sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A troco, Senhor


Estava cá pensando com meus botões sobre essa história toda de Cecilia, Lilya e o escambau. E então concluí: eu só posso ser louca.

Não entendo exatamente o motivo pelo qual sinto a necessidade de escrever sob (sobre?) um pseudônimo. Talvez seja a voz da razão, digo, mamãe, que sempre me alertou sobre os perigos da Internet. Desde que me entendo por gente - e não faz muito tempo -, utilizo um nome qualquer para adentrar na Rede Mundial de Computadores. Quando por ventura escrevi com meu nome-RG, senti uma leve inquietação, como se todos meus segredos estivessem expostos.

Porém, aí é que está: o que raios tenho para esconder? Uma aventura amorosa? O tal projeto de síndrome do pânico? Oras, eu sou o tipo de pessoa que troca histórias de vida com mulheres no consultório médico. Bastou a pessoa que está sentada ao meu lado puxar assunto que, quando dou por mim, estou a falar as famigeradas orações: "uma vez aconteceu isso comigo...".

Portanto, a troco de que tanto medinho? Honestamente, não sei. Talvez eu ainda não seja madura o suficiente para escancarar as minhas partes horrorosas (algo que, graças a terapeuta sacana, venho descobrindo que não são poucas). Talvez seja a velha questão exposta nas aulas de Análise do Discurso - assim que uma palavra sai, perde-se o total controle sobre a mesma. Talvez o pseudônimo me dê esse controle e, como boa control freak, não consigo largar o osso.

Vai saber. O que de fato sei é que, uma vez escondida por um pseudônimo, as palavras fluem rápida e levemente. Um dia, quem sabe, eu consiga me desvincilhar dos anos e anos de nomes alheios que adoto para mim mesma. E um dia, quem sabe, eu consiga entender o porquê passei tanto tempo nessa vida de divisões.

2 comentários:

NiNah disse...

Hummm.
Putz, penso a mesma coisa.
As coisas fluem melhor. rsss
Bjos moça

Cristina disse...

Sabe que eu nunca consegui um alter-ego eficiente. Uma vez me enchi do orkut e deletei meu perfil, mas (a louca) fiquei c/ um fake, adicionando outros fakes de amigos e entrando em toda e qquer comunidade que achasse legal. Essa vida paralela durou uns 3 meses, só.