Quando criei este humilde espaço lá em outubro de 2007, meu objetivo era voltar a escrever sobre Cinema, brincadeira que realizei por anos no bom e velho blig. Sempre foi mais fácil para mim falar sobre o último filme visto do que sobre o último acontecimento na vida, portanto, inventei um novo codinome e parti para os trabalhos.
Não demorou muito para que a pobrezinha da Sétima Arte virasse segunda opção quando sentava à frente da tela branca do Blogspot. Meu segundo ano de faculdade foi bastante movimentado, graças às peripécias que os machos de então aprontavam a cada semana, ao estágio e as dúvidas acadêmicas. E como se não bastasse, virei estatística de estudos psiquiátricos no ano seguinte. Para todas as dificuldades, vinha até aqui para surtar, já que outras alternativas no "mundo real" seriam drásticas demais.
Enquanto isso, acreditando que escrever sobre a award season e os atributos físicos do Hugh Jackman não caberia tematicamente neste endereço, acabei criando outro blog, o Sociedade das Irmãs Cinéfilas, numa tentativa vã de ressuscitar aquela criança que se divertia escrevendo besteiras para a irmã ler - e rir dos textos que ela também escrevia na época. A coisa até fluiu por um tempo, mas quando o bloqueio criativo baixou de vez, e com o advento do Twitter (ótimo para dizer algumas bobagens que nem sempre são o suficiente para um texto inteiro), estava com dois blogs jogados às moscas.
Daí que hoje tive um insight: separar nunca fora uma boa idéia, simplesmente porque o Cinema - e o consequente fangirlism - é tão importante no meu dia-a-dia quanto as aventuras românticas e os dramalhões familiares. Do mesmo jeito que analiso novelas, analiso questões mais profundas do ser. Analisar, na maioria das vezes de modo exagerado, é uma mania muito particular, independente do assunto. Não faz sentido separá-los se no final das contas, é tudo uma coisa só. Até porque, nunca tive pretensões de ser crítica, uma vez que não possuo conhecimento para tal. Enquanto uns falam de mise-en-scène, eu falo sobre o pau azul do Billy Crudup em "Watchmen". Ou sobre o desejo antigo de ser Alexander Supertramp de "Na Natureza Selvagem", ou sobre como "Melancholia" me derrubou por causa da identificação, ou como "Ele não está tão afim de você" exaltou meu cinismo amoroso.
Não é porque desmereço os aspectos técnicos de um filme. Como amante da arte, gosto de saber sobre estes e entender como funcionam, sendo parte da experiência. Tenho completa noção do porquê um filme é ruim. Porém, uso "Mamma Mia" como exemplo: pode ser terrível, mas é facilmente um dos meus Top 10 Musicais, devido a sua importância pessoal. Neste mesmo âmbito, "Príncipe da Pérsia" é péssimo, mas gozei com Jake Gyllenhaal todo macho-alfa - e sim, faz tempo que não me importo se isso é prova de minha futilidade, pois não vejo problema algum em ter prazer ao assistir um homem bonito. Para mim, isso também é parte da experiência.
Portanto, ter um blog de Cinema se torna rapidamente pretensioso e desnecessário - e logo me dá uma preguiça imensa ficar pulando de página por causa disso. Assim, joguei tudo do Sociedade das Irmãs para cá, e apaguei aquele espaço. Blogspot há de me agradecer por ter liberado um tantinho de seus MB's.
O Síndrome de Mia Farrow retorna à sua idéia original. Quem sabe agora a coisa vai. Deus sabe que estou precisando. Ah, e quero assistir "Shame", pelo diretor, e pelo pau do Michael Fassbender.
5 comentários:
Nossa, tenho a mesma que você sobre blogs. Já falaram que eu falo muito sobre filmas, seriados e tal, mas fazer o quê se minha vida pessoa não é tão movimentada quanto a minha vida "nerd".
E também quero ver Shame - mas por mais motivos do que você, hehehe.
Você tem tendências megalomaníacas, que nem eu, tem que trabalhar isso. rs
Fiz o mesmo tempos atrás, acho que você deve se recordar, hoje estou bem feliz com meu único e bem resolvido cantinho, mas não me arrependo da experiência.
:)
Agora com o Oscar vc nao tem desculpas pra sumir, hein :)
E sobre os conflitos de estar de volta (na verdade sao conflitos de quem sai da zona de conforto, eu acho, o que é mto bom) jà viu persépolis? Pq acho que tem tudo a ver.
Beijo!
Acho válido! Aliás, eu tenho (sabe lá meu Deus por quê) uns três blogs, vou aderir a essa ideia - exceto, é claro, pelo meu blog profissional, que não vou misturar com aquela bagunça que é a Anana, se não morro de fome! :P
Beijos, Dude!
Acho ótimo! Juntar cinema com os dramas do cotidiano não tem como não ficar bom o "negócio"...
E, obrigada pela visita ao meu blog e pelo comentário, fico feliz que tenha gostado. =)
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