sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O tormento da comemoração de aniversário


Eu sou daquelas que só apreciam comemorações de aniversário se for na virada, ou dias antes. Nem que seja um encontro rápido com a melhor amiga, ou um brinde na madrugada com meu party of five particular - a pequena família composta pela mãe, duas irmãs e a cachorra.

O último aniversário realmente feliz e decente, comemorado no dia em si, foi ao completar 21 anos. Desiludida, com medo da vida adulta batendo na porta e recém-saída de uma briga catastrófica com um determinado sujeito (tive a capacidade de cortar laços justamente em um dia que deveria ser festivo), quis realizar uma grande reunião. Chamei meio mundo: antigos amigos de escola, pessoas aleatórias no meu orkut, colegas de bar, amigos das irmãs. Marquei em um boteco qualquer às 21h. Às 19h, liguei para umas três pessoas e pedi que espalhassem a notícia: "meu pai apareceu de surpresa e não poderei mais sair".

Pura ladainha. A realidade era que estávamos eu, a melhor amiga e a irmã (o restante da casa havia viajado) já um tanto bêbadas e sem um pingo de vontade de fazer o social. Não queria fingir que estava tudo bem, encontrar aqueles que eram ligados ao dito cujo e ter que sorrir enquanto respondia atrocidades como "e aí, vai fazer o quê da sua existência?". Eu só queria encher a lata e rir com as pessoas mais importantes da minha vida. Foi o que ocorreu. As três de pijama, acompanhadas de um aparato alcóolico invejável e de dvd's que iam de U2 até Backstreet Boys. E nunca me diverti tanto.

No entanto, aparentemente não aprendi pica alguma com esse fato. Nos últimos anos, insisti em grandes eventos e só me ferrei, principalmente porque é normal eu acordar no dia 19 com carão, mais preocupada com dúvidas existenciais do que com a celebração propriamente dita. Além disso, assusta-me a tradição de a cada aniversário ter um macho atormentando minha sanidade afetiva. A única idéia sensata que tive para evitar a fadiga foi celebrar com uma grande turma ao menos uma semana antes dessa data infâme, já que, como citado, celebrar no dia é entrar na fila para o desastre.

Sendo assim, em 2008 decidi que não iria fazer nada. Feliz por não ter macho algum na área e tampouco a necessidade de pagar de meiga para povo irrelevante, falei para todos que não celebraria porra alguma, afinal, Madonna está aí e isso é o maior presente possível. A mentira dessa vez foi light. O fato é que só tomei um choppinho com a melhor amiga e a irmã. Passada a meia noite, voltei para casa e dormi.

Hoje, desejaria ficar no aconchego do meu quarto, ou apenas tomar mais uma cerveja com a amiga, mas, com a chegada de parentes, meu aniversário se transformou em um grande encontro familiar. Tio, tias, pai, madrinha e sua respectiva cambada. Para me salvar da artilharia inevitável, chamei quatro amigas mais especiais. Hoje, não é somente uma questão anti-social, o fato é que não tenho paciência para essa palhaçada, e as boas notícias são apenas os salgadinhos encomendados e o álcool liberado.

Sim, a possibilidade de ser um dia bacana é grande, uma vez que há tempos não encontro com a dita parentada e estamos em uma clima madonnizado descontrol. E, pela primeira vez em anos, não tenho o "compromisso" (os amigos insistem mais na comemoração do que eu) de fazer uma algazarra, já que tenho a desculpa perfeita: a diva.

É bom comemorar um aniversário. Apagar velinhas, cair de bêbada e receber carinhos. Mas não precisa ser um tormento. Graças a Cristo, me salvei disso nesse ano, porque, claro, se eu me emputecer, só preciso correr para o quarto e acender um cigarro. Contudo, o que eu queria mesmo era um aniversário do estilo dos meus 20 anos. Minha irmã, a melhor amiga, e um bando de filme e dvd musical.

Porém, a essa altura do campeonato, eu já deveria ter percebido que, já diria Mick Jagger, "you can't always get what you want".

"But if you try sometimes, you just might find you get what you need".

Feliz aniversário para mim.



¬ madonna - ray of light.mp3

3 comentários:

Alexandre disse...

Antes de mais nada: Parabéns! :)

Sobre aniversários, eu tb não tenho saco pro social. Já até comemorei meu aniversário numa padaria tomando café com uma amiga, mais nada.

Não que eu não goste de ser lembrado e de celebrar minha maravilhosa existência, mas tb não faço a mínima questão de que isso se torne uma comemoração pra mais do que meia dúzia de pessoas.

Pura questão de opção.

Renato Thibes disse...

Feliz aniversário! Dizem que atrasado dá azar, mas na internet não vale.

Garota no hall disse...

Parece que os amigos têm sempre mais motivos para comemorar nosso aniversário do que nós mesmos. Sou assim como vc, prefiro a reclusão à badalação.

Antes tarde: Parabéns!!!