! Assumir o lado mimimi é bom. Sentir o coração pulsar é melhor ainda! Tô na torcida, dude!

Jongleuse disse...

Nada como as borboletas...
Mesmo que sejam só fogo de palha, valem aquele instante.
E mais do que tudo... nada como darmos uma chance a nós mesmas!

tatiana disse...

Delícia!

Sunflower disse...

Eu já tinha chegado chegando.

Desde o meu primeiro beijo eu atuo sob o modus operandi : fui, furtei e fugi.