segunda-feira, 23 de março de 2009

Just a Fest - Parte III: Partindo dessa para uma melhor

Explicar Radiohead é difícil. Não a banda, mas o que ela acarreta. Lembro-me de minha irmã ouvindo seus cd's deitada na cama enquanto eu deitava na outra, e somente sentia. A questão não se resume apenas a apreciar uma boa canção, mas senti-la em cada poro, perceber como essa te consome e te leva a outros patamares.

Dito isso, dá para imaginar o que foi esse show - minto, aquilo não foi um show, e sim uma experiência transcendental. Não tenho poderes de palavra suficientes para transmitir o mínimo sentido. E eu, que tanto disse que desejava ficar sozinha nesse show, recebi a companhia de um rapaz que estava na mesma vibração que a minha.

Assim que os primeiros acordes iniciaram, a companheira foi se perder lá para frente, enquanto eu permanecia no meu lugarzinho. Mal ela sumiu, surge ao meu lado um sujeito lindo e fofo, que me pede um cigarro e diz: "eu preciso de 'Karma Police'". Eu respondo: "Eu preciso de 'No Surprises' e 'Fake Plastic Trees'. Sei que é clichê, mas estas significam mais para mim". Ele: "Querida, eu também preciso dessas, então estamos no mesmo barco". A partir daí, conversamos e apreciamos o show juntos, e foi belíssimo ver a emoção daquele homem feito perante "For a minute there, I lost myself".

Porém, o que eu não esperava era minha reação com "Fake Plastic Trees". Quando dei por mim, estava com a cabeça baixa, parada, sem conseguir cantar tamanho surto em lágrimas. Eu não sei de onde veio nem como aconteceu, mas era palpável a transformação que ocorria em mim naquele instante. As pessoas cantando, se perdendo completamente, ou apenas sentadas pois não tinham força para conseguir encarar aquilo. Foi quando aconteceu. O rapaz me abraça, e diz: "calma, eu sei". Creio que ele não tenha noção do que essas palavras me fizeram sentir. Todo meu medo, minha insegurança, minhas neuroses, minha falta de perspectiva, meu orgulho que impede que eu peça por ajuda foram embora em um simples acalento.

Dizer que Radiohead foi o melhor show de todos os tempos é um understatement. São em momentos como esse, em uma ocasião que se classifica como um "show" mas que na realidade é muito mais que isso, que se encontram as respostas desejadas e necessárias para a atual situação. Seja por cantar com os braços abertos e olhos fechados, ou por dividir o instante com estranhos, ou por receber um abraço inesperado.

10 comentários:

Garota no hall disse...

O importante, realmente, é sentir. Mas eu sou jornalista e já não me comporto assim há algum tempo... Isso me lembra um comentário que uma amiga ouviu de uma senhora certa vez: "Meu outro filho não gostou desse filme, MAS ele é jornalista". Sobrou pra nós...

Confeiteira Sonhadora disse...

Vi só o cmeço do show no multishow....não ouvi as minhas favoritas "fake plastic tree" e CREEP. Amo Creep. Passei a amar o radiohead com o passar dos anos por causa do meu cunhado. Daí para frente comecei a gostar, mas não conheço nenhuma das músicas novas.... as antigas me fazem pirar. OK COMPUTER é um cd perfeito. Acho que teria chorado também. Ontem estava emotiva pra Caramba...chorei vendo a briga da francine e do max no bbb. Ontem estava transbordando de emoção. Gostei do seu colega... ele pelo menos foi gentil contigo em um momento em que teoricamente era tudo o que você precisava. Foi bacana. Tb adoro KARMA POLICE. Ai ai Perdi o show no Rio.... espero que eles voltem algum dia para que eu possa vê-los e sentir toda essa emoção ao vivo e a cores.

fabiana disse...

Há tempos não me sinto assim ao ouvir uma música, mas, certamente, se estivesse no show ia dizer que 'preciso de karma police'.

Aline disse...

Puta que pariu!!!!!!! Quase não enxerguei nada na multidão, estava com as luzes piscando no palco, o Tom no telão e meu coração na mão. Foi o melhor show, definitivamente.

Renato Thibes disse...

Raaaaaain dooooown
Raaaaaaaaaaaain dooooown
Come on raaaaaaaain dooooown
On meeeee

tatiana disse...

Pena que tu não 'tava comigo, "Fake Plastic" me causou um surto também.

tatiana disse...

Chorei do início ao fim.

Mimi Kiddo disse...

Fiquei arrepiada em ler isso. Era como se eu estivesse lá, pude sentir ao ler teu texto, juro. Caralho... que pira!

Ava E. disse...

Não sei nem o que dizer. Como a Mimi disse, ler o texto me fez sentir lá, diante de Thom Yorke e aquela aura esquisita que emana dele. como eu queria ter estado lá! que bom saber que você tirou toda a essência desse momento mágico. tô começando a falar idiotice. jesus fucking christ, nem sei o que dizer.

Alexandre disse...

Primorosa apresentação. Dei meus pitacos lá no blog.

Pra superar isso, talvez só o próprio Radiohead denovo.

E a menina do palavrão não estava atrás de mim dessa vez, mas fui encoxado por uma dessas fêmeas "iô-iô". rs