domingo, 22 de junho de 2008

Torpor

tor.por
1. Falta de ação ou de energia física; entorpecimento;
2. Indiferença ou inércia moral;
3 Med. Estado em que a sensibilidade, a motilidade e a atividade psíquica estão reduzidas de tal forma que o paciente não tem consciência exata do que se passa em torno dele ou com ele.

Palavrinha boa, essa. A mais nova preferida. Não poderia ser mais exata, ou descrever melhor a situação atual (atual?).

No momento, a maior paixão da vida é meu quarto. Essa bagunça estranhamente organizada. Os dois edredons, os dois lençóis, os quatro travesseiros. O computador ligado 24 horas, a televisão que pula entre a HBO, o Cinemax e os canais de seriado. O video game, que encontra-se desligado, mas que pode ser ativado a qualquer instante, assim que o Street Fighter e suas porradas colossais for bem vindo. Os cigarros e o cinzeiro transbordando. "Reparação" na cabeceira, aguardando seu retorno (vi-me obrigada a parar de ler por ao menos um dia, devido a identificação assustadora).

Estou sem vontade de sair de casa, e de todo processo que tal ato envolve - lentes de contato, maquiagem, lavar o cabelo com cuidado, colocar roupa. Droga, meu pijama é mil vezes mais confortável, e não tenho mais roupa nova, ou sequer roupa que caiba nesse corpinho volumoso, obra dos infinitos sandubas apreciados ferozmente na madrugada.

Eu só quero passeios leves - ou seja, quarto / banheiro / cozinha. No máximo, quarto / banheiro, pois infelizmente há necessidades básicas do organismo. Na realidade, quero apenas meu quarto, minha cama, esse meu pequeno santuário que insiste em ser invadido. Não é apenas privacidade que desejo, é o bom e velho "leave me alone". Quero essa solidão, só. Qualquer contato pode ser realizado via-msn.

Eu sei, caso psiquiátrico. Mas qual é a surpresa disso? Não é a primeira vez que passo por esse momentinho. Talvez seja o mais forte de todos, e possivelmente o mais preocupante - para o mundo, não para mim -, porém, I couldn't care less.

Torpor. Puro.



:: ao som da nona sinfonia de beethoven ::

3 comentários:

Renato Thibes disse...

eu apóio o enclausuramento e a intolerância social. quem tem street fighter não precisa de mais nada.

Anana disse...

Hibernação way of life, dude, também tô total nessa fase ultimamente... Meu quarto é o lugar mais legal do mundo, e só estamos diferentes porque em vez de "Reparação" na cabeceira eu tenho "Dubliners" do James Joyce. Enfim, viva a anti-socialidade! Quando a gente sair dessa fase, a gente bota pra quebrar hehehe...

Kisses

Scliar disse...

Torpor. E que venha ele. Por que nestas lentes embaçadas, quem sabe, ah, quem sabe, se risca arrisca isca o passado? Porque só assim, deiando a isca ir-se pelas marés, é que se abrem portas e janelas para outros passados que você vai construir - sim, com certeza sim - no futuro. Um abraço modorrento. Ethel SC
PS: O passado volta sempre, ai, se volta! Como assombração. Mas podes enxotá-lo, não para baixo da cama, não para dentro de gavetas e armários, mas para um universo paralelo.