Sou apaixonada pelo meu técnico do computador e pelo rapaz que organiza excursões para shows. Não no sentido sexual - simplesmente os acho esplendorosos.
Bira chega aqui com seu tênis sujo, meia branca, camisa da Hering e bermuda, com um fone em uma orelha e o outro pendurado. Ele se encaminha para meu quarto, já arrumado para suportar seus quilinhos a mais e o ventilador devidamente ligado para evitar que ele sinta calor. Vejo seu olhar de alegria ao avistar a cadeira nova - deu até para ouvir seu suspiro aliviado, ele não iria mais lutar contra a cadeirinha velha. Bira se acomoda, retira seus artefatos e se vira para mim, pois sabe que um interrogatório se seguirá. Ele responde todas as minhas perguntas com uma calma e paciência jamais vistas, atentando-se a detalhes e metáforas para me fazer entender a complexidade da máquina moderna. Ofereço água e coca cola, e ele nunca aceita. Após a sessão de dúvidas, deixo-o em paz e me retiro. Passo pelo quarto e o vejo concentrado, ouvindo seu Iron Maiden. Tenho completa certeza que Bira, na adolescência, curtia um rock farofa e vestia camisas do Metallica. Após horas, ele enfim me chama e diz, com uma simplicidade incrível: "acabei". "Quanto é, Bira?" "Cinquenta reais". Isso mesmo. O cara acaba de passar a noite em minha casa e cobra apenas cinquenta reais. Toda vez que ele vem, tenho vontade de abraçá-lo. Já o chamo de salvador da pátria, e ele realmente o é.
Já Flávio surge com seus cabelos longos (obra de uma adolescência semelhante a de Bira), calça jeans surrada e olhar preocupado. Ele segura as pontas da excursão. Sempre arranja um lugar sensacional para estacionar a van, e dá todas as dicas necessárias. O mesmo efeito de Bira se repete aqui: se vejo Flavio, quero abraçá-lo. Se ele segue um determinado caminho, vou atrás. Eu confio no Flavio.
Ambos são figuras fundamentais da minha vida. Sua atenção e ética de trabalho são dignas de admiração, e nunca os abandonarei. Tipo meu tatuador, Fabricio. Mas esse merece um texto a parte, pois só ele insiste em repetir as mesmas indicações apesar de já possuir quatro tatuagens feitas somente com ele.
¬ eddy grant - electric avenue.mp3
4 comentários:
São seus heróis pessoas, hehehe. Eu não tenho nenhum, por enquanto. Mas já tive.
Me passa o telefone do Fabrício depois rs
Eu tenho um irmão gêmeo do Fabrício chamado Andrei! Amo-lhe!
ah! quero ver suas tatoos!
beijos
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