Mari está de volta! Sim minha gente, retornei com esplendor dos recônditos de meu casulo, e nesse período de isolamento assisti a muitos, mas muitos filmes bons. Estou agoniada para compartilhá-los com vocês (se é que alguém ainda nos lê, mas não importa: nosso prazer é blablablar).
A maioria dos filmes vistos não são lançamentos, e a sensação que tive ao finalmente aprecia-los foi de "caramba, quase passei batido por essa maravilha da sétima arte". Portanto, a partir de hoje virei aqui prosear a respeito de alguns dos que fazem parte da minha "lista de filmes que não podem deixar de ser vistos e comentados". Se você já assistiu, beleza. Se não, corra para a locadora ou site mais próximo e prepare-se para fortes emoções.
A AMIGA GABITA

Todos nós ao menos uma vez na vida já tivemos o azar de ter uma amiga Gabita. Pobres daqueles que vieram nessa encarnação pagar resgate com esse tipo, já que essa frágil mocinha é mais um transtorno que uma companheira bacana, como as amigas supostamente devem ser. Tal espécime é encontrado com maior frequência no gênero feminino, e o que me encantou no longa romeno 4 meses, 3 semanas e 2 dias foi a exatidão na qual o arquétipo dessa criatura foi desenvolvido. Mas vamos lá, explicarei melhor que raio de pessoa é essa.
A amiga Gabita é aquela que, embora doce e boa companheira, cedo ou tarde lhe trará problemas. Problemas seríssimos, eu diria, já que essa funciona como um imã para confusões em geral. Ainda que pague de independente, a amiga Gabita é desajeitada, geralmente não tem iniciativa, sendo capaz de pedir auxílio para mover um copo. Quando ela é ativa, aff! os resultados são ainda mais catastróficos, já que sua atividade é impulsiva - e desmedida - fazendo com que no final acabe sobrando tudo pra quem? Para a melhor amiga, claro. O que me faz recordar aquela máxima: com um amigo assim, quem precisa de inimigo?
Gabita não consegue tomar qualquer decisão sozinha. Por gostarmos tanto dela, acabamos tomando seus problemas como nossos, e temos a impressão que se não fizermos nada a respeito a doida vai se estrepar belamente, sendo bem capaz de te culpar por não ter ajudado. Sim, a amiga Gabita é egoísta e mal agradecida, mas não tem lá muita consciência disso, nem de coisa alguma, e por essa razão (a maioria das vezes) terminamos a perdoando, ainda que explodindo de ódio por dentro.
O filme 4 meses, 3 semanas e 2 dias não trata somente da amizade entre duas moças: tem mais babado por aí. Por não contar com trilha sonora, ter poucos diálogos e otras cositas más faz com que o espectador sinta na pele o sofrimento das heroínas Otilia e Gabita. Não vou dizer mais detalhes para fazer um suspense. Entrei nessa fita no escuro, e vou te dizer que a experiência foi fabulosa. Direi somente o essencial: não é recomendado para aqueles que apreciam somente filmes dinâmicos - por muitos pode ser tido como parado. Olha, eu não suporto filmes parados, mas esse é diferente. A meu ver é exatamente o desenvolvimento seco o que faz dessa uma obra espetacular. Fica a dica.
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
Lançamento: 2007 (Romênia)
Direção: Cristian Mungiu
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2007.
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