São 9 da manhã e ainda não dormi. Há um leve sono, mas como me agitei ao assistir "Fúria de Titãs" (culpa do Ralph Fiennes), resolvi fumar um último cigarrinho. Daí lembrei de um texto que escrevi sobre o final de Harry Potter, e vim a este blog abandonado em busca. E me vi relendo posts antigos.
Isso nunca é uma boa idéia, pois 1) Tenho certa vergonha de meus escritos, pois percebo o uso repetitivo de determinadas palavras, ou uma vírgula fora do lugar, ou um erro de concordância. Coisa de gente pancada, saca?; e 2) Reler é pedir para relembrar. É certo que minha memória anda falha - estou praticamente o protagonista de "Amnésia" -, porém há certos momentos relatados aqui que seguem vivinhos no inconsciente, somente esperando a chance de vir à tona.
O interessante é que Outubro foi recheado de blasts from the past. Tive a capacidade de sonhar com todos os machos relevantes dos últimos cinco anos. Houve encontro das amigas da faculdade. A TNT insiste em reprisar "Titanic". Fui invadida por um fangirlism não visto desde os quinze anos graças a "True Blood". Estou incrivelmente viciada em boybands. A alegria do momento é ouvir o audiobook de Harry Potter - que aliás, como deve estar óbvio, anda muito presente, vide a nova tatuagem inspirada no mesmo. E já que nem tudo são flores, tive um novo ataque de pânico, algo que não ocorria há quase um ano.
Pensando agora, creio que seja até por isso esse bombardeio de pretérito. O ano em si está uma mistura de resgate do que foi e visões do que será, e como tal, vinha fazendo testes a fim de chegar ao último estágio de luto, a aceitação, para então seguir firme e forte para o grande passo iminente. Uma hora a coisa ia ceder. É como se alguém falasse: "Cecília, aqui está o momento definitivo. Vamos ver como você irá reagir". E eu reagi tendo piti.
O choque foi grande, e quase caí novamente. Mas a diferença é clara: Se há um ano atrás os ataques eram inesperados, esse era evidente que ocorreria. A bebedeira descontrolada, o andar pela rua de madrugada, os segundinhos que fiquei parada a troco de nada num ponto de ônibus... Eu estava me verificando. O conhecimento dos limites era uma teoria até o fatídico sábado que agora chamo de "The Panic Syndrome Reloaded". Somente então coloquei-a em prática, e mesmo com o ataque, sinto que passei no teste. Ao menos nesse, pois creio que faltam alguns (The Panic Syndrome Revolutions), talvez mais fáceis, para eu voltar completamente ao normal.
Opa, peraí: "Hoje" é a primeira vez que me sinto normal. Não é a velha Cecilia, aquela maluca. Também não é a outra Cecilia, aquela retraída. Hoje até que elas estão bem equilibradas. É um tanto esquizofrênico; às vezes uma tende a dominar por uma parte do dia, apenas para dar lugar à outra mais tarde, mas mesmo assim, não há nada tão horroroso nisso. A comum, ordinária, pretty boring actually Hoje Cecilia sempre esteve lá, só estava escondida, como se estivesse balançando os bracinhos no ar dizendo "ei, e eu, como fico?!". Eu até gosto dela. Não tem nada demais, nada de menos. 'Tá ali no meio termo, tentando encontrar seu espaço. E ela, ao contrário das outras, é bem compreensiva. E já aceitou.
Já aceitou que levou um soco sim, e fazer o quê, shit happens. Já aceitou que teve síndrome do pânico e depressão, e uma vez que aconteceram, resta somente lidar com seus resquícios - ora, é parte de sua pessoa, e só uma lobotomia poderia extingui-los por completo de sua existência. Já aceitou sua mania de amores platônicos, e consegue inclusive explicar os motivos dessa tradição. Já aceitou que fez uma faculdade não lá tão útil, mas que serviu ao propósito inicial de cumprir o desejo da mãe e está enfim liberada para seguir. Já aceitou que embora ainda não saiba com qual finalidade está aqui nesse mundo, ela não precisa lutar tanto para fazer com que os outros entendam isso - afinal, ela já aceitou que sua jornada é solitária. Aliás, essa condição não mais a incomoda tanto, porque já aceitou que as pessoas que lhe importam vão estar ali de qualquer modo e ela não tem o poder de modificá-las a seu bel prazer.
Mas principalmente, ela aceitou que sua estadia é finita, e mais curta do que imaginara, e que já que está por aqui, bem, não há muito que fazer a não ser aceitar quem é.
Um comentário:
Cara, eu hoje entrei no ´blógue` depois de décadas... preciso retomar!
Saudades...
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