
Passei a madrugada assistindo filmes. O primeiro foi um com a Dakota Fanning. O segundo, era sobre futebol americano e tinha o Denzel Washington como treinador destemido. Em ambas películas, me emocionei - sei lá porque raios.
Depois, comecei a assistir "Charmed". Como já tinha visto uns trechos desse episódio à tarde, resolvi ir dormir - afinal, já era quase 5 da manhã. Como de praxe, dei a última volta pelos canais. E então, a coisa mais linda me aconteceu.
Lá, no canal 19, A&E Mundo, estavam as figuras estampadas de Alex Kapranos, Nick McCarthy, Bob Hardy e Paul Thompson - também conhecidos pela alcunha de Franz Ferdinand - num palco grande demais para esses quatro indies mirrados, e diante de um público chinfrim, que mal balançava os braços. A platéia assistia sentadinha em suas cadeiras os rapazes dando sua alma cantando "40 Ft". Alex perambulava de cá para lá no palco, com seu jeito maravilhosamente sexy de ser. Nick todo espevitado com sua guitarra, tocando como se aquela fosse a última apresentação de sua vida. Paul baixava porrada na bateria, sem medo de ser feliz. E Bob, em seu cantinho habitual, apenas olhava para a plateia, como se estudasse cada pessoa que estava a vê-lo. "Que situação estranha", pensei. "Completamente diferente daquela que presenciei no Circo Voador". Sim, porque naquele dia 14 de Fevereiro de 2006, não havia uma só alma parada naquele lugar abençoado na Lapa.
Enquanto meus pensamentos retornavam àquele dia (e aos outros dois, em Setembro, igualmente lindos), eles começavam os primeiros acordes de "Outsiders". Eu, que até então permanecia deitada em meu sofá, fui obrigada a sentar-me, sentindo a energia deles dentro de mim. Ela crescia a medida que a música aumentava. Os sons da bateria matadora de Paul e a voz incandescente de Alex adentravam meu ser, dominando-me por completo. E então, com o término da música, fui surpreendida pelas minhas próprias lágrimas. E, com alegria, percebi que a plateia daquele show, até aquele momento tão contida, de repente se descontrolara. Observei senhores de terno e mulheres de vestido longo totalmente entregues àqueles rapazes. Todos haviam perdido a noção, tão envoltos que estavam com a bomba nuclear que acabaram de receber. E eu, aqui, no conforto de meu sofá, estava igualmente entregue.
Eles então ressurgem no palco com a arrebatadora "This Fire". Memórias daqueles dias mágicos de 2006, que com certeza estão na lista de "melhores dias da minha vida", retornaram à mente. Mais de um ano depois, eu finalmente pude sentir pelo menos um terço do que senti naqueles dias tão maravilhosos. Lá estavam eles, meus heróis modernos, fazendo-me sentir e ter uma belíssima catarse. Ao final da apresentação, eu estava de pé em minha sala, chorando, e aplaudindo para a televisão - não como uma forma de louvor, e sim de agradecimento.
Sim, pois só tenho a agradecê-los. Por serem responsáveis por três dos dias mais felizes de minha vida, e por terem feito minha madrugada, meu dia, minha semana mais contentes simplesmente por esse programa.
O Universo deu-me um lindo presente, através do Franz, que fez-me recarregar as energias. Pelo menos essa funcionará por enquanto - afinal, em menos de duas semanas, terei uma dose direta na veia. No Tim Festival não terá Franz Ferdinand (se tivesse, seria muita bondade dos Deuses), mas terá The Killers - também responsáveis por outro dia feliz de minha vida -, Arctic Monkeys, Björk e Juliette And The Licks. Acho que, depois dessa, terei energia e felicidade o suficiente para agüentar até a próxima aventura rock 'n' roll. E eu espero que a próxima venha novamente em forma de Franz Ferdinand. É demais pedir? É... talvez eu não mereça tanto.
:: ao som deles, "this fire is out of control, I'm gonna burn this city, burn this city!" ::
Um comentário:
Nossa... passei mal so de ler ;_;
Postar um comentário