segunda-feira, 18 de maio de 2009

Eu, mamãe e Lost


Desde que descobri sobre o caso Petrobrás da patroa, sinto um amor completamente novo por ela. O respeito e a admiração também se elevaram, pois seu sacrifício pessoal em nome da criação das filhas merece o devido feedback, sem contestações. Enfim compreendo seus surtos e o que está por trás desses, e tudo parece tão claro que não me resta muito senão estar ao seu lado e fazer aquilo que a satisfará, para que assim ela possa seguir sua vida tendo a certeza que ao menos sua filha caçula está num caminho digno.

Além disso, tê-la comigo em momentos como esse, em que inicio minha fase barbitúricos, é vital. Não sinto mais vergonha ou culpa de pedi-la para ir comigo ao psiquiatra como se fosse uma criancinha na visita mensal ao pediatra, e sua constante pergunta "você está bem?", logo que saio de casa, é o suficiente para me deixar calma e mais contida toda vez que necessito encarar o medo da rua. Sem contar os conselhos e os eventuais tapas na cara, que são sempre bemvindos, embora não pareçam ser na hora.

A minha gratidão é tamanha que me vejo realizando tarefas domésticas, puxando-a para dançar a troco de nada, incentivando conversas na cozinha, observando brigas da família vizinha num ato voyeur fofoqueiro, e auxiliando-a no processo de reforma da sala, para aliviar seu usual stress em situações caseiras. E, claro, assistindo "Lost" a seu lado.

Começamos a assistir a série há algumas semanas, depois dela se sentir curiosa para saber o que tanto meu pai, eu e minha irmã comentávamos. E não é que a velha viciou e entrou na onda da família? Era óbvio que isso ocorreria, uma vez que ela é chegada num mistério e suspense, além de ser fascinada por boas construções de personagens. Faço questão de ver com ela, primeiro porque ela já evidenciou que não gosta de ver sozinha pois sente medo dos Others, e também porque é sempre divertidíssimo, devido seus apontamentos como "perigosa essa Kate!", "eita japa safa", "lindo o Sawyer", "lá vai o Locke fazer terapia", "coitado do doutor, deixa ele descansar". Mas o melhor de dividir "Lost" com a patroa é que temos um momento a mais juntas, que não precisam ser exatamente em volta de discussões sobre minhas problemáticas. É como se voltássemos a nossa antiga rotina de ir ao cinema todas as semanas. Porém, agora com um diferencial: eu não faço por "peninha" - como às vezes eu sentia, de maneira bem egoísta -, e sim por de fato adorar esses instantes.

Posso ser uma geek que prefere uma noite de "Lost" com minha mãe a uma visita ao bar ao lado da faculdade (até porque não estou mais podendo beber, o que trará outro post num futuro, tenho certeza). Mas é poder dividir isso com a patroa que ajuda mais, e me faz mais feliz. Eu a tenho ao meu lado. É a garantia da minha vida.



¬ rei leão - ciclo da vida.mp3

5 comentários:

Anderson disse...

great post.
sobre aquele coisa de escrever com outros nomes... vc. me deu umas idéias... mas, por hora, não passam de idéias.
bjmetwitta.

Ava disse...

que lindo, que bom, que bom, que bom, que alivio tremendo ler isso. amo tanto voces. ai que saudade da pega

Alexandre disse...

Também estou no seriado aqui, mas com Seinfeld. Sempre dou uma revisitada.

Anana disse...

que delícia. saudades de compartilhar House com a minha velha.... boa sorte na sua jornada, dude!!!!

DANIELA disse...

Lindo seu post...

Minha mãe ainda não descobriu o Sawyer... Mas já 'paga pau' pro Wolverine... rsrsrsrsrsrsr :-)