terça-feira, 1 de julho de 2008

Salvem a professorinha

Cá estou eu de novo, encarando mais um treinamento para professores da língua inglesa. E cá estou eu de novo, surtando, pois nem sei se quero mesmo ser professora. Já disse trilhões de vezes que essa é uma profissão que não faz parte de meu ser, mas o dinheiro - e a faculdade - me obrigam a sê-lo. Na falta de opção...

Então vou para o treinamento, e fico me comparando com as outras candidatas. Elas são mais velhas, experientes, inglês fluente e formal lindo de doer. Eu, com toquinha rosa, sandália prestes a arrebentar, calça jeans rasgada, unhas vermelhas descascadas, inglês enferrujado, repleto de neologismos e retirado diretamente de uma sitcom americana, tendo que contar um pouco sobre mim mesma. Droga, o que raios eu vou dizer, depois de ouvir essas mulheres? Me sinto uma otária, a que viajou às custas do papai, que está considerando a profissão por simplesmente não saber o que fazer, que acha a faculdade uma idiotice completa, que decidiu fazê-la apenas por ser um curso noturno que tem inglês, pois no curso matutino era a única fumante e era doida demais para agüentar a caretice daquele povo. Como diabos alguém como eu pode ser capaz de ensinar algo a qualquer indíviduo, por mais idiota que esse seja? A todo momento, os tutores, que me conhecem desde a adolescência por terem sido meus professores, olham para mim com um pouco de pena, como se aguardassem o momento em que eu surtarei. Coisa que não está muito longe de acontecer, uma vez que, no último treinamento que embarquei, comecei a chorar perante os concorrentes.

Para completar, estou devendo dinheiro para o banco - resultado de meses de leve síndrome do pânico, quando vi-me pegando um táxi todo dia, e quase uma alcóolatra -, e tive que pedir para o papai-salvador-da-pátria-financeira, o que, nem preciso dizer, foi um golpe no estômago. No meu, e também no dele, uma vez que o pobre homem deve se assustar com a conta do cartão de crédito, e ainda assim me emprestou os trocados para o acerto de contas. Como explicar para o sujeito que gastei tudo em cerveja e táxi? Ainda bem que ele não é do tipo que pede muitas explicações. Porém, terei que explicar tudo para minha mãe, pois sei que na primeira oportunidade ele contará tudo para ela. Aí sim, será o créu do século.

Em suma, estou na maior enrascada da história. Mentindo para o pai sobre os reais motivos da dívida (o sujeito nem sabe do porquê da leve síndrome de pânico, e nem pode saber), e mentindo para a mãe, que não sabe que meus excessos levaram a situação bancária desastrosa. E além de tudo, me vendendo em nome do dinheiro ao me jogar em mais um treinamento from hell.

Sei que devo levantar as mãos para o céu e agradecer as coisas boas da vida. Amigos que me agüentam, papai com condições de salvar a filha da dívida, mamãe compreensiva perante a leve síndrome do pânico, oportunidades de emprego, livre de machos otários que sumiram da face da terra. Mas poxa, precisa ser tão duro assim?

Vida de adulto sucks.

3 comentários:

Anana disse...

é, dude... eu já me submeti a cada uma pra poder pagar as contas... cada chefe otário, cada tradução desesperadora, situações de humilhação perante os colegas... cara, ser humilhado pelo chefe é a pior coisa do mundo!!

infelizmente o dinheiro nos mantém no conforto em que estamos acostumadas.... e por mais que ser professora seja meio chato, não se rebaixe - todos temos muito a ensinar a outras pessoas, cada um a seu jeito. Imagine que você, com seu inglês tirado de uma sitcom americana, certamente tem muito mais a acrescentar a jovens e adolescentes do que qualquer professorinha com inglês formal e impecável... Believe me, I know you can do it, you have the talent and the skills!

Confie mais no seu taco, porque você é uma mulher do caralho que sabe muito sobre muitas coisas....
Quanto à situação financeira, calma que a gente dá um jeito nisso rapidinho!!

Te adoro, dude, tô aqui pro que precisar!!

Scliar disse...

Lembrei de uma frase que, num cruso (sim, sim,sou professora!) a Prof. Nilcéa,que foi vice-reitora da UFSC (bota chique nisto!) falou: Não ha sábio que não tenha o que aprender, não há burro que não tenha o que ensinar. Demais, não? Só vou pincelar o contesto: ela falou para um almofadinha metido a besta, que estava esnobando um colega de classe, um pescador de sandalia de dedo. Amei a intervenção dela. Portanto, amiga, com certeza você tem muito a ensinar, e todos nós a aprender. O difícil é encontrar a sua maneira de ensinar, que será sua marca registrada! Quanto ao pânico, não precis explicação. Pânico é pãnico e ponto final. Um abraco forte, Ethel SC
PS: Sossega. Pai e mãe adoram ajudar. Que seria de nós se os filhos nos dispensassem assim, de uma hora para outra?

Ava disse...

hauhauhaHUUHAHUAuuaahuau

me vendendo em nome do dinheiro ao me jogar em mais um treinamento from hell

uma vez que, no último treinamento que embarquei, comecei a chorar perante os concorrentes