terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Estou ficando velha


Nesta semana, completo 23 anos. Independente de saber que ainda estou na flor da idade, é inegável a tendência a velharia. Se já suspeitava de tal fato na última primavera, neste ano isso ficou extremamente claro. Tudo se encaminha para eu me transformar em uma daquelas senhoras que terminarão a vida sentada em uma cadeira de balanço na varanda, com um cálice de vinho em uma mão e um cigarro queimado pela metade na outra, tendo um cão como companhia. Não que isso seja ruim. Aliás, é essa imagem que desejo alcançar, esperando apenas que a vinda da dona foice seja rápida e indolor, não deixando rastros de arrependimentos. Eu não quero ser uma velha que, no leito da morte, percebe que só fez merda e prontamente decide pela reencarnação.

Dessa forma, reitero: eu devo ser a pessoa de 23 anos mais velha do mundo, digna de um lugar no Guinness Book, e isso só se agrava com o passar dos anos. São nas pequenas coisas que percebo meu lado senhora:

- Caso a fila do banco esteja longa, minha coluna prontamente começa a doer;
- Em dias pós-festas, fico jogada à cama sem forças para levantar um garfo, e nem sempre é culpa da ressaca;
- Sobre a ressaca: há tempos não tenho, pois agora sempre mantenho uma garrafa d'água ao lado;
- E a mantenho simplesmente porque não agüento beber com o mesmo fervor de outrora;
- Pego táxi para ir a qualquer lugar, nem que o taximetro conte 6 reais;
- Se no ônibus, sento no local preferencial, pois é mais quieto e aconchegante;
- Isso se eu não pegar o ônibus especial, com ar condicionado e música ambiente, só porque não quero suportar ônibus cheio;
- Reclamo de mocinhas patetas em caixas de lojas de departamento como Renner;
- Reclamo de qualquer atendimento ruim, taxando de incompetente a pobre criatura que ofereceu seus serviços;
- Inicio conversas com estranhos a troco de nada;
- Me sento no primeiro banco que vejo assim que tenho oportunidade;
- Faço cara feia e balbucio palavras feias para pessoas má educadas (exemplo: enquanto escolhia uma calcinha, uma moça abusada se meteu em minha frente e puxou uma que estava logo atrás, gritando para a amiga: "Olha que lindaaaa!". Dois segundos depois, ambas estavam a metros de distância, chocadas com meu olhar matador);
- No quesito calcinha, opto pelas confortáveis, grandes e de algodão, deixando as de renda, pequenas e obviamente sexuais de lado;
- Na citada loja de departamento, corro diretamente para a seção de lençóis, toalhas ou vestimentas sofisticadas, passando longe da parte moderninha;
- Acho filmes de ação muitos altos e cheios de informação, me incomodando com facilidade com qualquer bombinha soltada;
- Quando a vizinha, um presente do capeta que se diz criança, inicia sua gritaria, grito de volta, dizendo coisas como "Cadê a mãe dessa criatura";
- Aliás, qualquer criança que não seja quieta me repudia;
- Aliás, crianças em geral deveriam ficar em casa;
- Prefiro ouvir Abba a bandas moderninhas como Cansei de ser sexy;
- Aliás, eu mesma cansei de ser sexy;
- Prefiro ser uma mulher forte, independente, inteligente e bem resolvida, pois (supostamente) minha sabedoria é maior que meu sex appeal;
- Aprecio bem mais assistir a um bom filme em casa a baladas;
- E, se a balada se faz necessária, que seja uma que contenha cadeiras e que não seja muito cheia e barulhenta;
- E se for balada, que seja retrô;
- A maioria dos colegas de escola já se formaram e estão casados;
- Não gosto de novas tecnologias, e não as compreendo;
- A cada dia, vejo um novo sintoma: ou é a perna que dói, ou é torcicolo, ou é o exame de sangue o qual apareceu uma alta taxa de algo que não tenho a mínima idéia do que seja, o que não impede o medo de estar sofrendo de algum mal desconhecido;
- Já disse que a coluna dói?

É. 'Tô velha, Bial.

Ou simplesmente em crise, pois estou prestes a ter 23 anos e ainda estou na faculdade, desempregada, sem macho e o relógio biológico está mais escondido que Saddam Hussein no buraco. Ainda assim, isso não é nada. Somente agora comecei a pensar em certas metas a serem cumpridas, afinal, estou prestes a ter 23 anos e resta apenas sete anos para o big-thirty. E metas são necessárias. Uma visão de futuro, a decisão de que caminho prosseguir e a busca da independência que tanto almejo, mas que até agora não fiz pica alguma sobre isso.

Tic-tac-tic-tac-tic-tac. Run, Forrest, run. Corre, antes que a dita velhinha no leito se torne realidade e a pergunta de "o que raios eu fiz com minha vida" surja.

Tic-tac-tic-tac-tic-tac.



¬ abba - s.o.s.mp3

8 comentários:

Sunflower disse...

eu é que estou ridiculamente velha. Até a porra do relógio biológico resolveu perturbar.

Renato Thibes disse...

SÓ 23??????????????

Fiquei mal agora. Sua criança.

Anana disse...

Dude, relaxa, isso é só o inferno astral te enchendo o saco. 2009 tá aí, cheio de coisas boas!!

Alexandre disse...

E pra mim que faltam parcos 3 anos pro "big-thirty"? Relaxa e goza que você tem muito chão pela frente ainda. :)

Anderson disse...

só podia ser sagitariana, com todo esse exagero!!!!!
espere chegar aos 30...

Cristina disse...

Caramba, eu sou quase 10 anos mais velha que você e não tô reclamando :/

Cecilia disse...

Anderson adivinhou hahahahaha

Garota no hall disse...

Eu tb fico me achando velha, mas acabo levando isso no bom humor. E não é velha de "velha", mas de me incomodar com as criancices dos outros.