quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Where have all the cowboys gone


Bem amigos do sexo masculino, esta é para vocês: Por que raios vocês tem a mania de sumir do mapa quando o bicho pega? Para explicar melhor o meu ponto, divido os seguintes relatos:

1) Nosso esquema era bem feito e organizado: ele ligava, eu ia, e ficávamos satisfeitos pela distração momentânea. Não era preciso mensagens fofas no dia seguinte, tampouco utilizar a cerveja como pretexto para um encontro. Ou seja, não nos importávamos muito para maiores envolvimentos. Mas como também sou humana, ligava quando a vontade batia, no entanto, era comum ouvir desculpas. Após vários telefonemas sem resultado, o questionei se ele não queria mais me ver. Ficaria pê da vida de qualquer modo (infelizmente, ele era a única opção), porém, pediria perdão pela insistência e sumiria de sua vida sem esforços. Ele ignorou o e-mail. Relevei, até o dia que o encontrei e ele me lançou um olhar tão assustado que cogitei a possibilidade de eu ter me transformado em um monstro. O pavor era tamanho que só poderia significar uma coisa: ele estava com medo de que ao mínimo movimento eu fosse me jogar aos seus pés implorando por seu amor. Não aguentei e enviei outra missiva, falando que ele deveria estar fora de suas faculdades mentais caso pensasse que eu era apaixonada por ele. Primeiro, eu gostava de outro, coisa que ele sabia. Segundo, quando foi que manisfestei qualquer emoção semelhante? Completei apontando ao fato de nunca ter o pedido por algo a não ser estar apto quando solicitado, portanto, não havia necessidade de me ignorar. Que apenas me explicasse o porquê de tal atitude digna de 5ª série. Ele respondeu: "Relaxa". Oi?;

2) Levávamos a vida feliz em nosso caso na surdina. Sexta-feira estava tudo bem. De repente, na segunda-feira, ele me aparece com sua bruaca, a nova namorada. Mina feia, semelhante a uma aberração. Tudo bem. Aguardei esclarecimentos, uma vez que não estava com uma enorme interrogação pregada na testa. Mas ele só fugia. Se nos esbarravamos no elevador, era um "boa noite" e olhe lá. Ora, vá a merda;

3) Me declarei. Ele correu - literalmente. Fui obrigada a segui-lo no metrô, num surto stalker.

Veja bem, eu compreendo o medo de se envolver, já que eu própria sofro desse mal. Porém, creio que seja o mínimo dar explicações, de preferência com argumentos relevantes. Posso acabar chorando ao som de Bonnie Tyler, ainda assim, é melhor do que ficar no vácuo, principalmente porque é uma tendência feminina acreditar que a errada da história é ela mesma.

Na situação 2, juntei uma lista de fatores que poderiam ter o levado a agir de tal forma: Sou uó (não acreditei muito nesse, pois a garota é de fato um dragão, e não estou sozinha nessa opinião), sou a personificação da Betty Frígida, não sei expressar carinho e estima, não dei a devida atenção, fui rude etc. Acreditei piamente na possibilidade de eu não valer um real. Ser trocada é uma coisa, ser trocada sem justificativa são outros quinhentos. O rapaz só explicou meses depois, quando aprontei uma emboscada na qual ele não pôde escapar. Não desejava ter apelado para isso, mas não suportava mais viver na dúvida.

Já no item 1, sempre evidenciei minhas intenções, ou por indiretas sutis, ou falando mesmo, quando assumi meu desejo de torná-lo meu personal fuck buddy, e apenas isso. Nada mais justo - estávamos acostumados a reuniões esporádicas com o intuito de usufruir do trabalho um do outro. Enquanto isso, no relato 3, admito que o compreendo. Fui direta e rápida demais, contudo, o fiz no fervor da paixão à primeira vista; além de que na época eu era uma virgem à solta em Nova York, o que significa que estava à caça de qualquer boa alma disposta a realizar tal tarefa ingrata. Nesse caso, o pobre coitado estava certo. Foi um ato de defesa contra a ninfomaníaca brasileira. De qualquer forma, um "não vou fazer isso, foi mal aê" seria bemvindo.

Digo tudo isso pois realmente não entendo o que leva vocês, criaturas dotadas do cilindro, a escaparem uma vez confrontados. Pode ser uma boa solução para vocês, não obstante, não ajuda em nada e só piora para nós, seres sensíveis às suas ferramentas. Claro que já fiz isso antes, mas prontamente me arrependi e abri a porteira da honestidade sob o risco de magoar o sentimento alheio - seja esse sexual ou amoroso. Façam uma retrospectiva mental de todas as vezes que você gritou "sebo nas canelas" e me digam um exemplo de quando isso surtiu o efeito esperado.

Talvez vocês não tenham se ligado ainda, mas vou constatar o óbvio: Quanto mais vocês fogem, mais iremos atrás. Se não querem, que digam logo. Evidente que não é agradável encarar essa situação, contudo, é mais eficaz do que aguentar um bando de mulher descontrol, o que imagino ser um fardo difícil de suportar (sendo uma, sei bem). Há momentos que "falar o que pensa", a máxima do Big Brother Brasil, é necessário, para não dizer elegante e gentil. Façam jus àquilo que transportam. Sejam homens, e não moleques, verdadeiros franguinhos. Dessa forma, serão mais dignos de admiração. Afinal, ninguém gosta de projetos de Benjamin Button.

Fica a dica.


(na foto: o clássico fujão, Russell Hammond)


¬ slumdog millionaire sdtk - paper planes.mp3

5 comentários:

Anana disse...

puta que pariu....
são mesmo uns covardes e frangotes... amei o texto!!

Renato Thibes disse...

não posso responder por toda a raça masculina, porque concordo que a maioria é escrota mesmo. mas eu não sumo! no geral são elas que somem de mim. e para elas eu cito o chefe: "well if she wants to see me, you can tell her that I'm easily found"

Garota no hall disse...

Aprendi com eles e cheguei a agir igual. É realmente mais fácil do que enfrentar perguntas e olhares questionadores.

Alexandre disse...

Pode parecer piada, mas Darwin explica. É o instinto primário. Alguns homens controlam melhor, outros não. Somos "programados" em certa medida para não nos envolvermos e sermos os mais "voláteis" possíveis.

Esse tangenciar masculino é um reflexo distante dos nossos primos na escala evolutiva. É lógico que isso não justifica falta de caráter, pois aí entramos em outro campo.

Eu particularmente acho complicado delinear essa seara, deixar as coisas só pretas ou só brancas. Paixão, afeto, (des)compromisso, sexo, não existe preto no branco nisso aí.

Tire o melhor proveito do cinza inevitável. :)

Alexandre disse...

Aliás, não é piada, é fato. rs