
O início de 2008 foi repleto de axé e Amy Winehouse, em doses cavalares, por culpa da amiga baiana e do colega de departamento. Ele desejava animar a desgastante rotina, e quando dei por mim, estava pegando no bumbum e pegando no compasso em pleno ambiente de trabalho (e não era a única). Fui ao show da já citada Ivete, perdendo a dignidade, a paciência e a sandália e beijando um sujeito - que poderia muito bem ser confundido com um gnomo - só porque ele, após meu pedido de "volta quando terminar Arerê", de fato retornou. Nada mais justo agraciá-lo. Em contrapartida, havia Amy, com sua "Back to Black", e Cibelle, que me fazia viajar pela cidade ao som de "City People", agindo em perfeita sincronia com a realidade casa-trabalho-trabalho-casa.
Após fevereiro e a nova rotina de casa-trabalho-faculdade-casa, me vi gorda e querendo jogar tudo às favas, preocupando professores e amigos que perceberam minhas olheiras e falta de empenho. Sem grandes opções e entrando em chilique, adeus ao trabalho. Assim, adeus ao axé. Tive que abandoná-lo, pois as lembranças do famigerado carnaval eram dolorosas demais, assim como a saudade do trabalho. Só me restava assistir a novela "Sete Pecados" e chorar no colo de Erasmo Carlos, que "não queria me ver você triste".
Então, em uma breve visita à capital paulista, entrei na FNAC com o intuito de adquirir "Reparação", livro que baseou "Desejo e Reparação", que me deixou basicamente louca, tamanha identificação. James McAvoy no elenco só ajudou. E, se não fosse pela obra de Ian McEwan, Glen Hansard & Marketa Irglová e Bob Dylan, não sei o que seria de mim. Aliás, junto com "Desejo e Reparação", "Once" e "Não estou lá" foram dois dos poucos filmes que realmente me pegaram no primeiro semestre. Com a anunciação da mudança da minha irmã para a Irlanda, ficamos empenhandas em desvendar o sotaque irlandês. Haja filmes, U2, "Lost" e "Em terapia", embalando nossa silenciosa despedida.
E aí ela se foi. Com mamãe e a outra irmã viajando, fiquei sozinha em casa, tendo como companhia a cachorra, Pink Floyd, Bobão (apelido carinhoso para o mestre Dylan), Daniel Day Lewis e as Olimpíadas. Ah, as Olimpíadas. Eram ESPN, Sportv, Globo, Band Sports para tudo quanto é lado. Assisti até badminton e vela a medida que ingeria quantidades nada saudáveis de cerveja e cigarro, me divertindo horrores na solidão da casa.
Segundo semestre se inicia, e me engajei em trabalhos da faculdade ao som de Mozart. Assisti "Mamma Mia", e deu-se início a derrocada. Era Abba diariamente, atormentando vizinhos enquanto eu jurava que podia cantar "Lay all your love on me" como Frida e Agnetha. Então, a noite-revival com o ex-affair, ao som da rádio FM, trouxe "Janie don't you take your love to town", do Bon Jovi, música que nunca dei valor até perceber sua letra, enquanto o sujeito dormia em meus braços. Para acalentar o drama do dia seguinte, "Pushing Daisies", que trouxe um pouco de esperança.
Chega o aguardado dia de ver Gogol Bordello ao vivo, valendo a pena cada segundinho. Além disso, descobri que posso admirar um bom puts-puts, se feito com a qualidade do alucinado Dan Deacon e DJ Yoda, que me fizeram cair no chão frenética e cansada.
Em meio a noites divertidas com as amigas da faculdade, cantando pagodes e sertanejos antigos, o ano se passou imperceptível. Ao final, eis que surge a saga "Twilight", lida ao som de música clássica, com repeat especial da nona sinfonia de Beethoven. Graças, pois me retirou das amarras acadêmicas de over-analisar Literatura, me fazendo recordar que nem tudo precisa ser Machado de Assis - que veio atormentar mais uma vez, com a minissérie "Capitu", a qual tive imensas reservas e nem consegui assistir inteira, apesar de ter sido responsável pelo recém vício adquirido, "Elephant gun", que me faz querer rodar pelo quarto com um vestido de dança flamenca.
Agora cá estou, no final do ano, a 6 dias do show da Madonna. E mal posso crer que tudo já passou, que só resta ela para finalizar esse ano com louvor ao som de sua "Ray of light", que transitou incansavelmente pelo meu Windows Media Player.
Que bom, pois já está mais do que na hora de 2008 acabar. Chega!
¬ mamma mia sdtk - dancing queen.mp3
6 comentários:
Ô, 2008 já deu, néam?
que beleza de retrospectiva. só faltou mencionar as tragédias do ano. uma menina caindo do prédio aqui, um namorado sequestrador ali, e já poderia passar no globo repórter.
Você fez uma super retrospectiva 2008, remiu tudo bem resumidinho (sic), e parece que não ficou nada de fora.
E que venha 2009!
estou meio viciado em "Elephant gun"!!! mas não cheguei a pensar no vestido - rs.
gostei da sua restrospecto-musical - vejo que terá mesmo um desfecho apoteótico... aproveite o show!
Você foi de Ivete Sangalo e Bon Jovi até Pink Floyd e Bob Dylan esse ano. Isso que é elasticidade. rs
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