Há uns dois anos atrás, em uma noite de luta e suor (sou meio leiga para essas modernidades), finalmente compreendi como funcionava o torrent. Surgia diante de mim um mundo repleto de possibilidades e completamente spoiler-free, uma vez que não era mais necessário evitar a internet com o intuito de não descobrir novidades quentinhas sobre "Lost".
Só que, durante esse tempo, nunca aprendi a colocar legendas. Diziam que era muito simples, mas não havia um tutorial decente nem uma boa alma para me explicar com detalhes; então vinha assistindo a tudo sem legenda. Seriados? Tudo bem. Filmes que já vi? Ótimo. O ruim é que os filmes que mais desejava eram justamente aqueles mais difíceis de se compreender. Veja bem, foi um verdadeiro teste assistir "Disco Pigs" ou "Once" ("Apenas uma vez") sem legenda: entender o sotaque americano é uma coisa, mas saber o que raios esses irlandeses estão querendo dizer é um trabalho árduo.
Pois enfim chega o dia em que cismei que iria aprender a colocar legendas! Uma amiga que entende dessas coisas estava online e passamos uma tarde até eu conseguir realizar tal façanha. Foi com glória que percebi que já estava dominando a arte. Finalmente, meu povo, eu posso assistir filmes com legenda no computador! Uhú!
Excitada com o novo leque em minha frente, entrei nesse mesmo blog, no Cinema em Cena e no Adoro Cinema em busca do que baixar. Desse modo, minhas madrugadas dessa fim de semana foram recheadas de filmes, tanto os cotados para a Award Season (exceto os que possuem data de estréia no Brasil, afinal, não dispenso o prazer do Cinema), como alguns indies "antigos" que ainda não tivera a oportunidade de desfrutar. No total, foram dez filmes assistidos. E fazia tempo que não deslumbrava tamanha sensação de felicidade, principalmente porque a maioria desses foram de ótima qualidade. Vamos, portanto, aos comentários:

- Na mira do chefe (In Bruges): Quer algo mais delicioso que Colin Farrell, Brandon Gleeson e Ralph Fiennes reunidos, com direito a muito "fuck" (a palavra, não o ato - droga), "Jeeesus" e outras expressões sensacionais do vocabulário britânico? Junte a isso um verdadeiro show de Brandon - como sempre -, Colin abalando definitivamente o bangu, mostrando de fato para o que veio, e Ralph nervosinho quebrando um telefone, para logo depois se mostrar carinhoso para com seus filhos. Englobe para o pacote muito humor negro e uma pitada de crises existenciais divinas. Favoritos do ano, já!;
- Segurando as pontas (Pineapple Express): Um nome - James Franco. James é a alma e a veia de "Pineapple Express". O filme se perde completamente a partir de determinado momento, se tornando chato em seu ato final, no entanto, James te faz ir em frente. Sua atuação como o traficante e amigo sempre chapado de Seth Rogen merece todos os louvores, e você esquecerá o antipático colega de Peter Parker da saga "Homem Aranha". James Franco é o cara;
- A duquesa (The duchess): O filme é fraquinho, a história de amor é sem graça e a vida de Georgianna, a Duquesa de Devonshire, não é tão interessante quanto Maria Antonieta ou os casos de Henrique VIII. De qualquer forma, Keira Knightley sempre se dá bem em filmes que requerem o uso de corpetes, e por isso sua performance agrada. Contudo, mais uma vez quem rouba a cena é Ralph Fiennes, vivendo aqui outro nervosinho. Minto, o Duque de Devonshire não é nervoso Ele é um Heathcliff mais contido, um homem que não demonstra sua (rara) sensibilidade e solidão. Suas "maldades" ou atitudes condenáveis ganham outro nível nas mãos de Ralph, que consegue a proeza de transformar a pior das criaturas em alguém por quem você sente compaixão, compreensão e até simpatia. Em uma simples frase, Ralph consegue transmitir mais emoções do que nós, meros mortais, conseguimos em um grande diálogo. Para completar, Ralph está extremamente gostoso em vestimentas do século 18, e melhor ainda quando as despe. Aff!;
- Simplesmente feliz (Happy go lucky): Não comento agora pois merece um post somente seu. Digo apenas que Poppy Cross é a mais nova ídola, e seu way of life é meu objetivo de vida;

- The edge of love: Seria pornografia se não fosse de época e não envolvesse o nome do poeta Dylan Thomas. Não falo isso porque há milhões de cenas de sexo, e sim porque a relação entre os dois casais protagonistas (Keira Knightley e Cillian Murphy, Sienna Miller e Matthew Rhys) é uma putaria tamanha. Keira quer Matthew, casa com Cillian e depois dá para o primeiro. Matthew - vivendo o poeta - é casado com Sienna, dá corda para a Keira, depois volta e come a esposa, além de metade do elenco de apoio. Sienna, por sua vez, dá para o marido e para qualquer outro homem que surja. Na brincadeira, só Cillian não trepa: sobra para ele apenas Keira e o combate da guerra: o pobre coitado mal consegue armar a barraca devido aos traumas da II Guerra. E tudo isso a base de muito álcool e muito cigarro - até eu que sou fumante me incomodei com a quantidade de fumaça ao lado das crianças que nasceram em meio a parafernália. Mesmo assim, o filme não é de todo ruim. A relação entre as "amigas" Keira e Sienna dá força à produção; porém, Dylan Thomas irrita em sua cafajestice, irresponsabilidade e síndrome de leonino com ascendente em Câncer. Puta homem chato, caralho;
- The visitor: Também merece um texto exclusivo;
- Queime depois de ler (Burn after reading): Engraçado, boa história (apesar de confusa) e performances bacanas. O único erro é ter eliminado seu melhor cedo demais, estragando e tirando o interesse do resto. Pelo menos para mim;

- Barato de Grace (Saving Grace): Uma bela história inglesa, com cativantes personagens ingleses e um lindo clima inglês que só eles possuem. Ainda assim, é menos do que eu pensava;
- Lars and the real girl: Mais um que merece um post isolado. Desde já recomendo, de todo coração;
- Half Nelson: Como o filme acima, "Half Nelson" é protagonizado por Ryan Gosling, e foi por tê-los vistos em sequência que me fez admirá-lo ainda mais. Se Ryan não é o melhor ator da nova geração, com certeza está no Top 5. Além do filme ser fantástico - agoniante, ansioso, perturbador, mas fantástico -, Ryan apresenta uma daquelas atuações que te faz sentar e babar. E babar também por sua deliciosidade: ai, barbudinho, vem cá que te dou um aconchego.
Um comentário:
Nossa, desses eu só vi In Bruges. Gostei dele, entrou no meu top 20 de 2008.
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