segunda-feira, 16 de agosto de 2010

'Tava demorando


Senhoras e senhores, bota a mão na cabeça que vai começar: a solidão bateu na minha porta, e eu abri. Sim, continuo tendo amigos e uma família. O tipo de solidão que me possuiu foi aquela que mais temia.

Já reconheci que minhas habilidades de biscatice estão há tempos perdidas, e calculei que a sensação de vazio provida pela falta de macho uma hora viria à tona. Só não imaginei que a ficha cairia justamente no momento em que me vi nos braços de um antigo crush. Puta timing infeliz. Mas devo dizer, agora que já me recompus do choque, que isso não me surpreende. Se não fosse com ele, ocorreria com qualquer outro.

Os sinais apontavam para tal. Afinal, lá se vão dois anos sem aquele tchan. Então houve o moleque dos suspensórios, que a palavra "fail" sequer consegue resumir tamanho desastre em tão pouco tempo (isso que dá quando você resolve ter crush em um sujeito que grita "terapia já"). Vários meses depois, aparece um moço numa festa gay, e eu estava bêbada demais para lembrar de seu rosto. Durante esse período, o ex-capeta aparece para ser um exemplo cruel da expressão "tirando doce da boca de criança". Estava tudo ali, claro como água cristalina, eu que não quis ver que esse ocasional vai-e-vem de homens eventualmente causaria uma crise de solidão.

Porque há dias em que comédias românticas não tem nada de engraçado, que uma dose cavalar de Alexander Skarsgard não resolve. Você quer um afago masculino. Você sonha com um abraço para lhe esquentar nesse frio. Você olha para casais na rua e fica com os olhinhos cheio de lágrimas. Em outras palavras, você é dominado pelo mais patético estado de mimimice já visto na história.

Encontro-me agora entre o enfrentamento da situação e o puro e simples desespero. Posso ficar aqui lidando com as consequências do insight, tratando do assunto com a psicóloga e a melhor-amiga; ou então apostar numa forma de resolução rápida da agonia e ligar para o ex-capeta. Nenhuma dessas opções são agradáveis - 'tá, a segunda, se o humor instável do sujeito colaborar, pode até ser. Porém, nada diminui a dura realidade que tentei fortemente esconder: Eu preciso de um macho, urgente.

Que fase.

Um comentário:

Unknown disse...

Parabens!!! um post maravilhoso, que sem muito rodeio, expoe sua necessidade, sem medo, muito bonito, muito admiravel....nos dias de hoje sinceridade está em falta.....um enorme bj...