quarta-feira, 10 de março de 2010

Bárbara, a torturadora


Não é novidade que giletes me deixam cheia de marquinhas e que as "feridas" consequentes de uma sessão raspa-raspa não são nada bacanas. Desde meus doze anos sofro com tal problema - e não é apenas uma questão de beleza, mas sim de tratar bem minha carcaça debilitada e alérgica. Aproveitando então a mais recente visita à dermatologista, resolvi: vou fazer depilação.

Por puro medo, eu nunca me depilei. Por ter um largo grupo de mulheres ao meu redor, são anos ouvindo relatos da dor que é a depilação. No entanto, também ouvi depoimentos a favor do procedimento: a alegria de ficar lisinha, a despreocupação com o crescimento dos pêlos por semanas, o bem que faz à pele. Além disso, nada poderia ser pior que uma consulta no ginecologista, né? Então concluí: ora, por que não tentar? Agora é a hora. Afinal, estou praticamente a monga.

Chegando lá, Bárbara, a depiladora, me encaminha a uma sala cortada por uma divisória. Ao entrar, dei de cara com uma mulher deitada com as pernas abertas, sem calcinha, lendo uma revista como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo. Com um pouco de vergonha - a vergonha que sempre fico de me despir na frente de estranhos sem que haja algo sexual envolvido -, levantei meu vestido, deitei na "maca" e observei Bárbara se preparando para seu trabalho.

- Vai fazer o quê, amor?
- Bem... Hãn... Perna e virilha.
- Perna inteira? Você tem pouco pelinhos na coxa! Acho que não precisa.
(por um minuto, acreditei que Bárbara seria minha cúmplice)
- Então tudo bem, só meia perna e virilha.
- Cavada?
- Oi?
- Virilha cavada?
- Hãn... É, pode ser.

Com a rapidez de uma profissional, Bárbara passa a cera, tira a cera, joga um talquinho e prossegue sem ao menos perguntar se está tudo bem. E assim que ela partiu para a virilha, percebi que havia cometido um erro gravíssimo ao solicitar a opção cavada.

Veja bem, eu já retirei quatro cisos. Já fiz mamografia. Já fiz uns três exames ginecológicos nada agradáveis. Já reconstruí minha orelha numa cirurgia. Já fiz quatro tatuagens, uma dessas no pulso. Já levei soco. E nenhum desses doeu mais que a depilação na virilha. Em todo momento ri de nervoso, pensando: "calma, Cecilia, é para um bem maior. Sua pele agradece. Suas alergias diminuirão". Mas se até ali eu mantive o pensamento positivo, tudo foi para os ares quando Bárbara, dona de um perfeccionismo irritante, pegou uma pinça e passou a buscar por pontos em que a cera não chegaria.

Então eu quis gritar. Quis xingá-la de mal amada, que ela só faz aquilo porque queria ser homem e precisa se vingar de alguma forma. Por um momento senti lágrimas virem, e quando já estava prestes a levantar e sair correndo dali, com o trabalho não finalizado, ela vira com a maior simplicidade, abandonando o semblante sério, e diz com amor:

- Pronto, querida! É assim na primeira vez, na próxima você nem vai sentir.

Querida? Querida é o caralho! Sua maldita, você não ama seu semelhante. O que você acaba de fazer é uma sessão de tortura, uma tortura que sequer o exército do Iraque realiza. E nem fodendo que haverá uma próxima vez. Nem aqui nem na China, meu bem! Só volto aqui se inventarem anestesia geral para depilação, ou no mínimo dopada de Rivotril. Isso não se faz! Devia ser proibido por lei!

Mas que eu estou linda, estou. Ah, Deus, o que um vislumbre de vaidade não faz. Ser mulher é foda.

4 comentários:

Tatiana disse...

Tenho vontade de morrer toda vez. Mas pra mim o que mais dói é a canela, veja só. Sei lá que diabos tenho nas canelas.
Só não agredi a Fátima ainda porque sempre me esforço pra meditar, evitando assim algumas lagriminhas.

Laurent disse...

HAHA.

O bom de ser homem é não ter que me preocupar com essas coisas.

Mulher sofre, mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, né?

Get dressed for success! ;)

Anômima disse...

Nunca em minha vida faço uma coisa dessas.

Cristina disse...

Tá loco, eu tbém não faço isso nem que me paguem.