O árduo processo da compra de ingressos para o show da Madonna é de conhecimento geral. Não só eu como muita gente passou horas defronte ao computador, chorando, gritando, teclando F5 ferozmente. Depois de conseguir comprá-los, lá pelas 4 da manhã, a pane no sistema de merda da Tickets 4 Fun me rendeu horas ao telefone, esperando alguém me atender e dizer "calma, garotinha, sua compra está confirmada". Quando isso ocorreu, faltava buscar o ingresso. No entanto, esses não estavam em meu nome, logo, minha mãe precisava ir junto (mesmo eu tendo em posse uma procuração e cópias de todo e qualquer documento possível da patroa), só que o local era longe e não havia uma alma decente para me oferecer uma carona, apesar dos ingressos serem de interesse de todos. Portanto, mais horas no telefone para modificar de will call para sedex.
Então, meu pai e meu cunhado não puderam mais ir no dia 20. Lá vai Cecília comprar mais ingressos para o pai e vender os ques estavam sobrando. Passa mais algumas semanas, e meus tios paraenses decidem vir para o show e minha mãe e irmã tiveram a brilhante idéia de irem no setor deles, não no que já havíamos adquirido. Eu, mais uma vez, passo a tarde no telefone. A conseqüente venda dos ingressos restantes foram, no mínimo, emocionantes. Dá-lhe ligações de celular, negociações de pagamentos, mensagens no orkut, pedidos de clemência e xingando amigos que, entre outras coisas, tiveram a patchorra de dizer: "Ah, não tem mais? Então diz para a tal pessoa que comprou que você não mais pode vender para eles e me dá!". Aliás, devo assumir que são em situações como essas que você descobre como seus amigos podem ser um tanto quanto ingratos e desrespeitosos.
De fato, a Madonna já estava me cansando. Virei colega das atendentes da Ticketmaster e, enquanto todos estavam bem confortáveis com seus ingressos, era eu que estava responsável por tudo, desde a guarda desses até a confirmação com o rapaz da excursão.
Enfim, é chegado o dia. Atraso de uma hora para entrar no ônibus. Uma turma chata falando besteiras a viagem inteira. Um banheiro de procedência duvidosa. Uma longa e cansativa caminhada até o estádio. E um Morumbi tão lotado que me causou pânico. Em meio a fãs enlouquecidos, uma quantidade imensa de maloqueiros olhando com atenção preocupante para minha família e suas respectivas bolsas - coisa que aparentemente só eu percebi, como sempre. Depois da terceira idade entregue em seu portão de entrada, vou para a minha fila da Arquibancada Vermelha. Com a graça de Jesus, apesar de grande, não passei mais de quinze minutos esperando, e a segurança estava tão ridícula que, se eu quisesse entrar com artilharia e drogas pesadas, não haveria problema algum. Tudo que pude fazer uma vez dentro do Morumbi foi me ajoelhar e agradecer, tendo esse momento precioso interrompido por um infeliz guarda.
Após a luta para achar um lugar decente, o desejo de matar as pessoas que insistiam em passar pela nossa frente e uma rápida ocasião em que um assaltante (!) estava correndo, logo na minha arquibancada, após uma tentativa de roubo. Ao ser pego com dificuldade pelos seguranças, fui obrigada a atiçar os urros de "ladrão, ladrão" com o bom e velho bordão "uh, se fudeu" (disfarçando porcamente meu medo). Depois de tudo isso, o DJ resolveu aparecer e tocou "Seven Nation Army", "Sweet Dreams" e "Sexy Back".
Só então eu percebi que estava bem e poderia relaxar. Eu estava no show da Madonna.
3 comentários:
Como todo bom fã da Madonna, vc deve ter surtado!
gostei dos seus comentários, não falou do show "em si", mas de tudo o que veio antes dele... ficou até meio sociológico - rs.
fora isso, admito que fiquei com uma pontinha de inveja, mas só uma pontinha, porque não sei se toparia um show desse tamanho... é muita energia! apesar de, claro, adorar a Madonna (e quem não adora?)
beijos...
ah, estava aqui. rs
sorry, não tinha lido. :)
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