domingo, 31 de agosto de 2008

Pushing Daisies


Não é novidade que sou viciada em seriados. Uma vez envolvida, não tenho mais vida social, acadêmica ou familiar - apesar de isso ter mudado (um pouco) nos últimos dois anos, com a chegada da maravilha moderna chamada Torrent.

Tudo começou há dez anos atrás, em uma tarde fria de sábado. Ao trocar de canais, desesperada por algo interessante, me deparo com dois rapazes deitados em um sofá-cama. Me entreti. E fiquei para sempre.

Aquele programinha era "Friends", o primeiro amor televisivo, e escolha básica para o Top 5 seriados da minha vida. Seguindo este, veio "Dawson's Creek", onde encontrei a fuga para minhas neuroses adolescentes (e que, hoje, ao rever, me envergonho diante de tal chatice. Mas, pô, a segunda temporada foi o máximo). A partir desses, outros alcançaram meu coração, como "That 70's Show", "Charmed" (guilty pleasure em seu ápice), "Will & Grace" e "Gilmore Girls".

E então, em 2000, surgiu um tal de "Six Feet Under". Nada mais foi o mesmo. Divisor de águas tanto na minha maneira de assistir seriados, como também na estrutura de uma série. Após cinco anos acompanhando os Fisher, cresci e aprendi com eles. Cada episódio ultrapassou o limite da tela e refletiu em minha própria vivência.

Se até "Six Feet Under", os seriados significam apenas uma diversão prazerosa (mesmo eu chorando loucamente com "Dawson's Creek"), depois deste, passei a ver esses programas com outros olhos. Permiti que a identificação finalmente ocorresse, vi situações da minha vida sendo simbolicamente mostradas na televisão, dando um conforto, um surto, uma luz em minha alma.

Veio "Lost" (prefiro não comentar, meus olhos já ficam marejados), "Grey's Anatomy" e, nos últimos meses, enfim descobri "House". Mas nada me prepararia para observar o retorno de "Six Feet Under". E este se chama "Pushing Daisies".

"Daisies" é uma espécie de "Six Feet" alegre e romântico, porém, não menos simbólico e perturbador - ao menos o é para mim. Enquanto a família Fisher lidava com a morte como forma de trabalho, Ned vive com ela em seu gene, possuindo o "poder" de, com um toque, reviver aqueles já bateram as botas. Por causa desse "dom", vive recluso e aterrorizado com as conseqüências vindas de seu poder. Isso, até o momento em que Chuck, seu amorzinho primário, reaparece. Morta. E ele não se agüenta - toca na mocinha, e a deixa viver. Contudo, mesmo feliz de tê-la novamente ao seu lado, há o que considero a grande sacada - e sacanagem - da história: Ned pode reviver os mortos, porém, caso os toque novamente, estes morrem de vez. Logo, ele está com Chuck, mas não pode tocá-la.

Tipo, OI? O amor da vida existe, mas não o pode ter propriamente dito? Jesus me abane. Se apenas esse fato já faria "Daisies" necessidade básica para mim, tudo se torna pior devido a lindeza que reside em cada frame - os cenários, o figurino, os atores (ai Ned, coisa gotosa de meu Deus!) e, principalmente, o roteiro, de uma delicadeza que deixa morninho qualquer coração de pedra.

"Pushing Daisies" é a coisa mais fofa que já vi na vida. Sério. Ao final de cada episódio, percebo que estou com um sorriso no rosto, daqueles bem idiotas, e com os olhinhos prestes a transbordar em lágrimas, tamanha fofurice.

E não poderia ter surgido em melhor momento. Logo agora, que estava mesmo precisando de um aconchego no coração, algo para me deixar mais feliz, mais esperançosa, mais... fofa. Agora, que me vejo tão dura, Ned e Chuck aparecem para acalentar essa alma que estava prestes a se tornar tão fria quanto o vento que entra pela minha janela neste momento. É o sopro de vida necessário para me salvar da escuridão.

Não quero "Six Feet Under". Quero "Pushing Daisies". Quero esse universo amarelo e florido.

Mais uma vez, os seriados cruzam meu caminho, e me salvam. Que bom.




[ no som: the killers (rá), "sam's town" ]

Um comentário:

 Thiago Margato disse...

Bah guria! Pushing Daisies também mereceu um post no blog, logo quando estreiou. Foi amor à primeira vista com a Chuck. E também com a Olive, que é um sarro. Incrível como a série te prende do início ao fim, pra mim é a melhor série atualmente na tv, até porque Life on Mars se foi (e deixou saudades).

Beijos LU!