Responda sinceramente: Você dá importância para a opinião alheia? Não digo a opinião da sociedade, dos transeuntes, do tiozinho da padaria. Digo dos pais, irmãos, amigos, professores, ou qualquer outro indivíduo que possua algum significado na sua vida. Digo daqueles a quem você recorre na famigerada hora que o bicho pega.
Pois eu não só me importo com tais opiniões, como vivo em função delas. Minhas ex-terapeutas e a melhor-amiga falavam repetidamente que era necessário um toque de egoísmo da minha parte, pois eu perdia um tempo valioso me colocando no lugar dos outros a fim de compreendê-los e acabava relevando atitudes que me magoavam profundamente. Desse modo, foram anos e anos sendo pisoteada como uma formiguinha, deixando passar desejos próprios em nome do bem-estar alheio, brigando com uns para defender outros, e permanecendo calada quando deveria ter dado um grito. Embora não me arrependa - afinal, não vejo nada demais na tentativa de entender o próximo -, devo assumir que esse tipo de comportamento é um belíssimo pé no saco, pois resulta naquele velho estado já largamente descrito aqui: a queda.
A queda provém daqueles momentos em que tento a todo custo ser aquilo que é esperado de mim pelas pessoas ao redor, mas que não atinge o sucesso. Levei um soco, ri do assunto, menti para todos sobre suas consequências, e meses depois estava entregue a um patético diagnóstico psiquiátrico. Peguei um sujeito, mantive segredo pois assim me foi requisitado, e meses depois estava ouvindo a amiga contar sobre suas aventuras sexuais com o mesmo (e essa é apenas uma das peripécias afetivas alheias). Arranjei um emprego bacana, ia para a faculdade, voltava para casa somente às 23h, e meses depois estava exausta e doente. Ora, até a Universidade não foi uma escolha pessoal. Em meio a tudo, comia feito uma desgraçada, ganhando uns 20 quilos no processo, e virei aquela tia velha fumante que chegou ao ápice de roubar dinheiro da carteira da mãe para comprar um maço a mais.
A cada tentativa, fui levada por uma infelicidade que, apesar de prosseguir dançando Luiz Caldas e contando piadinhas no café da tarde, me consome de tal forma que acabo não sendo boa para pessoa alguma (muito menos para moi). Só não perdi mais gente no caminho porque há quem persista. Desejando ser uma moça bacana, só fiz cagada e acabei engolida pelo monstro do extremo.
O negócio é que realmente não gosto do egoísmo. Não sou a Madre Teresa de Calcutá, tampouco aspiro a ser Mahatma Gandhi, porém, quando calho de pensar somente em mim, sou consumida pela culpa e caio novamente. Em suma, independente do percurso escolhido, sempre termino no mesmo local: na merda.
No entanto, esse não é mais meu objetivo. Me desculpe, mas a boa moça está cansada. Já tendo conhecido os dois lados da moeda, percebo que há uma rua sem saída em ambas as possibilidades, e estou por aqui óh de caminhar nestes trilhos. Perante a uma situação que pode ser promissora, ainda que somente para mim, caguei. É a minha hora, e me recuso a sentir culpada por isso. Fiz das tripas coração para agradar o gosto alheio e já vi que não adianta, pois nunca será o suficiente. Eu sempre serei aquela sujeita sem moral, porque assim caminhei por anos. Se sou a louca com pânico, ou a bêbada descontrolada, ou a chata que não quer sair, ou a biscate sem papas na língua, ou a preguiçosa, ou a desocupada, ou qualquer outra definição apropriada para o momento, então...
Meu cu.
3 comentários:
Gostei do texto. :)
A gente nunca agrada. E, pior, nem nos agradamos quando tentamos fazer algo por nos. Entao cansa mesmo. Ja leio esse blog ha mto tempo, mas esse texto se encaixou perfeitamente onde estou agora. Mto bom!
Me identifico. Sofri por muito tempo por ser assim, me calando e me preocupando c/ os outros em demasia. Já consegui mudar bastante, mas é um processo, né? Quisera chutar o balde de uma forma tão drástica que ninguém iria me reconhecer. "Aí eu quero ver". ;)
Postar um comentário