
Dia desses, relatei em meu blogzinho sobre a mais recente paixão hollywoodiana, Alexander Skarsgard. Mas o monumento sueco foi apenas um dos presentes que "True Blood" me deu. A mistureba de gêneros, a história envolvente, a identificação ainda que indiretíssima com os personagens e, claro, os machos deliciosos, fazem da série-fenômeno da HBO o programa mais bacana na TV nos últimos tempos (até porque "Lost" já vai acabar).
Baseada na série de livros "Sookie Stackhouse Chronicles" de Charlaine Harris, "True Blood" foi criado por Alan Ball, gênio responsável pelo melhor seriado ever "Six Feet Under" e o justamente oscarizado "Beleza Americana".

A trama segue a vida de Sookie (Anna Paquin, de "O Piano" e "X-Men"), garçonete e telepata, que vive na pacata cidadezinha de Bon Temps. Um belo dia, o vampiro Bill Compton (Stephen Moyer, do seriado "The Starter Wife") aparece no boteco onde a moça trabalha, apenas para ser sequestrado por sujeitos inescrupulosos e ser salvo pela corajosa loirinha. Enquanto Sookie não consegue disfarçar sua excitação por ter um ser sobrenatural gato em sua cidade, Bill só deseja um pouco de sossego, embora esteja igualmente fascinado por aquela estranha garçonete que lê mentes, exceto as de vampiros.

Porém, nem tudo são flores, já que a relação tórrida que nasce entre os dois é mal vista pelos amigos da moça: Tara (Rutina Wesley), uma mulher danada que precisa lidar com a mãe bêbada; Sam (Sam Trammell), chefe de Sookie no Merlotte's e apaixonado pela mesma; Jason (Ryan Kwanten, do finado seriado adolescente "Summerland"), irmão mais velho da protagonista e cafajeste oficial de Bon Temps; e Lafayette (Nelsan Ellis), cozinheiro e traficante nas horas vagas.

Mas não pense que os vampirinhos vivem às escondidas - pelo contrário, eles lutam para serem inseridos à sociedade há dois anos, quando resolveram "sair do caixão" após o surgimento da bebida True Blood, que simula o sangue humano e, portanto, torna a alimentação via-mordida desnecessária. Eles também possuem seu "governo", e o xerife da região é Eric Northman (Alexander Skarsgard, da minissérie "Generation Kill"), um sujeito de mil anos que é dono da Fangtasia, a balada preferida dos dentes-afiados. É claro que a bebida é mal vista pelos vampiros, pois vai contra seus princípios, e é claro que nem todos os humanos querem que esses seres façam parte de sua vida. A partir dessa premissa, os problemas começam a surgir para Sookie e Bill.

Obviamente, é inevitável fazer uma comparação com outro fenômeno vampiresco, "Crepúsculo". No entanto, engana-se quem acha que ambos tem algo a ver - a começar pela relação do casal principal. Se Bella e Edward demoram uns três filmes para irem aos finalmentes, já no segundo capítulo de "True Blood" Sookie e Bill estão rolando na relva. Além disso, a própria composição dos vampiros se difere, uma vez que Sookie jamais se sente totalmente confortável em meio a eles, embora possua a mesma teimosia e mania de se intrometer que sua versão adolescente. E se Edward e Bill dividem a superproteção por suas amantes humanas, por outro lado Bill não hesita em dar uma bronca merecida em Sookie quando essa faz uma cagada gigantesca que os coloca em perigo.

Mas o grande "tchan" de "True Blood" sequer reside em seus protagonistas. A história constantemente é roubada por seus coadjuvantes: Jason e sua opinião dividida quanto aos vampiros, as crises existenciais de Tara, a esquisitice de Sam Merlotte, e até os personagens mais pontas como Arlene e Terry, responsáveis por boa parte das risadas. Mas é Eric Northman que fica a cada episódio mais interessante - tendo começado a série como um extra de luxo, Eric ganhou mais espaço à medida que sua curiosidade sobre a natureza de Sookie aumentou, resultando numa espécie de competição masculina entre ele e Bill para saber quem é o maioral.

Aliás, a "bacanice" desse pessoal se deve em grande parte a seus atores que, além de tesudos (e não digo apenas os machos), conseguem imprimir em suas performances dualidades que tornam aqueles seres mais complexos - mesmo quando isso nem parece ser a intenção. Esse sempre foi o forte de Alan Ball: fazer das coisas mais simplórias algo importante para seus personagens. É impossível sentir raiva de Eric até em seus momentos mais sacanas, da mesma forma que ímpetos de dar um tapa em Sookie surgem cá e lá, apesar de adorá-la desde o primeiro instante. E se em um determinado episódio chegamos a temer o aparentemente camarada vampiro Bill, é porque a cada semana aprendemos algo sobre as histórias dessa gente pirada, o que torna tudo mais mutável e inesperado.

"True Blood" consegue ser entretenimento de primeira ao mesmo tempo que lança questões pessoais e sociais (olha só a expressão usada para o surgimento dos vampiros: "sair do caixão"!). Não possui aquele famoso peso dramático de "Six Feet Under", porém, não deixa de explorá-lo quando necessário. Pode ser bizarro, estranho, e até incômodo - creio que há quem não gostará das peripécias da creepy Maryann da segunda temporada, de longe uma das personagens mais medinho que já passaram pela TV -, mas diverte até a última ponta. E, querendo ou não, ao menos é algo diferente de tudo que já vimos por aí.

A terceira temporada de "True Blood" estréia no dia 13 de junho na HBO americana - e no torrent mais próximo de você -, e os mini-episódios criados como uma espécie de "esquenta" já começaram a ser disponibilizados na internet desde a semana passada (terão mais quatro minis pela frente, até a estréia). Eu, que cheguei atrasada e fiz uma maratona para fazer valer o tempo perdido, já estou viciada e mal posso esperar para a próxima aventura que o mestre Alan Ball preparou.

E, mulheres e gays desse mundão, um conselho de amiga: preparem-se. Bill e Eric farão seus sonhos bem mais incríveis. Me leva pra Bon Temps!
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Primeiro mini-episódio, centrado em Eric e Pam - sua fiel escudeira. Chega logo, junho!
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