sábado, 24 de janeiro de 2009

Prós e contras curiosos


Quando li a sinopse de "O curioso caso de Benjamin Button", fiquei, hmm, curiosa, e com as expectativas mais altas possíveis - afinal, Brad Pitt e David Fincher já deram muitas alegrias no passado ("Seven" e "Clube da luta"). Junte o elemento Cate Blanchett e lá estava eu aguardando ansiosamente pelo lançamento.

Aí, de repente, começaram a surgir pessoas falando sobre o filme de maneira não muito agradável. Achei estranho: Ué, como um filme que possui a fórmula da perfeição está recebendo tantas críticas "mais-ou-menos"? Fui ao cinema decepcionada. E saí com cara de paisagem. No entanto, também não proferi palavras como "que ódio, queimem esse filme maldito". Como disse, foi apenas aquele pensamento de "ah, é legal...". Ou seja, mais-ou-menos. Ainda assim, coitado, o filme tem lá seus bons atributos. Diante disso, segue os meus prós e contras da história de Benjamin Button:


* Contras (porque começar falando mal é mais fácil):

1) A atuação de Taraji P. Henson, a mãe adotiva de Benjamin, que, como o Pablo Villaça do Cinema em Cena bem pontuou, lembra demais a Mammy de "E o vento levou" e como tal, beira a irritação;

2) Efeito especial é bom e eu gosto. O que não gosto é perceber o efeito. Eu continuo acreditando mais em Gollum do que no velho Benjamin;

3) Julia Ormond e sua personagem dispensável. Usá-la como desculpa para narrar a história é um recurso básico, porém, a pobrezinha, que deveria ser somente a leitora do diário, possui mais importância do que deveria. Mesmo com a "reviravolta" sobre um fato de sua vida, ela prossegue normalmente seu caminho, saindo apenas para fumar um cigarro e voltando logo depois como se nada tivesse acontecido. Se fosse eu em situação similar, sairia para fumar um cigarro depois de mandar Daisy à merda pelos anos de terapia que se seguiriam. Em determinado momento, me recordei de "As pontes de Madison", no qual os filhos de Meryl Streep também encontram a caixa-preta da mãe, acabando envolvidos com as peripécias da patroa e tendo suas vidas mudadas a partir de então. Eu esperava que em "Benjamin Button" o mesmo ocorreria, mas aparentemente a moça é inútil à narrativa, e a dita "grande revelação" nada mais é que uma - das muitas - tentativa de levar o espectador ao klinex (aliás, momento fútil nº 1: Julia está realmente velha ou suas rugas fazem parte da maquiagem?);

4) O Katrina como pano de fundo. Minto, pano de fundo é pouco, está mais para perda de tempo. Tão indispensável quanto a dinâmica de Julia Ormond;

5) A historinha do relojoeiro. Se era para utilizar o relógio com os ponteiros rodando ao contrário como uma metáfora, bastava mostrá-lo e já iriamos compreender;


6) As atitudes de Daisy, que surgem mais como "olha um momento dramático aqui, gente" do que relevante. A troco de nada, ela vai de vagabunda e dissimulada para fofa e amável;

7) Benjamin Button é um moleque. Se no início da vida ele tinha motivos para sê-lo - afinal, ele era uma criança -, continuar o mesmo depois de anos é irritante. Imaginei que, com os anos, sua maturidade seria maior, porém, ele prova exatamente o contrário. Moleque!;

8) David Fincher está completamente perdido. Esse não é um filme seu, e é óbvia sua luta em tentar fazê-lo à sua moda. Sou grande admiradora de seu trabalho, contudo, não foi dessa vez, benzinho;

9) Quando em Nova York, fui ao Museu de Cera. Assim que Benjamin apareceu novinho, a estátua do Brad Pitt me veio à mente. Mas segundos depois esqueci desse fato, pois é sempre bom (atenção, momento fútil nº 2) relembrar o Brad dos tempos de "Nada é para sempre" e "Encontro Marcado";

10) Enfim, o maior problema: O fator "Use filtro solar" do roteiro, como bem lembrado pelo meu caro Renato. Mensagenzinhas de amor, otimismo e reflexão sobre vida/morte percorrem durante todo o filme, e já pressinto cinco milhões de perfis do Orkut com suas frases de efeito. Não tenho nada contra a utilização de trechos de filmes como parte do "quem sou eu", entretanto, são os diálogos sem esse intuito que merecem um profile. A insistência é tamanha que chegou ao ponto de eu pensar que estava lendo um livro de auto-ajuda, e não vendo um filme de David Fincher.


* Prós (porque sim, existem):

1) A mãe adotiva de Benjamin é uma mulher forte e amorosa, e entendemos sua vontade em criar o moleque apesar dos problemas. Por isso, é uma tristeza que a atriz não fez jus a um papel que poderia ser infinitamente melhor. Pense na mãe de "Forrest Gump" (como já apontado por tantas pessoas, ambas produções são quase irmãs): se choramos feito bebezinhos quando essa estava no leito de morte, o mesmo não ocorre aqui, pois na realidade nem ligamos muito para a sujeita;

2) As belas cenas, como a que Daisy dança no parque e na sua apresentação;

3) A cena em que Benjamin discute os diversos pontos que causaram um atropelamento. Talvez o melhor trecho do filme, pois sou a rainha de refletir sobre o acaso;

4) O homem que foi atingido sete vezes por um raio. As situações são engraçadíssimas, e é o único momento "filtro solar" que funciona, pois o sujeito explica o motivo pelo qual ele pensa tanto nesse assunto;

5) A fase Benjamin-velho, apesar do efeito creepy.


Apesar de todos os problemas, "O curioso caso de Benjamin Button" não é um filme ruim. Ele envolve o suficiente para que não nos irritemos com sua longa duração, e não conseguimos deixar de lado a curiosidade que nos leva a crer nessa fábula, mesmo que por alguns segundos. Láááá no fundo, desejamos ver como raios a história se desenrolará, e a reflexão sobre a efemeridade da vida é inevitável. Ainda assim, é uma pena que um filme que tinha tudo para ser fantástico se torna apenas "bacana".

6 comentários:

Garota no hall disse...

Calmaí que eu vou ver esse filme na quarta e depois comento aqui.

Sunflower disse...

Nhá, eu gostei. Estou louco pra saber o efeito da frase "eu me imagino dançando nua" em um carinha ali.

beijas

fabiana disse...

Peraí que eu vou assistir essa semana e já volto!

Cristina disse...

slumdooooog AUhuhhuhuuahuahhAHUUahahu

Garota no hall disse...

Assisti ontem. Seus pontos de vista são semelhantes aos meus. Achei mãe e filha um tanto irritantes, e a narrativa tira o brilho da história. Achei uma mistura de Peixe Grande com Forrest Gump, mas com menos sensibilidade e mais açucar. Um dos filmes superestimados do ano, mas como disse o Luciano Huck certa vez sobre o CQC, é "bem-feitinho".

Renato Thibes disse...

de acordo! e a resenha do cinema em cena explica bem porque o filme é meia-boca. as "coincidências" com forrest gump irritam demais.