O negócio é que não estou bem para sair por aí estampando um sorriso. Até então eu conseguia disfarçar, mas a partir do momento que todos a minha volta sabem do caso Edivando, é inevitável que, ao mesmo tempo que tento manter uma fachada sóbria, outra parte de mim, a dominada por esse encosto, ganha a batalha. Quando percebo, estou falando sobre o assunto. Quando dou por mim, estou aos prantos e minha mãe vem me abraçar dizendo que "tudo ficará bem". De repente, estou pedindo, de maneira menininha, para minha irmã ir de ônibus comigo para a faculdade. Passa dois segundos e estou com cara de "é, eu vou superar isso", sem acreditar muito nas palavras que saem da minha boca. Aí me vejo como uma chata, uma pessoa que só sabe falar sobre si, que acha que "ninguém me entende!", e outros surtos-Crepúsculo que me envergonham.
Assim, é óbvio que o bloqueio criativo nada mais é que uma auto-punição para evitar falar sobre o assunto mais do que já falo. Mas cá estou, me repetindo. A rainha da redundância. E cada vez mais chata e insuportável.
Porra, eu era tão legal, tão gente boa. Um projeto de Alexander Supertramp, claro, mas uma garota bacana. E não essa mala que vira qualquer assunto para "a violência da humanidade, a ditadura dos maloqueiros, a perda da liberdade por causa dos ratos". Mas que chatice, Cecilia. Que clichê! Basta voltar algumas páginas nesse blog para comprovar isso. Coitado de vocês, humildes leitores. Me perdoem.
Creio que seja por isso a agonia crescente. O dito depoimento está chegando, e sinto que é a última vez que terei que recontar a história toda. O que é um alívio. Para mim, e para os outros. Se Deus quiser.
E queira, viu, meu filho.
¬ roxy music - if there is something.mp3
5 comentários:
Hummm
Uma vez alguém, não lembro quem, escreveu que todos somos clichês. Vez ou outra me pego pensando nisso.
Melhoras aí.
Bjo
Sabe Menina eu te entendo.... essas historias do passado voltando para assombrar mexe com a gente de uma forma de outra e mesmo que sendo outra historia que todo mundo da minha vida também está cansada de ouvir me vejo assim igual você...envolta nesse negócio de justiça, intimação, processo, lágrimas, desespero de alguma forma....ansiedade a tal ponto de me comer um pacote de biscoitos sozinha e em uma sentada e isso sem estar com fome.
Sei que não adianta dizer, porque para mim também não adianta, mas isso vai passar e vai ser só mais uma capítulo da sua história como o que está acontecendo comigo será só mais um capitulo da minha. Espero que o seu se encerre em breve, no dia do seu depoimento. O meu não sei ainda, mas também espero que em breve.
Ainda bem que hoje é sexta e que o final de semana esta por vir.... quero dormir muito e tentar esquecer os meus problemas....aproveite o final de semana...mergulhe nos filmes, nas séries e esqueça os seus também....BOA SORTE PARA NÓS.... BEIJOS
Andei reescrevendo sobre como comece o meu amor pelo tipo de música que amo, tem sido tão esclarecedor, então é isso, volta tudo, paso a passo que você não vai ter que (se) explicar (para si) nunca mais.
beijas
é melhor se repetir, que não ter nada a acrescentar....
Apareça,
Maurizio
Redundância pode ser uma forma de esclarecimento também, mas o importante mesmo é escrever. Vai que vai.
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