sábado, 7 de novembro de 2009

FlashForward - É pra agora ou pra viagem?


"FlashForward", novo seriado que tem Joseph Fiennes e Dominic Monaghan no elenco, teve um marketing do cacete. Vendido como "o novo Lost", é claro que os fãs desse, como moi, cairiam facinho na rede, uma vez que "Lost" está para acabar. O problema é que toda a alegria de "FlashForward" vai embora já no segundo episódio.

A trama até que é boa: Um belo dia, um blackout geral faz com que todo mundo (literalmente) fique inconsciente, assim, a troco de nada. Durante esse desmaio involuntário e global, as pessoas tiveram uma visão do que acontecerá daqui a seis meses. Assim é criada a denominação "flashforward" - um vislumbre de seu exato momento no futuro, dia 29 de abril de 2010, por dois minutos e dezessete segundos.


Aí entra a confusão. Mark, um agente do FBI muito do esperto, está estudando as pistas de um caso relacionado ao blackout enquanto usufrui de um whisky, embora esteja limpo há algum tempo. Sua mulher, Olivia, se viu de camisola falando um "oi" amoroso para um sujeito que nunca viu na vida. O padrinho de AA do Mark viu sua filha morta vivinha da silva. O parceiro japa do Mark não viu nada. E o chefão do FBI se viu cagando no banheiro.

É óbvio que os super-FBI's farão uma investigação sobre o caso, baseando-se na visão de Mark. E todos ficam muito loucos sem saber o que fazer e o que pensar desses flashforwards.

Sim, a trama é bacanuda. É impossível não pensar o que você faria se tivesse a oportunidade de ver o que você estará fazendo daqui a seis meses. Apesar de alguns, como o chefão do FBI, não ter um flashforward significativo, outros, como o parceiro japa e a moça lésbica que se viu grávida, tem todo motivo para se preocupar. Particularmente, eu ficaria doida, em especial se aquilo que vi fosse algo muito ruim ou apenas mais-do-mesmo.


Ou seja, a premissa do seriado está feita. Pena que os roteiristas insistem em explicar tudinho como se o telespectador fosse criança ou tivesse uma memória falha - afinal, o que explica as inúmeras repetições de flashforwards que já vimos? Ah, para falar que isso está sempre presente nas mentes dos personagens? Ora, isso funcionaria num livro, mas não num seriado em que cada minuto é precioso. Além disso, os ganchos nos finais dos episódios não são suficientes para que você pense "uhú, 'tô doido que chegue semana que vem!". Isso sem contar as atuações: Sou fã de Joseph e Dominic, porém, até agora nenhum conseguiu mostrar aquele "quê" a mais que sempre conseguiram, o que ressalta a limitação do roteiro.

No entanto, mais do que isso, "FlashForward" é aquele tipo de seriado que você nunca sabe se vai ou se fica. Enquanto em alguns momentos você pensa "agora vai!", esse pensamento logo é destruído e substituído por uma terrível frustração.

Ainda assim, por algum motivo inexplicável, eu continuo a ver cada episódio. Talvez eu esteja envolvida num otimismo exarcebado, com esperanças de uma melhora. Mas a impressão continua a mesma: é possível que "FlashForward" funcione na TV, sem muitas pretensões. Aliás, creio que é isso o grande problema - pretensão demais. "FlashForward" não é "Lost" nem aqui nem na ilha. Se eles pararem de querer mostrar sua grande sacada, aí sim, a coisa engata.

Pelo menos, é o que eu espero.

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