domingo, 25 de janeiro de 2009

Aceitando o inevitável


Nunca fui magra, mas como apontado pela minha mãe e irmãs, sempre fui "gostosa" (palavras delas, pois nunca me coloquei em tal categoria). Minhas calças jeans iam de 40 a 42, somente porque havia a cintura vinda de meu sangue carioca. Os peitos eram fora do padrão comum, porém sinceros. Os braços eram grandinhos mas possuiam textura, assim como as pernas sempre grossas e que, modéstia a parte, ficavam uma graça quando vestia mini-saia e tênis. Entretanto, inventei de ir aos Estados Unidos, e lá ficou meus dezoito anos. Após uma sobrevivência a base de sanduíches from hell do Subway, donuts e toneladas de drinks esdrúxulos do Starbucks, retornei dez quilos mais gorda, e desde então isso só aumentou. O que um dia foi 60kg - correspondente a minha baixa estatura -, hoje se transformou em 90kg (honestamente, não sei meu peso exato, pois abandonei a balança há tempos).

Poderia culpar a dose estressante da vida young-adults, o meu signo, a pressão da faculdade (e a grande quantidade de cerveja ingerida na mesma), meu life-style noturno, a falta de atividades em geral, a aparente incapacidade de tomar rumo na vida e uma ansiedade crescente causado pelos itens citados. No entanto, não há desculpa para o nível que cheguei. A verdade é que estou beirando a obesidade e ninguém é culpado a não ser eu mesma. E somente eu posso resolver essa questão.

Me inscrevi na academia no início de janeiro. Hoje é dia 25 e ainda não pisei no dito local desde o dia que fiz a matrícula. O motivo? Não sei ao certo.

Eu quero emagrecer, lógico. Quero ficar bonitona. Quero poder dar tchau sem ter que evitar o balanço involutário do braço. Quero poder deitar e não sentir o papo encostando na clavícula - se é que a coitada ainda existe, pois já desapareceu há tempos. Quero poder voltar a usar sutiãs que não pertencem a terceira idade e que de fato suportem o fardo que é carregar essas coisas que um dia foram seios. Quero poder tirar foto e não me sentir diminuída. Quero ter o rostinho fino de outrora. Quero caber naquela linda saia, que se eu usá-la agora, me assemelharei a um pequeno revestimento de bujão de gás. Quero estar linda em minha formatura e poder relembrar de meu momento acadêmico com felicidade. Quero poder respirar sem grandes dificuldades e ter apenas o cigarro como vilão (somado a gordura, sou quase uma bomba atômica ambulante). Quero não ter mais dores de coluna devido aos seios previamente ilustrados. Quero subir uma escada sem precisar parar de degrau em degrau. Quero meus exames de sangue perfeitos e a pressão 12 por 8.

No entanto, não consigo encarar a academia. O ambiente me causa asco e tenho calafrios apenas ao pensar em um sujeitinho qualquer gritando ridículos incentivos. Penso em o quanto será humilhante estar suando horrores em uma esteira, quase tendo uma taquicardia, enquanto a magrela ao lado está ali porque "precisa" emagrecer um quilo.

O pior que, para se chegar a esse ponto, é necessário primeiro um fator: admitir que estou um nojo, uma pessoa que já teve um passado de beleza glorioso e que agora não há mais volta. Não importa o quanto eu emagreça, meu corpinho de dezoito anos não retornará. Não há mais jeito. Me estraguei, virei uma ogra e preciso assumir que eu errei. O que não é nada agradável para alguém orgulhosa como moi.

Não há mais escapatória. Eis a hora de encarar a realidade. "Finally the truth", já diria o baixista do Stillwater. Preciso tomar coragem e andar com fé. Olhar para pessoas como Oprah Winfrey e Kate Winslet e tomá-las como exemplo. Adeus, mundo cruel culinário. É triste deixá-lo, mas necessito urgentemente de uma dose de auto-estima - esse pobre sentimento que nunca existiu, e que agora sequer vislumbra esperança. Não basta eu ser um ímã para hematomas, arranhões e alergias involuntárias, razões que já não me deixam com uma aparência "perfeita". Preciso ter ao menos alguma coisa em mim que me faça olhar no espelho quando sair de casa e falar "beleza, estou bacana".

