domingo, 7 de março de 2010

Oscar!


Faz quase três meses que não passo por aqui. Preguiça? Muito Big Brother na cabeça? Bloqueio criativo? Ou todos esses motivos reunidos? Não importa. O negócio é que o Oscar é hoje, e eu não tracei um comentáriozinho.

Admito que nesse ano fui negligente. Embora tenha assistido aos dez filmes indicados na categoria principal, não pude ver o restante, seja por falta de torrent ou por estar tão absorta em minhas neuroses pós-formatura que acabei preenchendo as noites enviando currículos para meio mundo. No entanto, a wannabe-Rubens-Ewald em mim não poderia deixar de, pelo menos, mostrar minha torcida. Nesse Oscar, não estarei tão fervorosa como no ano passado (hello, Kate Winslet!), especialmente porque foram poucos os filmes que pude dizer um animado "caralho!". Desse modo, falarei apenas dos Melhores Filmes - de acordo com a Academia, né?



1) Avatar

Assisti "Avatar", versão 3D, duas vezes: na primeira, estava bêbada com a-melhor-amiga em uma sessão lotada à noite, e na segunda, estava sóbria, acompanhada de mamãe e irmã, numa sessão vazia à tarde. Se na primeira oportunidade eu fiquei completamente alucinada por Pandora, na segunda, percebi uma leve queda no parâmetro de gosto. Veja bem, eu gosto de filmes desse estilo, pois são em geral uma metáfora ambulante desse mundo danado. A história, por mais politicamente correta que seja, me deixou emocionada e conturbada. Porém, "Avatar" é mais espetáculo do que qualquer outra coisa - algo explicitado pela maneira como me comportei na primeira sessão. Eu não estava assistindo a um filme, estava num show. Tenho nada contra filmes-espetáculo, tampouco contra James Cameron (pois ele foi de algum modo responsável por meu amor pelo Cinema), mas no final de contas, o que fica, a sensação de um show ou o impacto da história? Se por um lado tudo que quero agora é passar umas férias na selva dos Navi, por outro, senti falta de algo além. "Avatar" é o grande favorito de hoje, e ficarei contente se ganhar, mas darei pulinhos de felicidade se o filme a seguir for o grande campeão.



2) Guerra ao Terror

De "Band of Brothers" a "Soldado Anônimo", acho interessantíssimo o estudo psicológico de personagens de filmes de guerra: homens que vivem em constante tensão em nome de algo que todos sabemos ser uma tremenda sacanagem. Por essa razão, "Guerra ao Terror" me fascinou tanto. Temos aqui um sujeito (o incrível Jeremy Renner, que merecia levar o prêmio de Melhor Ator) que encontrou sua casa nesse ambiente terrível, preferindo-o a uma vidinha pacata. A guerra é a sua razão de viver, e na cena em que o sargento William James "conversa" com seu filhote, isso fica tão claro que não pude deixar de me emocionar, pois ao mesmo tempo que o julguei por "abandonar" a família, também o compreendi - o que, a meu ver, é o grande mérito do filme: fazer com que o espectador pense, lá no fundinho, que ele tem mais é que voltar ao campo de batalha. Afinal, se é ali que reside sua felicidade, se joga, né? Por essas e por outras (o psicólogo, o jovem soldado em crise, a ponta de Ralph Fiennes, a cena da bomba no carro que quase me fez ter um infarto, a direção fabulosa da mulher-macha Kathryn Bigelow), "Guerra ao Terror" é meu favorito ao prêmio principal. Mas se vier Direção, 'tá ótimo.



3) Bastardos Inglórios

Desculpa aí, Tarantino, mas sua obra-prima continua sendo "Pulp Fiction", com "Kill Bill" correndo pelas beiradas. Por mais que tenha amado a saga dos Bastardos, e que seja sim um grande filme, com um roteiro fabuloso e uma atuação maravilhosa de Christoph Waltz - que deixou todo mundo cagando nas calças -, faltou aquele "quê" para desbancar a genialidade de "Pulp Fiction". Não sei explicar qual seria essa pontinha a mais, pois não consegui identificá-la. Talvez seja porquê o grupo do título tenha virado coadjuvante quando não deveria. Ou talvez a pretensão de Tarantino tenha sido demais. Eu já sei que você é maravilhoso, não precisa ficar estampando na minha cara. Mas vai lá e pega seu prêmio de Melhor Roteiro, que é de fato merecido.



