
Eis que as luzes do Morumbi se apagam. É agora, minha Nossa Senhora, é agora. E lá surge a diva - não há título mais apropriado. Entoando "Candy shop", Madonna perambula pelo palco com um coletinho vergonhoso que mostra suas partes íntimas. Urros de alegria se seguem. Vem "Beat goes on" e perdoei Kanye West. Seu rap no meio da canção envolve de tal maneira que, quando dei por mim, estava indo até o chão, pensando ter o mesmo vigor da idosa lá no palco megalomaníaco. A partir daí, é uma seqüência. O show não pára um segundo, mesmo nos intervalos para a troca de vestimenta. As imagens no telão e um medley das músicas que estão por vir animam o povo, e quando a diva retorna, é só piração. "Borderline" aparece para nos lembrar nos tempos áureos de uma Madonna pré-cabala e pré-yoga, ao passo que em "She’s not me" ela própria expõe seu passado, com várias de suas dançarinas arrumadas com o vestido rosa de "Material girl", a noiva de "Like a virgin" e a sadomasoquista "Erotica". Nesse instante, Madonna “mata” suas versões, aproveitando para dar um longo beijo na boca de uma das moças, para a loucura do público. De repente, a diva sai e retorna num clima cigano, deixando óbvia sua esquizofrenia. Esse é um dos momentos mais emocionantes, o qual ela nos apresenta a um grupo de ciganos que a acompanham em "La isla bonita" (com "Lela Pala Tute" no meio) e "You must love me", material básico para o chororô. Então, imagens de Oprah Winfrey, John Lennon, Nelson Mandela e Barack Obama surgem, enquanto os primeiros acordes de "4 minutes" crescem. É iniciada, dessa forma, a derrocada. Justin Timberlake aparece em tamanho real, me fazendo gritar "socoooorro, ele ‘tá aqui!". Aí, ela pede para um fã escolher uma música e, após algumas tentativas, ela enfim decide por "Express yourself", a capella e acompanhada pela multidão. No entanto, nada me prepararia para a seqüência que viria no próximo minuto: "Like a prayer", com direito a palmas e cantoria em uníssono como em um coral religioso (e sim, a experiência de ouvir tal canção ao vivo beira o divino), e "Ray of light", minha preferida e o melhor do show, o qual acabei pagando peitinho pois nem meu sutiã conseguiu segurar a emoção e o descontrole. Madonna termina o show pulando, e fazendo pular, com "Give it 2 me", e uma triste escritura dizendo “game over” anuncia o final.
É proposital o modo como escrevo esse texto. A falta de coerência e o dinamismo das orações reflete perfeitamente o sentimento vivido no dia 20 de dezembro de 2008. É impressionante como permaneço em êxtase somente ao relembrar. Madonna faz jus a todo seu sucesso, e é de uma beleza única vê-la conquistar seus fãs (e não-fãs!), celebrando junto a esses, que não conseguem tirar os olhos dela. Além da simples atração por sua performance, que é fantástica, há também um quesito que observei em todas as pessoas ao meu redor - e me incluo nessa: não importa se você é gay ou heterossexual, ao término do show, você quer levá-la para sua cama. Vide os gays ao meu lado gritando "gostosa!", e as mulheres heteros urrando "me pega!". São 60 mil pessoas a seguindo e a ovacionando em cada uma de sua atitudes. Sua capacidade de atrair é digna de admiração.
Além disso, fica mais do que claro que Madonna é, de fato, um ET, ou então alguma outra espécie mais evoluída. É a única explicação plausível para suas malucas ações. Enquanto nós estamos fatigados já na segunda música, ela tem a patchorra de pular corda - de salto -, fazer pole dancing, rolar no chão, sapatear, transar com uma guitarra e realizar coreografias esdrúxulas enquanto canta com poucos escorregões de voz. Sim, ela realmente canta, o que só a torna melhor.
Não há Cristo que me faça ter sentido agora, simplesmente porque Madonna transformou minha existência. E também, tenho completa certeza, a das milhares de pessoas que tiveram a bela oportunidade de vê-la.
Viva Madonna. E, seja lá de que planeta ela veio, é para lá que eu quero ir.
2 comentários:
Será que sou o único que não quer ir pra cama com a Madonna? rs
É, momento único, deve ter sido coisa de outro mundo mesmo! Bom pra quem foi!
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