
Falar sobre machos na sessão "Ah se eu pegasse" é muito fácil. Porém, limitar a homenagem somente a bons homens/atores não é justo, afinal, há atrizes que também oferecem inspiração, apenas em outro âmbito. Com isso, iniciamos aqui mais uma sessão: As musas do Cinema. E é claro que a diva Bette Davis merece ser a primeira da lista.

Bette está na minha vida desde pequena, por meio da famosa canção de Kim Carnes, "Bette Davis Eyes". Embora eu entendesse a mulher descrita na música - aquela que pode dominar qualquer rapazote com um básico olhar -, não conseguia compreender o porquê do uso de Bette Davis. Sim, sabia que era uma atriz famosa do começo do século passado, mas por que raios tanta ênfase em seus olhos?

Quando eu, Ava e mamãe resolvemos entrar na fase "vamos assistir filmes clássicos", iniciamos com "A Malvada". Logo em sua primeira cena, Bette acende um cigarro e observa com rancor a mocinha aparentemente indefesa que discursava no palco. Bastou essa cena para enfim eu entender o significado dos olhos de Bette Davis. Ela já havia me dominado. Desde então, viramos as clientes da locadora que chegavam com um único pedido: "Pega todos os filmes da Bette que tem aí".

Nos divertimos com suas maldades em "O aniversário", "Nas garras do ódio" e "O que terá acontecido a Baby Jane?" (meu preferido), a maneira nada simpática de tratar os amantes em "Escravos do desejo" e "A carta", seu cinismo em "Alguém morreu no meu lugar", a decadência irônica em "Lágrimas Amargas", e sua espetacular jogada de vaso como forma de vingança em "Com a maldade na alma", que rendeu urros de emoção por parte da família - e tenho certeza que, quem nos ouviu, acreditou que estávamos assistindo a uma final decisiva de futebol.
Todos esses filmes, e outros milhares em sua formidável filmografia, nos garantiram não apenas horas de diversão, mas também a contestação de que Bette Davis é realmente uma das melhores atrizes da história da Sétima Arte. Suas performances são repletas de nuances que, muitas vezes, são transmitidas somente por seu notório olhar, ou pelo "simples" ato de acender seu cigarrinho característico (nunca esquecerei a cena em que ela, aflita, procura por um maço em "Alguém morreu no meu lugar"). Para Bette, palavras não são necessárias - e quando são, se provam tão desconcertantes que não resta muito se não rir.

Bette, por não ser considerada a típica beleza hollywoodiana (não sei porque, pois a acho linda!), se entregava a seus papéis com uma dedicação impressionante, e isso se manisfesta em cada película. Contudo, mais do que atuações fantásticas, Bette também era um exemplo de mujer. Sua trajetória de vida é inspiradora, e a forma como se mostrava forte e independente já era um grito pela liberdade feminina mesmo em uma época na qual as mulheres não possuíam lá tanto poder.
Por essas razões, Bette Davis é musa. Talvez a maior delas. Bette, eu quero ser você quando crescer!
4 comentários:
Quem dera eu possuir tais olhos. Divina. Realmente, A Musa. Quero ser Bette Davis quando crescer. [2]
Realmente, ela possui um daqueles olhares fulminantes. E eu descobri esses tempos que essa música era a nº1 na Billboard na data do meu nascimento. Então Bette e eu temos algo em comum. rs
Só vi dois filmes dela - e nenhum era A Malvada. Dos filmes, em particular, não gostei muito. Mas as atuações dela eram ótimas.
ah, nem... não suporto mulher q fuma. com ou sem olhos da bette davis.
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