segunda-feira, 1 de setembro de 2008

De volta ao "normal"


Se a casa já havia retornado ao seu estado normal desde a chegada da irmã, agora está confirmado: Mamãe tá na área, e a casa retoma ao seu eixo. E eu volto a existir no meu quarto.

Toda vez que alguém de casa viaja, e eu fico, ocorre os seguintes estágios: 1) alegria de viver; 2) solidão; 3) saudade; 4) vontade de que a pessoa volte logo. Dessa vez, o quarto estágio foi esquecido. Claro que sinto saudade, afinal, a casa fica estranhamente enorme para uma única pessoa e um cão. Contudo, essa saudade não levou à vontade de que elas voltassem, pois os preciosos quinze dias nos quais fiquei sozinha foram sem dúvida os melhores do ano. O estágio #2 juntou-se com o primeiro, de maneira que, no início, até me assustei, tamanha facilidade na qual lidei com a própria solidão (algo não muito usual para moi).

Eu queria mesmo era ficar sozinha, jogada no sofá, assistindo meus filmes, abraçada com a Gil, bebendo minha cerveja, colocando no mais alto volume os dvds musicais e os mp3's, sem se preocupar com o fato da irmã estar de porta aberta, ou da mãe estar assistindo a Leda Nagle. Arrumar a casa, lavar a louça, me aventurar no fogão, ir ao banco, ao supermercado, ver o sol nascer na sacada. Sentar no computador e escrever até os dedos enduressem, e chorar sem que as pessoas interrompam. Ora, até ver os filmes pornôs do MaxPrime sem precisar colocá-lo no mudo, para me divertir com as bobagens do roteiro chinfrim, sem correr o perigo da mãe entrar e pensar que sou uma pervetida com síndrome de Michael Douglas.

Aí elas voltam. Posso continuar realizando certas coisas, porém, não tem a mesma graça. Afinal, há pessoas por aqui. Portanto, volto a viver no meu quarto, fecho a porta, e permaneço em meu mundo, agora limitado a um só ambiente. E volto a dormir até tarde, só para ficar acordada de madrugada enquanto todas dormem, e poder assim ter um leve vislumbre dos Quinze Dias.

Diante de tudo isso, não resta dúvidas: meu objetivo agora é morar sozinha, assim que o diplominha estiver em minha posse (ou melhor, na posse da minha mãe, pois é para ela que entregarei). Agora é fazer todos os trabalhos da faculdade, me jogar no TCC, garantir boas notas, e finalmente me formar. E neste interím, conseguir o máximo de empregos, bicos e traduções possíveis e imagináveis para juntar um dinheiro.

Pois prefiro ter saudade e amá-las de longe, do que tê-las por perto e não amar tanto assim. Prefiro a falta, pois é incrivelmente mais fácil amar sua família à distância. Prefiro assim, para evitar que o amor vá embora.

Prefiro sair de cena. É melhor para mim, e para todos.

Que assim o seja.



[ no som: joaquin phoenix, "get rhythm" ]

4 comentários:

Ava E. disse...

Dear sister, enjoy the bitches cause one day you´ll be soo faar, and you´ll miss them SOOOO MUUCH!

fabiana disse...

Eu normalmente páro no 3º estágio e me sinto culpada. Mas, a vida não tem muita graça quando você não tem seu espaço, pelo menos, chega uma hora que se faz necessário!

Alexandre disse...

Identificação total. Muito boa essa postagem. Já passei muito por isso, e tive a oportunidade de morar sozinho por 3 anos, agora voltei.

Por forças maiores, tive que voltar provisoriamente ao esquema "meu mundo, meu quarto", agora acompanhado, mas ainda sim o mesmo esquema.

E essa questão da saudade, da distância, do amor.. é isso mesmo. Chega num momento da vida em que é necessário seguir em linhas paralelas, e não pelo mesmo traço. Não tem jeito. É o rumo natural das coisas.

Desde já, boa sorte. :)

Alexandre disse...

Aproveitando: formando-se em qual curso?