Uma amiga de infância vai se casar em outubro. Em fevereiro, ela liga solicitando um café terapêutico com urgência, pois descobrira que o futuro marido estava a "corneando" por anos. Cinco meses depois, outro café, e ela diz: "Vou me casar mesmo assim". Se fosse pelos motivos certos, eu me calava, mas não. Ela vai se casar porque não tem mais ninguém exceto o sujeito.
Perante isso, não sei se a estapeio ou se fico com pena. Cá está uma moça que tinha tudo para ser uma mulher sensacional vivendo completamente em função do noivo otário. Fez a faculdade dele, trabalha no mesmo local que ele, seus amigos são amigos dele, ela sai para os bares que ele escolhe. Em suma, ela não possui voz, e a culpa é puramente dela, que se prestou a tal papel desde o início. Ela não está segura quanto o casório, passa os dias com o fantasma do chifre, e ainda assim subirá no altar e jurará amor eterno.
E cá estou eu, alguém que não aceita esse tipo de comportamento. Talvez isso seja o resultado da criação da minha mãe, que sempre colocou em minha cachola que depender de macho é o fim. Em pleno século 21, ainda há mulheres que agem como se estivessem na década de 20, por puro medo de ficar só, por estar acostumada a um tipo de relação, por ter se afastado de tudo e de todos por causa do "parceiro" - sim, entre aspas, pois isso, no meu ponto de vista, não é parceria, e sim escravidão. É ser mulher de malandro sem apanhar.
Por outro lado, também não posso condená-la, uma vez que nunca estive em igual situação. O que me faz pensar: Será que eu chegaria a esse ponto? De negar meu eu por causa de um homem? Prefiro acreditar que não.
A meu ver, há uma enorme diferença entre se doar ao amado e ser uma extensão dele. Dividir opiniões é aceitável, mudá-las para se igualar é burrice. Sim, creio que isso é uma burrice danada. Evidente que há mulheres como minha ex-chefe, que era ameaçada pelo marido cada vez que ela cogitava o divórcio e que era consumida pelo pavor de viver embaixo da ponte caso a separação de fato ocorresse. Mas para alguém que tem uma família, um emprego, um diploma se submeter a esse papelão é estupidez. Ou simplesmente falta de coragem de largar a vida a qual está acostumada para entrar em uma nova e desconhecida.
Assim, fica o aviso: Se um dia vocês verem que estou assim, me internem. Minto, não precisa. Eu provavelmente me internarei por livre e espontânea vontade.
¬ beatles - yes it is.mp3
(acho que o twitter está me afetando, ou é apenas a TPM. Não consigo realizar um texto coerente)
6 comentários:
Achei mais que coerente.
E amor e dependência são de fato duas coisas absolutamente distintas. Acho triste uma situação assim.
Olha, suas colocações são totalmente corretas. Show de texto.
O seu português é lindo.
Emociona a gente até na tragédia.
esse tipo de coisa tb me deixa p... da vida! mas é fogo julgar.. sei lá.. tem gente que é dependente de tudo.. carro, chocolate, vibrador, namorado, marido. Só posso lamentar por sua amiga. Afinal, além de assinar o casamento ela estará assinando o atestado de corna pra sempre.
Concordo em tudo, inclusive já escrevi sobre isso. É por essas e outras que caminho rumo aos 30 anos convicta de minha solteirice!
Bom, façamos de conta que sentamos no bar ou café e fofoquemos.
Por mais que não me identifique com você no quesito amar comédias românticas açucaradas, ter amores platônicos, e gostas de "D.R's" , leio tudo numa estranheza de gostar. Adoro vir aqui, você escreve tudo de uma boniteza tão simples que chega ser divina.
No quesito ser mulher, sou muito mais assustadora que atraente, porque sei o que quero sem mimimi.
Quero SIM gostar de alguém e querer ficar com, e como sempre digo, no dia que achar esse mancebo que seja mais homem que eu, caso e lavo as cuecas deles com um sorriso no rosto.
Mas, NÃO, NÃO quero PRECISAR de alguém. Acho que aprendi isso de mãe e de vó. Acredito que precisar de alguém, não é amor, é uma sobrecarga, para quem sente a precisão e para quem precisa.
O meu amor tem a mesma função prática da arte.
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