
Enquanto meio mundo realiza listas de melhores e piores da década, eu só faço pensar nas transformações absurdas que ocorreram nesse período 2000-2009 - comigo, lógico.
Pois em 2000 eu tinha 14 anos e fui para a Disney. Lá perdi o medo de andar de montanha russa, e com isso descobri o que é sentir a adrenalina pulsante liberada num grito. Também perdi o medo de falar inglês, e então passaria a aproveitar as aulinhas de terça-e-quinta-à-tarde. Tomei meu primeiro porre num show do Beatles Cover. Era o auge do Backstreet Boys e eu assinava "Littrell", sonhando que um dia poderia casar e ter filhos com o Brian.
Em 2001, aos 15, o Nsync roubava o lugar do Backstreet Boys no meu coração, mas em vez de achar que casaria com o JC, eu só queria dar para ele. Foi quando tive minha primeira noção de hômi. Também percebi, graças ao Rock in Rio III, que ir a um show pode ser a melhor experiência da vida. Os amiguinhos da escola definiam minha existência. Em meio a isso, vivi na pele o amor incondicional que há entre um cão e seu dono, a medida que a adoração pela minha Pretinha aumentava.
Em 2002, aos 16, os amigos já não faziam tanto sentido e minha paciência ia se esgotando, abrindo a porteira para o monstro que me revisitaria por várias vezes nos anos seguintes. Perdi o famigerado BV ao beijar um moleque numa matinê, para a vergonha e completa revolta do meu lado romântico. Tirei minha primeira nota baixa, e percebi que sou uma péssima perdedora. Saí da escola que estudei a vida toda, mandando o professor safado de Química catar coquinho.
Em 2003, aos 17, me vi sozinha numa escola nova. Havia ainda a pressão do vestibular - a esse, respondia calorosamente: "Nem fodendo". Perdi laços antigos de amizade e dei nós em outros, que seguiriam até hoje. Me formei sem pagar um centavo pela festa, e saí correndo da colação assim que falaram "Parabéns", indo chorar as pitangas do Ensino Médio tenebroso ao som de John Mayer.
Entre 2004 e 2005, já legalmente cidadã brasileira com 18 anos, fiz questão de encher a cara todo dia, ao som de Chico Buarque e toneladas de rock 'n' roll para compensar. Dei adeus a virgindade, virei moça danada e pegava um sujeito a cada semana, muitos dos quais não me recordo. Trabalhei em locadoras e vi todos os filmes possíveis e imagináveis. Fiz cursinho, mas não ia as aulas e, da mesma forma, tentei em vão passar na Fuvest. E então, aos 19 anos, arrumei as malas e parti para New York City por um mês. E me apaixonei pelo primeiro homem que passou na minha frente: um bartender irlandês. Novamente enchi a cara e perdi o pouco de amor próprio que restava ao persegui-lo pelas ruas da Grande Maçã ao som de Jason Mraz. Em momentos de desespero, recorria a Bethesda Fountain e descobri que havia em mim um pouco de fé. Retornei, e amei - o que provaria a minha inabilidade no quesito afetivo.
Daí que em 2006, aos 20 anos, cedendo às pressões da mãe que cansara de me ver na vida boêmia, acabei entrando numa Universidade. E concordemos, não é necessário falar mais sobre essa verdadeira provação, para evitar a redundância e polêmicas. Desses, a faculdade já me deu o bastante. Mas trabalhei no melhor emprego ever, e conheci pessoas que deram luz à escuridão.
E assim chegamos ao presente, aos 24 anos, no fim dessa década e principalmente desse ano do capeta que foi 2009. Em dez anos, amei, desamei, fui biscate, fui frígida, fui biscate de novo. Ri e chorei com a mesma intensidade. Vi shows maravilhosos, assisti a filmes e seriados reveladores, ouvi músicas que elevaram a alma. Visitei lugares que foram além do simples turismo. Engordei, emagreci, engordei mais ainda. Quis matar, trucidar, escalpar indivíduos da mesma forma que quis abraçar, beijar e fazer cafuné. Perdi a paciência, a dignidade, o respeito, a auto-estima, a liberdade. Encontrei alguns desses novamente, e outros ainda busco. Tive medo, muito medo. Ora, até levei um soco na cara.
Mas cá estou, vai saber como. E se tudo der certo, daqui a 10 anos lerei esse texto e pensarei: "como eu era bobinha".
4 comentários:
Eu tinha pensado em fazer uma retrospectiva da década também, só que menos detalhista. Aí, desisti rs.
beijo!
Amiga adorei a restropectiva....
Caramba...Já se foi uma década...
e tanto aconteceu em nossas vidas também...Anos intensos.
Em algum ponto desses anos aí eu te conheci...2000 ou 2001 sei lá... Só sei que me sinto velhinha quando eu penso em relação ás nossas idades.
Tenho certeza que 2010 será um ano mágico e maravilhoso...
Pelo menos assim espero
Beijos minha linda
FELIZ NATAL!!!!!!!
tudo passa, tudo se transforma.
com certeza daqui a 10 anos vc vai ler o texto e pensar "eu era bem madura, hoje sou mais ainda!"
luvya dude! happy 2010!
Feliz 2010 querida!
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