quinta-feira, 10 de março de 2016

De mim para mim



Fiz aquilo que sempre faço quando em clima de revival blogueiro: reler posts antigos. Não sei quando foi a última vez que me aventurei pelo arquivo deste espaço, mas não me recordo de ter sentido um carinho tão grande por meu eu-pivete. Senti vontade de abraçá-la. Coitada. Ela merece um afago por seus esforços.

Claro, em muitos textos, quis estapeá-la, mas como repreendê-la se foram seus pensamentos que causaram uma avaliação maior do que a já normalmente realizada? Sem contar, e hoje é impossível eu ignorar esse fator, que dói um pouquinho ver o quanto o machismo interno desaguava quase imperceptivelmente em cada reclamação sobre minha aparência, meus raros casos amorosos, minhas relações com outras mulheres. Tudo bem, houve uma evolução considerável, mas ainda tremi ao reconhecer uma continuidade em algumas situações (talvez essa agonia seja parte da evolução). É por isso que me considero uma feminista work-in-progress: assim como ocorre em qualquer assunto que não domino, não me sinto confortável para gritar com fervor quando dentro de mim ainda há tanto para desmontar. E esse processo é difícil que a porra, principalmente no que diz respeito à autoestima, cuja falta mal chama a atenção diante do restante das cagadas que preciso resolver neste inquieto cérebro sagitariano/capricorniano.

Também me surpreendi com o tanto que escrevi sobre a Panic Syndrome e a Depressão, e a quantidade de vezes que disse "estar curada" só para logo depois me entristecer com uma "recaída". Eu ainda não sabia que ambas são processos constantes, infinitos, de altos e baixos. É questão de celebrar um dia bom e de aceitar quando o dia 'tá foda. E sim, admito: ultimamente 'tá foda. Talvez faltasse reler sobre minha própria ingenuidade para enfim engolir o orgulho e encarar isso com mais eficiência e cuidado.

Mas engraçado mesmo foi ler sobre os machos. Pobrezinhos, como os perturbei, seja com sinceridade excessiva, seja com falta de esclarecimento, seja por não saber lidar com a intensidade de emoção. Ao mesmo tempo em que ri das peripécias da mocinha, bateu uma saudade desses sentimentos todos. Lá se vão cinco anos que não tenho sequer um crush (não coincidentemente, faz cinco anos da minha passagem Dubliana), tendo apenas flertado com as borboletas em uma ocasião há dois anos por pura carência e vazio. Ok, não é apenas dos sentimentos que sinto falta, é de uma piroca mesmo. Um fuck buddy iria bem, obrigada, só para ter motivo de sair de casa e escapar um pouco.

Pelo menos o amor e a experiência catártica de filmes e seriados prosseguem firmes e fortes, assim como o fangirlism, embora sinta constatar que muitas das antigas reclamações sobre relacionamentos mais próximos continuam as mesmas, senão piores. A diferença é que cheguei em um ponto tão crítico que o mínimo que faço é dar de ombros, e o máximo é bater no peito e bradar que sou mesquinha, egoísta, rancorosa mesmo, e daí porra. Mas né, o que posso fazer.

Pois é essa a questão central: o que raios mais eu posso fazer, senão tentar me encontrar nesta atual composição? Valeu, pequena Cecília-aos-23. Suas divagações foram muito mais significativas do que você imaginava. O plano deu certo: escreve, minha filha, porque um dia você lerá isso e, depois de muito refletir, como é de seu praxe, poderá abrir caminhos para uma nova mulher. Aquela que daqui a alguns anos também irá reler isso aqui. Futura Cecilia, tamo junto na luta, miga. E espero de coração que você esteja melhor do que eu.


PS: Aproveitando sua viagem interior, Futura Cecilia, veja também o arquivo do Tumblr. Fiz isso dia desses e juro que fazia tempo que não me divertia tanto. É sensacional ver exatamente aonde começou a queda no buraco negro por um determinado macho hollywoodiano, qual filme mais marcou, e as besteiras expressadas.

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