Dia 31 de dezembro de 2009. Após queimar o papel no qual escrevi tudo de mal que ocorrera durante o ano, preparo meu banho de sete ervas, comprado de uma senhora que possivelmente recebe santos nas horas vagas. Ela me garantiu que o banho servia para tudo, desde conseguir emprego até afastar mau olhado. Sabendo que aquilo não era suficiente para deixar o ano do capeta definitivamente para trás, peguei a solução de "discarga total" [sic], adquirido pela minha irmã no mercado Ver-o-peso de Belém do Pará. Foi somente depois de ter jogado metade da garrafa na minha cabeça que percebei que o tal produto continha amoníaco, e prontamente concluí que 2009 decidiu pregar a última peça - uma overdose. Saí do banho, vesti a calcinha amarela para atrair dinheiro e meu vestido colorido para atrair todo o resto e, completando as simpatias, recorri a outra solução do Ver-o-peso: o "chama amor". Então fui pular ondinhas e jogar flores para Iemanjá.
Como visto, fiz tudo que estava a meu alcance para garantir boas vibrações para 2010. Não basta ter vontade, tem que participar. Mas o ano começou e eu me vi perdida. "E agora, José?" é a pergunta que reina. Afinal, estou formada e desempregada, portanto, nada que ocupe o tempo. Sem ter The Sims, um seriado para me envolver e não ter conseguido baixar os filmes da temporada, não há porra alguma para fazer. E eu não sou boa com tempo sobrando. É apenas uma questão de tempo até que eu me jogue na cama e só saia de lá para saciar as necessidades fisiológicas. Assim, inventei de fazer um curso preparatório para certificado de Inglês e aula de dança. Com isso resolvido, tive que buscar algo a mais. E lá vou eu fazer cadastro no Vagas.com.br.
Tudo estava sob controle. No entanto, fui dominada por um espírito empreendedor e fiz cadastro em tudo quanto é site de busca de empregos. Catho, Curriculum, Empregos, you name it. Passei a última semana enlouquecida enviando currículos para meio mundo. Já mandei para tanto lugar que prevejo o momento em que um desses sites me avisará que não tenho mais direito de me candidatar a lugar algum por ter expirado o limite.
Nesse meio tempo, consegui uma entrevista longe pra burro, na qual ainda estou decidindo se vou ou não (o que me faz pensar que ou sou influenciável demais, ou teimosa demais). Outro empregador me ligou dizendo que se eu morasse em São Paulo já estaria contratada. Mas vi que era hora de parar um pouco quando um sujeito me liga e diz "essa vaga é para deficiente". Sim, eu mandei currículo para uma vaga de deficiente. É o cúmulo da loucura. Eu devia estar tão maluca que sabe-lá-Deus quantos currículos enviei para vagas que nada tem a ver comigo.
É hora de parar e esperar acontecer. Já está tudo aí no mundo, só falta alguém ver e se interessar. É aceitar o pensamento John Locke e saber que, se está predestinado, vai ocorrer naturalmente. Não posso forçar mais do que o aceitável. Porém, isso não diminui o desespero que é desejar algo que poderá ser a salvação de uma nova profundeza sem fim, e o começo de algo que abrirá portas para tudo aquilo que quero fazer. Então está aí meu pedido:
Oi, Universo, tudo bem? Meu nome é Cecília, 24 anos, e arrebento no Pacote Office. Meu inglês é resultado de seriados, filmes e dez anos de estudo, logo, pode me jogar para falar com um americano que o farei sem problemas. Sou a rainha do atendimento ao cliente, constantemente me envolvendo até demais com eles, pois acho bacana ter ajudado alguém a solucionar algo. Sou quase diagnosticada com TOC, o que confere uma tendência a ser organizada e certinha. Adoro um arquivo bagunçada que precisa de uma revisão urgente. A faculdade de Letras me deu o domínio da Língua Portuguesa, embora não aceite a reforma ortográfica por gostar muito da trema. Não descanso enquanto não resolver uma determinada problemática. Erro bastante no começo, mas depois que pego no tranco sou uma profissional exemplar. Sou bacana e gosto de ambientes de trabalho - alias, esse deve ser o único lugar no qual me dou bem com pessoas, pois exerço a política da boa vizinhança de tal forma que viro aquela pessoa que todo mundo quer adicionar no Orkut. Enfim, 'tô aqui para o que for preciso. Pode contar comigo.
Agradeço desde já a atenção.
2 comentários:
Seja bem-vinda ao mundo do pós-facul. :)
E tenha paciência, comadre.
Eu, por ex., 'tou num limbo do cacete agora. Mas sabe como é, sou brasileira e não desisto nunca feelings.
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