E, pelamordedeus, que haja forças para suportar. E me suportar.


¬ skeeter davis - the end of the world.mp3

8 comentários:

tatiana disse...

Não 'tá fácil pra ninguém, né?
Eu me estraguei também. Me conforto tentando melhorar o espírito, mas este deve estar envergonhado do corpo que o carrega.

É de entortar o cano!

Alexandre disse...

Eu acho eu já comentei isso aqui: pule na piscina!
Natação é mil vezes melhor e mais interessante que academia.

Sobre esse teste do tchauzinho, eu fiz com minha namorada esses dias, e ela passou. rs

Alexandre disse...

Em tempo, eu pratico natação. :)

DANIELA disse...

Vc falou do signo...
Deve ser de Touro... rsrsrsrs...

Eu sou...

Sustento as academias da minha cidade... Me inscrevo e não apareço...

Engordei 10 kg em um ano e o que antes era fácil perder, meus quase 33 anos se encarregam em dificultar...

Nem sei o que fazer... Odeio exercício físico, gosto de usar meu tempo com coisas que para mim dão prazer... Coisas gordas como comer, escrever, ler, assistir bons filmes...

Ahhhhhhhhhhhhhhh!!!!
Em plena segunda feira, após um final de semana de sandubas e casas de massa, você acaba de me me lembrar que preciso dar um jeito nisso...

Droga... rsrsrsrsrs.

Sunflower disse...

Assim, estou aqui para dar o apaio sem os gritinhos.

Já fui bem magrela devido a uma anorexia nervosa que tive na época do terceiro ano e que voltou na época da monogradia. Fico uma pilha pois sou perfeccionista e achava que comer era tempo que perdia quando podia estar estudando.

Engordei 10 nefastos kilos. Pesei 70 kilos e a minha altura é 1, 67m. já perdi 4, quero perder mais 5 aí fica bom, vejo nas fotos que a magrelice absoluta me envelhece pra cacete, e eu nunca vou ser fininha - finhinha já que tenho os ossos largos.

Agora, não tem jeito minha filha. O lance é queimar. Não gosta do instrutor, fique na esteira, bicicleta elíptico escutando o seu backstreet boyzinho, só no charme. Mas vá todos os dias. Uma vez que você começar a emagrecer, vai se sentir melhor pra enfrentar os gritinhos.

Outra coisa que funciona é levar uma companheira, assim uma dá força a outra. E como você disse é bom até pra saúde.

Pôxa, se você morasse em Fortaleza você seria o acessório perfeito pra mim na academia. Confalubariamos, falariamos de cinema, riríamos e nem veríamos as horas passarem.

beijas

Cristina disse...

Também te dou meu apoio. A academia é ruim no começo, depois você começa a perceber as diferenças no seu corpo (não digo emagrecer, porque isso demora mesmo rs) e a se sentir bem. No fim das contas, exercício físico também vicia.

fabiana disse...

O lance é ignorar as concorrentes magricelas. Eu sei, é osso duro de roer enfrentar os corpos malhados enquanto vc está lá por necessidade e não por capricho, mas, se o lance é recuperar a auto-estima, vale o esforço.
Natação também é bacana, e uma arma poderosa na esteira é o MP3, vai por mim! Música boa te leva para um mundo novo longe dos olhares cruéis dos marombados!

Beijo

Garota no hall disse...

É tomar coragem, iniciativa e começar. Por isso não acredito nas ditas resoluções de ano novo. Para mim, não há promessa nem bloquinho que substitua nossa percepção naquele momento. É dar a si mesma um chacoalhão e ir para a Academia naquele momento. E não ligue para os outros lá: um livro interessante ou um fone com suas músicas preferidas são muito melhores do que olha pro aldo.