Decidi procurá-lo no Google. Não estou fazendo nada mesmo. Jogo seu nome no Google Images, e eis que encontro o que inconscientemente procurava - um sinal de vida.
Lá está ele, o dito cujo que transformou meus paradigmas adolescentes; o coração parece a bateria da Mangueira, cinco milhões de batimentos ao segundo. O seu rosto está mais marcado, e ele está mais gordinho do que eu lembro. Ou será que sempre foi assim, e três anos não mudaram absolutamente nada? Sua imagem está em minha mente, mas não tão claramente. Há borrões que atrapalham maiores análises físicas. Tudo bem.
Opa, peraí, "Single", mas com fotos de namoradinha? Ai. Doeu. Pontinha de ciúme idiota. Óh céus, faz três anos que não vejo o sujeito, que só encontrei umas quatro vezes, e eu estou com ciúmes? Epa, peraí, o que estou fazendo vasculhando a vida do cara? Quem são essas pessoas que acabo de entrar no perfil, só para ver se adquiro alguma informação. Ele ainda está namorando?
Opa, peraí, não está mais. Pelo menos não pelas últimas 20 semanas. Aparentemente acaba de terminar. Óh céus, por que fico feliz por ele estar solteiro? Como se eu realmente tivesse alguma chance - hello?, você está no Brasil, ele na puta-que-pariu, e as chances de você encontrá-lo são mínimas. Mesmo assim, leve felicidade.
Ah, então ele torce para os Celtics. 31 anos. Mudou de emprego (ou agora trabalha em dois lugares?). É um fanfarrão bêbado irlandes, e todas as fotos tem uma Guinness ao lado. O colar que eu brinquei continua lá. A blusa branca social também. As pintinhas também. Os olhos maravilhosamente brilhantes também. Tudo está lá. Ele está vivo, lá, e aqui.
E eu prossigo. Igualmente mais velha, igualmente mais gorda. Lá, e aqui. Aqui. Aqui. Acorda, minha filha, você está aqui.
Mas a vontade de mandar um "oi" é imensa. Então acredito que seja hora de começar um estratagema. Venha, Amelie, venha, Babooshka, me possuam, para que eu possa ter um pouco de contato com aquele que foi o grande responsável por eu ser quem eu sou. E ele nem sabe disso. Ou sabe?
Ai. Lembrei que ano passado enviei um e-mail, bêbada, para ele. Será que recebeu? E agora? Ai.
Ai!...
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