4) Preciosa

"Preciosa" acabou com minha raça, e a de qualquer pessoa que se aventurou a assistir esse verdadeiro banquete de depressão, que evidencia aquela velha máxima: "tem sempre alguém pior que você". Claro, você pode reclamar de seus problemas, mas é a pobre Precious que sofre feito diabo na mão daquela que é sua mãe apenas no DNA. Uma menina, com dois filhos, vítima de estupro, de violência, sem educação, em suma, na merda, Precious não deixa de sonhar com uma vida melhor, e são suas ilusões que permitem um toque de leveza - mas só um tiquinho. Ainda assim, a cena final deixa uma esperança no ar, e o coração do espectador menos preocupado: ela está pronta para encarar o mundo, pois nada poderia ser pior do que aquilo que ela já passou. Um belo filme, com duas grandes interpretações (alguém duvida que Mo'nique ganha Melhor Atriz Coadjuvante? Justíssimo!). Apenas acho que não verei novamente, pois falta-me o estômago. Tipo "Amores Brutos": amo, mas longe de mim.



5) Amor Sem Escalas

Não possuo palavras para falar sobre esse filme, e sua significância certeira, uma vez que estou naquela fase de acreditar que um emprego bacana é a solução de todos os problemas, inclusive os emocionais e afetivos. Ai minha mochilinha!



6) Um Homem Sério

Um filme que pode não levar prêmio algum, mas que mexeu comigo profundamente. Não sou judia, sequer conheço muito sobre os dogmas dessa religião, porém, as questões existenciais levantadas pelo pobre Larry Gopnik (interpretado brilhantemente por Michael Sthlbarg) vão além da teologia. Ora, quem nunca se perguntou do porquê raios está aqui, se seus esforços para ser uma boa pessoa - "um homem sério" - valem alguma coisa, e pensou que tudo de ruim que acontece é uma série de testes que faz você dar um tapa na submissão perante algo maior que não se sabe bem o que é? Tais indagações do protagonista caminham diretamente para as nossas cabeças. Era sete da manhã quando terminei de assistir a "Um Homem Sério" e fiquei perambulando pela casa, perturbada com essas questões. E qualquer filme que me deixa nesse estado vale mais que uma bilheteria mundial gigantesca.



7) Up - Altas Aventuras

Apesar de ainda preferir "Wall-E", e acreditar que "Up" perde um pouco de seu brilho após a aparição de um "vilão" meio capenga, é a sensibilidade com a qual o filme lida com a vida de um homem que carrega o peso (literalmente) de seu apego a coisas passadas que vale. É impossível não ficar mimimi com a tragetória de Carl Fredricksen e seu amor incondicional pela esposa. E concordemos, aqueles cachorros falantes são sensacionais.



8) Distrito 9

No começo de "Distrito 9", fiquei com tanto medo e nojinho dos "camarões" que liguei a luz do abajur (#shameonme, pensei depois). Mas já naquela sequência final, eu estava aos prantos, desesperada, gritando "corre, Christopher! Seu filho está lá!". Além disso, fiquei dividida entre a raiva e a compreensão/tristeza diante do pateta Wikus Van De Merwe - raiva porque, porra, o Christopher está te ajudando, cadê a lealdade, seu humano egoísta; e compreensão e tristeza porque, porra, o cara só quer se livrar dessa "praga" que o assolou, voltar para a esposa e não ser visto como um freak. E se até essa sequência eu ainda estava dividida, a última cena foi o suficiente para esquecer dos sentimentos prévios. Um filme lindo, de simbolismo gritante, que infelizmente só está entre os indicados porque abriram mais espaço.



9) Um Sonho Possível

Até agora não entendi o motivo pelo qual esse filme está entre os indicados. Não tinha nada melhor? Talvez não. Para mim, é exagero. É bacaninha? Sim. Sandra Bullock está bem? Sim, mas nada tão fantástico. "Um Sonho Possível" é um filme Sessão da Tarde que chegou longe, mas daqui a um ano, quando os indicados a Melhor Filme 2011 forem anunciados, ninguém lembrará que esse estava entre os 10. Eu, que assisti há algumas semanas, já esqueci.



10) Educação

Um pensamento me ocorreu após o término de "Educação": Já estou formada, posso me casar agora? Me desculpe, posso até estar errada e esse ser um pensamento imensamente machista e conservador, mas continuo acreditando que uma mulher ainda tem que escolher entre o casamento e a universidade. Ou pelo menos, ter em mente que ser uma profissional de sucesso tornará a chance de um casamento um pouco mais difícil, visto que muitos homens por aí ficam com medinho de mulheres independentes. Uma moça, casada e mãe, certa vez me disse: "Eu só estou na faculdade para dizer que tenho alguma coisa". Outra, solteira, exaltou: "Só estou na faculdade porque não arranjei um marido". Quando criança aprendi que seria uma zé-ninguém se não tivesse uma faculdade, mas basta falar que um determinado sujeito não tem estabilidade que minha mãe profere que nem vale a pena investir nele, já que ele tem nada a me oferecer. Ou seja, como é que fica? Seja lá como for, fica a dica: Cuidado, garotas, homens com lábia à vista! E Carey Mulligan é fofa, mas com cara de fuinha. E Peter Saarsgaard continua extremamente pica.

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Resumindo, meu Brasil: Vamo que vamo, "Guerra ao terror"!


Fotos retiradas do Cinema em Cena. Os demais indicados, aqui óh.

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