Seria injusto de minha parte não falar de cada show da linda noite de ontem separadamente. Não porque farei grandes resenhas, mas porque cada banda representou um aspecto pessoal.
Já na van, fiz amizade com uma moça de cabelos vermelhos lá pela casa dos 30 que também estava sozinha e desejava companhia, com medo de encarar a mata que estampa a Chácara do Joquei. Foi a combinação perfeita, uma vez que era isso também que estava procurando. Em dois minutos de conversa, ela assume: "eu odeio Los Hermanos". Tudo bem, esperava por isso, mas não de alguém que escolhi como companheira. Após algumas cervejas, constatei: "olha, eu adoro Los Hermanos, então, só peço que você não estrague esse momento. Caso você esteja de saco cheio e queira sair andando, vai que vai, nos encontramos depois do show, pois não perco isso de jeito nenhum".
Ela entendeu o recado. Ao me ver saindo de controle e dançando de maneira esdrúxula ao som de "Todo carnaval tem seu fim" (o título não poderia ser mais apropriado), ela se encostou na gradezinha ao lado e me deixou sozinha para pirar com aqueles que de fato queriam apreciar os barbudinhos - coincidência ou não, ao meu lado só havia fãs, que cantaram junto comigo e se emocionaram. Sim, pois eu me emocionei. Los Hermanos é, para mim, a constatação de minha vida afetiva nos últimos anos - e não é à toa que eles embalaram minhas desventuras amorosas. Nesse ponto de vista, o show foi catártico, como se cada um dos antigos pestes estivessem saindo de mim e resolvendo suas próprias crises por um meio musical.
Contudo, além desse fator, estar ali já foi uma vitória para mim. Só o fato de estar sozinha em um grande show em um lugar sem prédios e que aparenta estar escondido da humanidade, era motivo o bastante para eu ter um ataque de pânico. Mas não. Mesmo tendo avistado Edivandos em potencial, consegui me controlar de alguma forma que mal consigo compreender, pensando fortemente em rezas. Não foi a porra-louquice de encarar metrô, trem e uma longa caminhada de quatro anos atrás quando fui ao Coldplay. Ontem, eu tive a certeza de que aquela criatura sem noção de antes não mais existe, e agora prezo pela segurança e auto-responsabilidade, reconhecendo minhas atuais limitações. Desse modo, ouvir "O vencedor", canção que sempre gostei mas que nunca me pareceu tão encaixada, foi mais do que um simples surto, e sim uma transição a uma nova fase.
E Los Hermanos foi só o começo.
9 comentários:
Dude, ótimos textos! Eu queria ter tido coragem pra ir nesse show. sou cagona, tive medo de morrer de tanto chorar.....
aliás, hoje em dia escutar Los Hermanos e Radiohead me faz chorar tanto que seria pedir pra tomar soro na veia!!!!
E, sim, Alexander Supertramp way of life!
Pelo menos a sua companhia te deixou em paz num show que gosta.
Tá, o rapaz era gay ou tu se recuperou a ponto de dar umas conferida?
Não peguei, porque estava louca demais para isso. Mas abracei o pobre coitado o tempo todo, que retribuiu sem reclamações.
E ele pediu meu telefone, o qual passei. Hohoho.
Menina...eu vi o show lá em casa mesmo e me emocionei muito....AMOOOOOOOOOOOOOOO os Los Hermanos. Delirei com cada música. Meu cunhado tinha dito que o show deles tinha sido ruim, mas nem isso me desanimou de assitir. AMEI.
Eu acho que não existe banda mais digna nesse país para abrir pro Radiohead, sério!
Gostei...e adoro curto los hermanos também...beijo e boa semana
posso ser sincero? eu não curto muito o Radiohead... mas certamente adoraria ter ido ao show dos Los Hermanos! Gostei de sua resenha...
Eu gosto do Los Hermanos qndo eles engatam a 2ª.
:)
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